Algumas considerações sobre os aspirantes ao governo de Rondônia

2014-02-19T20:24:52+00:0019 fevereiro, 2014|

Por Marcus Fernando Fiori

image Eu quero demonizar e elogiar alguém. Neste ano teremos eleições para presidente da República, governador, deputados federal e estadual e senador da República. Além do chefe do Executivo nacional, vamos eleger a representatividade do Estado e do povo de Rondônia no parlamento federal. E vamos também escolher os representantes legislativos em âmbito estadual. Mas é no chefe do Executivo estadual que quero me concentrar.

Já temos alguns pré-candidatos anunciados ao governo do Estado. Um deles é o Padre Tom (PT). Candidamente, ele se apresenta como os demais petistas. Desde o início da era Lula – quando o próprio se apresentou como o “paladino da moralidade” e enganou muitos brasileiros, inclusive eu – Padre Tom pegou a onda. Parlamentar atuante tanto quanto o finado político Natan Donadon em termos de liberação de emendas parlamentares para os seus redutos, Tom revelou duas faces: a primeira é não ter pudores quanto aos gastos com verbas de gabinetes. A segunda é não ter pudores quanto às alianças para atingir suas pretensões eleitorais, rebaixando-se ao nível mínimo, ou seja, aliar-se a Ivo Cassol para conquistar o Palácio Getúlio Vargas. Como dizia um conhecido pensador medieval napolitano, “os fins justificam os meios”.

Temos também o Confúcio Moura (PMDB). Simpático, fino no trato, inteligente, literato e adepto das mais recentes tecnologias digitais, o governador do Estado tem a chave do cofre, mas não conseguiu arrumar a área da qual supostamente é especialista: a saúde. Andou sempre mal acompanhado e não mandou no seu próprio governo – assim como Lula é presidente do Brasil, alguém tem dúvida de que Valdir Raupp é governador de Rondônia? Confúcio, infelizmente, enganou os servidores públicos e, hoje, coloca em dúvida a sua reeleição, deixando inseguro todo o grupo político que o sustenta.

Desponta como pré-candidata a Ivone Cassol (PP). Ela nega qualquer possibilidade de candidatura, embora as simulações com o seu nome a coloquem em posição bastante confortável para a disputa. Ótima e elegante primeira-dama, é apoiada por um político condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e que arregimentou, com toda a força, o ódio do funcionalismo público estadual ao achatar sistematicamente seus salários ao longo de oito anos de governo. Ivo Cassol, marido de Ivone, se mostrou bom de voto, porém não os conseguiu transferir para o seu candidato à sua sucessão. Quem garante que conseguirá fazê-lo agora? Esse é o único trunfo de Ivone Cassol.

Tão meteórico quanto a ascensão foi a queda de Expedido Júnior (PSDB). Pesquisas dão conta de que ele lidera a corrida pela sucessão estadual, porém seu histórico o condena. Tendo iniciado a carreira como vereador em Rolim de Moura, exerceu três mandatos de deputado federal e se notabilizou como o mais jovem constituinte brasileiro. Foi eleito senador da República e cassado por compra de voto. Cedeu, por força da justiça, o mandato a Acir Gurgacz. Expedito não tem mais a mesma eloquência. Acabou-se a juventude. Cessou-se o discurso. Lidera as pesquisas, é verdade, mas não deve manter a posição quando a corrida começar para valer. A começar pela dificuldade que terá para costurar uma aliança consistente.

Volto agora ao começo deste texto: “Eu quero demonizar e elogiar alguém”. Vou começar pelos elogios. Eleito governador de Rondônia em 1998, José de Abreu Bianco (DEM) teve o infortúnio de ter de enfrentar os rigores da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101), que impôs o controle dos gastos públicos condicionando os gestores públicos a gastar de acordo com a sua capacidade de arrecadação (estados e municípios). Depois de Jerônimo Santana, Oswaldo Pianna e Valdir Raupp, Bianco herdou um governo completamente falido. Como se fosse pouco, teve de se adaptar à LRF. A lei era (e é) clara: o gestor que não a cumprir pode, entre outras coisas, ser preso. Bianco se viu obrigado a demitir algo em torno de nove mil servidores públicos do Estado. Tudo em nome da governabilidade, do equilíbrio das contas públicas e do respeito à nova lei.

Claro que Bianco foi demonizado por seus atos. Mas foi obrigado a fazê-lo. O então governador sacrificou qualquer possibilidade de reeleição ao tomar atitudes extremas a fim de sanar as contas públicas. Como resultado, depois de fazer de Rondônia um estado um pouco mais “arejado” em termos financeiros, o então governador foi estigmatizado pelo funcionalismo público como o “governador da demissão”. Bianco não foi estadista, mas também não pensou apenas na próxima eleição.

José de Abreu Bianco foi reabilitado pela população de Ji-Paraná, cidade que lhe concedeu dois mandatos de prefeito e que lhe proporcionou a chance de eleger o sucessor com cerca de 80% dos votos do eleitorado local. Sob seus dois mandatos, Ji-Paraná passou de uma “Porto Velho piorada” para uma das mais belas cidades rondonienses.

Mas tenho que demonizá-lo, nem que seja um pouco: embora não responda a nenhum processo e jamais tenha sido condenado em seus mais de 30 anos de vida pública, Bianco pertence ao DEM, partido que dispensa maiores apresentações, bastando para tanto analisar seus quadros tanto em nível nacional quanto em estadual.

Marcus-Fiori-Artigos Até outubro, se eu conseguir me desvincular dessas questões partidárias (depois do governo Lula, aprendi a não acreditar em discursos de partidos, bem como não acredito mais na ideia de “direita” e “esquerda” na política, ao constatar que o PT hoje se localiza à direita de tucanos, democratas etc), talvez eu tenha um candidato e desista da minha ideia de anular meus votos do começo ao fim.

3 comentarios

  1. Emanoel Silveira 19 fevereiro, 2014 at 8:59 pm

    Devo admitir que foi um dos melhores textos que li deste cenário político de nosso estado. Fiori foi profundo em sua análise, sem sofismo e de forma fria e clara, demonstrou o cenário pleno de nossos líderes. Acredito que ao anular o voto iremos resolver nossos problemas, dentre os frutos podres que aparecem vejo que temos que escolher o menos bichado, o menos contaminado e principalmente entender os acordos feitos na calada da noite para chegar ao palácio Getúlio Vargas. Somos destemidos pioneiros, somos bandeirantes deste imenso rincão, precisamos de um governo que trabalhe para este povo que grita com força: somos Brasileiros! Somos rondonienses.

    Adm. Emmanoel Silveira

  2. Fernando H. Araujo 19 fevereiro, 2014 at 9:16 pm

    Infelizmente é isso: temos de escolher o fruto menos bichado.

  3. Marcus Fernando Fiori 19 fevereiro, 2014 at 9:17 pm

    É lamentável mas é a realidade: temos de escolher não o melhor, mas o menos pior.

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