Dinheiro, negócios e sociedade; artigo do professor Ivanor Luiz Guarnieri

2013-10-02T12:03:51+00:0002 outubro, 2013|

É comum comentários sobre a riqueza dos Estados Unidos como resultado da pobreza de outros povos. Tais explicações põem de um lado os bons (os pobres) e de outro os maus (os americanos). A cobiça seria a causa da desgraça alheia e os latino-americanos, coitados e inocentes, criaram, e em alguns casos ainda criam para si uma imagem de auto-piedade com a qual justificavam seu estado de miséria. A pergunta que estava por trás dessas ideias é se a pobreza de uns é resultado da riqueza de outros. A resposta pode não ser tão fácil como parece.

Quem não quer saber como uma nação se torna rica? Adam Smith, na famosa obra “A riqueza das nações” aponta o trabalho como resposta. De fato, se não há riqueza sem trabalho, este pode ser tomado como fator de progresso econômico de uma nação. Mas só trabalhar não basta, como é já bem sabido. Aliar tecnologia e boa gestão é indispensável quando se trata de produzir riquezas.

Dadas essas considerações iniciais, quero considerar um elemento não diretamente relacionado à produção direta de bens e serviços, mas também importante. O empresário sabe que não basta apenas produzir mercadorias, é preciso vendê-las. De nada adianta ter a loja cheia de produtos que não saem. Por outro lado é inevitável tomar cuidado para entregar e não receber. Num mundo de relações como no capitalismo, pessoas estranhas fazem negócio todo dia. É desnecessário conhecer profundamente o cliente ou este conhecer a loja, o dono da loja e os atendentes, para que fechem negócios. Há uma relação de confiança possível que encaminha compradores e vendedores ao momento final da transação econômica.

Imagine agora se essa confiança começasse a ser quebrada seguidamente. Exato, imagine que um comprador, depois outro, e mais outro, ao adquirir mercadorias começassem a, sistematicamente, sustar os cheques, descumprir os prazos de pagamento das prestações. Seria algo bem desagradável, pois compromete a cadeia de pagamentos e geraria dificuldades de liquidez no mercado. Sem dinheiro, sem pagamentos, sem liquidez. Logo, desemprego, recessão, greves e as consequências que um período de vaca magra, mais, de vacas magérrimas causa.

Por outro lado, seria espantoso que comerciantes e prestadores de serviço, depois de receberem o pagamento, simplesmente enrolassem o cliente que é pontual. A frustração de pagar e não receber como combinado é grande. A raiva em ter os documentos em mãos e a mercadoria sabe-se Deus onde foi extraviada, vendida para outro cliente talvez, também é muito desagradável.

Vendedores que enrolam o cliente com mil desculpas, como a famosa “o caminhão está chegando”, ou “o caminhão está preso no posto fiscal”, ou “a mercadoria chegou com defeito”, quando, na verdade, já havia sido comprada e paga quase toda ela há mais de dois meses.

O leitor, se já se meteu a construir em Vilhena talvez já tenha passado por essa experiência nada agradável. Comece a construir, encomendar certas janelas que parecem chegar dia de São Nunca e então verá se há exagero nas linhas que escrevo.

Ora, o mercado precisa de pessoas honestas, que cumpram com o combinado, se quiser prosperar. O mundo da desculpa pode colar uma vez, mas várias vezes acabam cansando o cliente. Este, desconfiando, já não quer pagar mais tão corretamente. Ao ver que outros que ainda estão devendo são atendidos primeiro, começa a achar que ser embromador torna-se uma necessidade quando alguns comerciantes agem como agem.

Ivanor-ArtigosO problema é que sem honestidade há muita desconfiança. Com desconfiança os negócios emperram. Com poucos negócios ou negócios feitos sob a proteção de contratos desrespeitados, o ambiente econômico torna-se ruim.

Depois vem a desculpa de que somos pobres porque somos explorados por alguma potência estrangeira. Se o somos é porque consentimos. Melhor é olhar para as próprias atitudes desrespeitosas tomadas contra os clientes e destes quando descumprem o que foi acertado.

Então, se queremos um país próspero onde morar, convém aliar trabalho, tecnologia, boa gestão das empresas e coroando tudo, uma boa dose de honestidade, cumprindo o prometido, evitando mentiras que são criadas para encobrir a incompetência ou a má fé. Lutar por um país melhor começa por melhorar as coisas em nossa própria cidade.

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