A política rondoniana e as lições de Aristóteles; artigo do professor Ivanor Luiz Guarnieri

2013-11-18T16:44:48+00:0018 novembro, 2013|

O filósofo Aristóteles produziu uma obra que marca séculos de existência e ajudou a formar a sociedade que temos. Muitas vezes mal estudado, ou simplesmente não estudado, seu pensamento trouxe contribuições significativas ao modo como se vê o mundo. Poderia ser citada a lógica, a poética, a oratória, a psicologia filosófica, a biologia, a metafísica, a ética, e, claro, a política, como alguns dos campos em que suas análises voltaram deram atenção.

Na obra “Política” o foco de Aristóteles se volta para a constituição e caracterização da sociedade ou polis. Afirmando que toda associação visa um bem, defende que se deve cuidar da associação que visa o bem mais excelente, que é a cidade. Segundo ele, a polis grega teria começado com as primeiras famílias organizadas em pequenos grupos. Uma família, constituída originariamente de homem, mulher, filhos, servo e boi. Depois de aumentar o número de seus membros, as famílias originais se tornaram clãs, detentoras de terras e bens e, por fim, constituíram as primeiras cidades da Ática, onde se situa a bela cidade de Atenas.

É comum aqui em Vilhena se ouvir elogios à democracia. Aliás, não só em Vilhena. Os discursos estão cheios de ideias que defendem a democracia, afirmando que ela é o poder do povo. De fato, a palavra democracia tem esse sentido etimológico de poder do povo, mas a prática política parece mais parecida com a democracia grega do tempo de Aristóteles. Expliquemo-nos. A palavra “demo” indicava o pertencimento a uma das famílias dominadoras. Os cidadãos livres, na praça pública de Atenas, se apresentavam como pertencente a uma das famílias atenienses. Democracia era o poder das famílias ricas de Atenas.

Homens fortes que se reuniam para discutir os destinos da cidade, suas leis e suas guerras. Basta ler a “Ilíada” de Homero, por exemplo, para verificar o modo como se organizavam. Pertencentes a cada demo, reunidos em torno de uma causa comum, que era assaltar a cidade de Tróia, usando como desculpa o rapto de Helena, mulher de Menelau, mas que, devido a um sequestro, estava nos braços, e na cama, de Alexandre.

Então a ideia de povo está um pouco equivocada, quando se diz que democracia é o regime político no qual o poder do povo é o determinante. Povo é uma palavra muito difusa, difícil de caracterizar. Sendo direto, mas sem querer ser cruel, em política o poder não é do povo, mas dos interesses.

Tratando da forma de governo e procurando mostrar seus tipos, Aristóteles os classifica em seis modelos, sendo três bons e três maus. São boas as formas de governo denominadas de monarquia, aristocracia e politia. São mais a tirania, a oligarquia e a democracia. Mas como saber distinguir um governo bom de um mau? O critério utilizado pelo Filósofo é límpido e acabado. Para ele, são boas as formas de governo que visam o bem comum. São más as formas de governo cujo objetivo é atender os interesses do governante.

Tal critério pode ser usado em diferentes períodos e em diferentes lugares. Olhando para os lados do Brasil e focando os cenários políticos de Rondônia e Vilhena, fica um pouco mais fácil dizer qual o melhor governo, ou qual o governante que realizou ou realiza o melhor trabalho.

É importante ouvir o que os políticos dizem, mas mais importante ainda é o que eles fazem. Se você eleitor prestar atenção nas ações dos políticos, irá descartar inúmeros deles que só visam o interesse próprio. Os truques, as mentiras, os conluios, o desvio de recursos, o descumprimento da lei e a quantidade crescente de condenações judiciais. Nesse último quesito então, o País está cheio de políticos que dão um show. Não cumprem sequer o básico que todo cidadão deve cumprir, que é a obediência à lei. Conduzir pessoas assim aos cargos públicos é uma temeridade.

Ivanor-ArtigosO que não o desculpa, pois assim como um erro não justifica o outro, a falta de zelo dos políticos em geral não desculpa os casos particulares. Aplique-se a lei, e se a lei permitir tais escândalos, que se mude a lei, pois esta se mostra atrasadíssima em ajudar os mais carentes tanto quanto beneficia alguns mandarins políticos.

Como se pode concluir da classificação entre bons e maus governos, e bons maus políticos, é muito pequena a quantidade dos que visam o bem comum acima dos seus interesses particulares. Mas o critério criado por Aristóteles no quarto século antes de Cristo está aí, use-o, em especial nas próximas eleições.

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