Homens do sul em Rondônia: artigo do professor Ivanor Luiz Guarnieri

2013-07-01T15:37:44+00:0012 abril, 2013|

RODA-DE-CHIMARRÃOA monocultura era um problema segundo se pensava no Paraná na década de 70. Homens suados e curvados sobre enxadas na limpeza dos trechos de café se ocupavam do trabalho sob o sol. Sua faina fazia a alegria das exportações e o sorriso dos que viam crescer os lucros com o suor do trabalhador. O motosserra criado uma década antes, e a utilização de máquinas na agricultura,  como o trator,  ocupavam as discussões daqueles tempos. Era preciso mecanizar o campo, ou se poderia dizer: industrializar a lavoura.

O Paraná era dominado pela cultura do café. As fazendas de café dominavam o cenário no norte pioneiro daquele estado e se expandia para outras regiões, até mesmo no oeste. Se para outras culturas era  ainda forte a presença do cavalo puxando arado, ou mesmo do boi segundo a tradição trazida por alguns do Rio Grande do Sul, imagine-se a mecanização das lavouras de café. Impensável. Então, com muita mão de obra a produção se mantinha. Grandes fazendas, pequenas ou médias, a absorção de gente era grande.

Graças aos incentivos e campanhas do governo federal e estadual, alguns agricultores já se decidiam a substituir o café por outras culturas. No concerto econômico entre as nações o Brasil continuava escalado como fornecedor de matérias primas e produtos agrícolas, e o Paraná deveria mudar seu perfil para outras lavouras se quisesse continuar tocando conforme a música da economia regida pela batuta dos Estados Unidos.

Tudo bem orquestrado, na harmonia das empresas multinacionais que se instalavam em São Paulo, ou Rio Grande do Sul, para fabricar tratores e colheitadeiras, com o asfalto ganhando as estradas paranaenses para melhor escoar a safra de soja até os portos. Aqui uma paradinha para pensar nalguns motoristas de passeio que vivem reclamando da qualidade das estradas, dizendo que os caminhões atrapalham, e outros desabafos. Fazem isso por não saber que economicamente a estrada é para os caminhões transportarem a riqueza, sobretudo a agrícola, e que os carros de passeio também devem ser considerados nesses caminhos, mas  não são a causa principal do asfaltamento das vias.

Voltando ao Paraná, se as máquinas deviam ganhar o campo, os fertilizantes, herbicidas e inseticidas também. Poderosas companhias envenenaram as terras para coibir a proliferação de pragas, e, ao mesmo tempo, fortificar as plantas de soja.

Para dar um empurrãozinho na decisão dos agricultores, o ano de 1975 presenteou-os com a temível geada negra, que queimou cafezais de dar dó. O frio que soprava seguido da calmaria necessária para formar o gelo, pôs abaixo a cafeicultura paranaense. Se alguém estava em dúvida em mudar de plantio os termômetros abaixo de zero esclareceram acerca do caminho a tomar.

Milhões de pés de café destruídos e  pouco mais de 2.900.000 trabalhadores que se viam forçados a deixar as fazendas. Se dois homens por hectares de café eram necessário, com a soja apenas dois daria conta de cem vezes isso, dependendo do uso maior ou menor de máquinas.

A geada é um fenômeno natural, e a natureza não tem culpa. Ela apenas impulsionou a mudança que se fez em velocidade inesperada. Resultado disso, o esvaziamento do campo, com a consequente diminuição da população de algumas cidades e a explosão demográfica de outras. Maringá, Londrina, Cascavel e a periferia de Curitiba viram aumentar seu contingente populacional. Muita gente que sabia trabalhar no campo e vinha para a cidade com o objetivo de… Bem, para vir para a cidade já que no campo não havia mais lugar para elas.

Ivanor-ArtigosCom a mecanização da lavoura o Paraná começou a sofreu outro problema, no campo mesmo: as águas estavam levando as camadas mais produtivas de terra para o fundo dos rios. Era forçoso encontrar solução para a erosão do solo. Em seguida, no final dos anos 80 intensificou-se a utilização das curvas de nível e de murundus que se mostraram úteis contra a erosão.

Dessa história toda, onde entra Rondônia? Entraram em Rondônia muitos trabalhadores daquele estado, buscando terras e vida nova. Depois da geada e das máquinas a busca de um mundo novo.

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2 comentarios

  1. FABI 30 abril, 2013 at 9:47 pm

    Verdade nossa cidade e o estado foi dado um grande progresso com a mao de obra dos trabalhadores vindo do sul

  2. Valmir de Farias Junior 24 junho, 2013 at 1:14 pm

    Muito bom chega a ser poético…
    Porem o gritante da questão é como o ser humano no caso os trabalhadores (pobres) são substituídos sem preocupação alguma do estado com seu futuro, foi então apenas, criada uma política enganosa de marcha para norte que era visto como um eldorado , que na verdade foi mais uma luta para este povo pobre que sempre carregou com a força de seu trabalho esse país nas costas, pois foi certamente uma luta árdua desbravar o norte do Brasil, muitos deles que não conseguiram terras acabaram por ser operários de grandes serrarias que com perigosas condições de trabalho e um salário ínfimo empregavam famílias inteiras, Enfim o Brasil é um país progressista que não se preocupa com grande parte de seu povo, porem é este povo que lhe põe no caminho do progresso!

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