A telinha é também culpada; artigo do professor Ivanor Luiz Guarnieri

2013-10-15T17:05:49+00:0015 outubro, 2013|

A comoção originada em nós pela morte sempre é um sentimento forte. Quando se trata de jovens cuja vida foi abortada abruptamente, o sentimento de perplexidade faz aumentar a sensação de vazio que as frustrações da existência só fazem aumentar. É curioso, porém, como mortes em maiores proporções podem não ter tanto efeito, desde que se esteja acostumando com elas.

A televisão brasileira tem explorado os acontecimentos da escola Tasso da Silveira. Doze mortos, um assassino suicida e o circo está armado para a exploração televisiva e invasiva. Detalhes das mortes, choro ante as câmaras. Uma senhora ao celular vertendo lágrimas e informando ao marido a respeito da morte da filha é, primeiramente, desrespeito às vítimas, neste caso os pais que foram vitimados pela perda dos filhos. Mas a TV estava lá, supostamente noticiando. Bem, não sejamos tão cruéis, a TV estava noticiando sim, mas espere aí, precisa ser desse jeito?

Como os jovens costumam dizer, eu ‘vazei’ de frente do aparelho televisor e fui fazer qualquer outra coisa, menos desrespeitar os já tão sofridos pais das crianças. A TV não teve tanto pudor. Mostra e mostra novamente as cenas, as salas, o sangue, desenhos da posição do atirador, etc. E alguns me perguntam: “E aí professor, o Senhor viu?” Nem quero mais ver. Por que isso? Cá entre nós, se não houvesse audiência que sustentasse as apresentações televisivas, o noticiário seria mais contido e mais educado. A mesma televisão, craque em transformar tragédia em espetáculo, apela sempre que a oportunidade aparece. Mas por que isso?

Primeiro que dá audiência e aí vai uma observação crítica em relação a nós, telespectadores, que fazemos a alegria dos programas de baixo nível: é mais que hora de pararmos de gastar tempo vendo sujeira. Segundo, com audiência os patrocinadores irão querer colocar seus produtos na grande vitrine assistida por milhões, que é tela da televisão. Nesse último caso, vale um reparo aos senhores empresários, e suas empresas, com marcas e produtos consagrados, deveriam escolher melhor antes de aplicarem o dinheiro destinado à publicidade, muita verba vem sendo aplicada no lixo e na baixaria de certos programas.

O atirador Wellington Menezes de Oliveira não era assassino, tornou-se um. Sentindo-se fracassado, quieto, rejeitado pela mãe que tinha problemas mentais, teve uma vida infeliz e resolver fazer a infelicidade de outros, atirando nos alunos, mais preferencialmente em meninas. É claro que nada justifica o ato insano deste jovem, nada mesmo, mas ele tem certa lógica, de alguém rejeitado, que se sentia fracassado. Numa sociedade de consumo e apelo a sexo como a nossa, ver-se inferiorizado e ridicularizado, sem amigos, é pressão demais para certas cabeças que reagem com violência. Teria ele sido vítima de violência na escola? Onde estão os que zombavam dele? Ah, agora ninguém tem nada com isso.

Essa mesma televisão que explora o sexo, insinua ou afirma que o mundo trata melhor quem se veste bem, incentiva a cultura do exibicionismo e do consumismo,  agora explora os tristes acontecimentos de quinta feira, 07 de abril, como se ela, TV, não estivesse implicada nisso.

Pense um pouco no quanto de porcaria (desculpe, talvez eu esteja ofendendo os porcos), quanta bobagem passa na  telinha. Aquela novela esquisita, aquele programa que insinua relações sexuais e piadas sacanas o tempo todo, fora o desfile de traseiros, culatras à mostra. Letras de música de baixíssimo nível, insinuando esperteza e, o que mais? Sexo, sexo, sexo… Francamente, uma sociedade como a nossa que tolera tranquilamente que crianças e mais crianças sejam abortadas, que a merenda escolar seja adulterada como vem sendo denunciado na São Paulo do Senhor Kassab. Uma sociedade em que senhoras primeiras damas de Alagoas estão envolvidas em desvio de recursos da merenda escolar, deixando crianças, que já se encontram em situação de penúria, simplesmente passar fome é uma sociedade que precisa se repensar.

A revista Cláudia (acesso: http://claudia.abril.com.br/materias/2882/) defende a legalização do aborto, que em nosso País é crime, exceto em alguns casos devidamente tipificado. Defende argumentando que os países mais desenvolvidos já resolveram essa questão e o Brasil está, nesse quesito, junto com países pobres. Que belo argumento! Vamos ficar entre os países ricos se abortarmos os indefesos. Já ouvi também que a criminalidade vai diminuir se os pobres que vivem em lugares violentos forem incentivados a abortar. Que belo achado, faz-me rir. Ao invés de melhorar a merenda escolar que está sendo roubada em alguns lugares, ao invés de investir o recurso dos impostos em educação, e não em corrupção, mata-se o filho do pobre para que nem sequer tenha o direito de nascer.

Você que me lê pode até concordar com os argumentos em favor do aborto, é um direito seu, claro.  Mas lembre-se que você poderia ter sido abortado. Ah, mas não é matar um ser humano, pois é só um embrião… Claro, mas esse embrião dará origem a um ser humano. Jamais se viu que do ventre de uma mãe grávida seja parido um pé de alface, ou um cachorrinho.

Ivanor-ArtigosSe queremos estar entre os países desenvolvidos devemos cuidar da educação, não tem outro remédio. E a educação, que vem primeiramente de casa, vai depender também da qualidade dos programas assistidos na televisão. O que! Não tem nada a ver uma coisa com a outra? Como não. Se uma pessoa gastar uma hora diária estudando francês, falará francês e aprenderá a pensar em outra língua. Se passar um hora vendo programas de baixíssimo nível vai estar pensando e aprendendo o quê? O que você e sua família estão aprendendo ao assistir esse ou aquele programa? E por que esse programa é assim? Porque dá ibope e com ele dinheiro. Mude de sintonia com a vida e eles se obrigarão a melhorar a programação lamacenta. Se a TV está péssima, desligue e vá à Missa, ou ao culto. Os Padres, Pastores, Anciões, Prelados, tem muita, mas muita coisa boa para dizer para você, coisas que valorizam a vida. Definitivamente mais Jesus, menos certo tipo de TV.

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