A minha proposta de reforma política; artigo do professor Marcus Fernando Fiori

2013-06-28T15:59:11+00:0028 junho, 2013|

Reforma-Politica_uqzmztdaaa[dropcap]E[/dropcap]u tenho uma proposta de reforma política para o Brasil. Penso que ela atenderia a todas as demandas que se expressam nas ruas em forma de manifestações puxadas principalmente por jovens que não vêm mais futuro em um país onde o crime do colarinho branco se institucionalizou. A minha reforma política se constituiria basicamente de três pontos. Não creio que ela passaria pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, afinal, seriam deputados e senadores dando um tiro no próprio pé. Mas não tenho dúvida de que ela seria a solução.

            Ponto 1: limitar o número de mandato de deputados (estaduais e federais) e senadores. Os parlamentares hoje podem ficar indefinidamente no poder, o que provoca aberrações do tipo José Sarney, que desde os anos de 1950 está ai parasitando a estrutura do poder. Renan Calheiros, Jader Barbalho e Paulo Maluf são outros exemplos, dentre muitos, de políticos profissionais que se fizeram à custa do erário. Formaram fortunas pessoais e nós pagamos a conta. Na esfera estadual, temos o caso do deputado José Riva, de Mato Grosso, um político que desde 1980 não larga o osso e responde a mais de 100 processos por diferentes crimes envolvendo recursos públicos. Trazendo a questão para a nossa realidade, temos por aqui um Valdir Raupp, que foi prefeito de Rolim de Moura e governador de Rondônia – um verdadeiro desastre. Foi senador da República por oito anos e teve o mandato renovado por mais oito. Serão 16 anos no Senado Federal, tempo suficiente para torná-lo um dos homens mais ricos do Estado e sem dar suficiente contrapartida à população rondoniense, a não ser a falsa ilusão de ser um político trabalhador porque destina uma emenda ou outra às cidades – nada mais do que a sua obrigação. Outra aberração, a meu ver, é a esposa do senador Raupp, Marinha Raupp, deputada federal no quinto mandato. São 20 anos de poder. Por que não renovar, trocar isso por sangue novo, por ideias novas e por novos ideais? Um dos pilares da democracia é justamente a alternância de poder. Com o atual sistema isso não é possível.

            Ponto 2: Voto de qualidade. Com isso quero dizer que o eleitor deve ser selecionado, posto que aberrações do tipo José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, José Riva e o casal Raupp são produzidas por eleitores que não têm a menor consciência de o que representa um voto. Penso que com o voto de qualidade resolveríamos dois problemas: digamos que só pode votar o cidadão portador do diploma do ensino médio (no mínimo). O governo poderia deixar de investir nas suas imensas fábricas de produzir analfabetos funcionais espalhadas pelo Brasil, posto que não poderia contar mais com esses para se eleger e reeleger. Os políticos então poderiam parar de brincar com a educação brasileira e levá-la a sério, posto que não mais teriam os analfabetos funcionais e dependentes do “bolsa compra de voto” para conduzi-los ao poder. A questão é séria: só a educação desperta a consciência política. Sem ela o povo não passa de uma grande massa de manobra, e essa tem sido a tônica no Brasil desde a descoberta. Temos maus políticos porque temos péssimos eleitores. A idéia basilar de que o sufrágio universal é a estância máxima da democracia é algo que, no Brasil, beneficia apenas os políticos mal intencionados. Os bem intencionados não se elegem, porque os eleitores conscientes constituem a minoria.

Marcus-Fiori-Artigos            Ponto 3: O crime do colarinho branco tem de ser elevado à categoria de crime hediondo e, tal como um assassino em série ou um narcotraficante, tem de ser punido com longas penas de detenção e sem abertura ao mecanismo da fiança. Temos de pensar no político corrupto como o maior dos assassinos: por sua conduta, pessoas morrem nos corredores de hospitais ou nos labirintos da ignorância e do analfabetismo funcional. Morrem nas ruas por conta da violência. Morrem por desesperança, morrem de fome, enfim, a corrupção mata muita gente. Esta semana houve um avanço neste sentido, visto que o Senado Federal aprovou o texto de uma medida que eleva a corrupção à categoria de crime hediondo. Seria uma mudança de mentalidade ou apenas uma estratégia para acalmar os ânimos das ruas? O fato é que punir os políticos corruptos é arma fundamental para dar ao Brasil a configuração com que o povo brasileiro tanto sonha.

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