As pernas da economia brasileira parecem daquele homem que saiu caminhando depois de alguns copos de bebida alcoólica. Continua caminhando, mas com dificuldades. A concorrência entre os países não é páreo para desatento. A economia nacional segue caminhando, mas piorando.

Dilma-pib[dropcap]E[/dropcap]m apenas um ano o País perdeu 5 posições no ranking dos países competitivos. Em 2012 ocupava a 46ª posição e neste ano ocupa a 51ª. A notícia boa é que não passará do 60º lugar, já que a lista só considera 60 países. A notícia ruim é que, se continuar desse jeito será riscado da lista.

Na opinião dos responsáveis pelo levantamento há percepção desanimadora. O trecho a seguir dá uma ideia disso: “Estávamos esperando o Brasil numa posição bem melhor”, disse o diretor do IMD World Competitiveness Center, Stephane Garelli. Na sua visão, o grande problema do país é “muito consumo e pouca produção” (Fonte: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/brasil-cai-cinco-posicoes-em-ranking-de-competitividade-diz-imd-2).

De fato, o muito consumo e a pouca produção pode ser verifica aqui mesmo em Vilhena. Visite as agências de automóveis, ou sites especializados e pergunte onde são fabricados os belos carros novos. Boa parte deles vem do México e da Argentina. Então o leitor intrigado se pergunta: por que o governo da PresidentA Dilma isentou o pagamento de IPI dos carros? Para ajudar o consumidor brasileiro a comprar mais carros. Francamente, não sei explicar o fenômeno, mas há um mal estar no ar.

A constatação econômica leva ao raciocínio facilmente verificável da baixa competitividade. Parece preferível comprar carros e outros bens com alta tecnologia de outros países do que projetá-los aqui, com indústria nacional. Mas há indústria de automóveis genuinamente brasileira. Montada pelo Sr. João Augusto Conrado do Amaral Gurgel em 1969,  chegou a 27 anos de atividade. Contratempos do Brasil como greves portuárias, e desincentivos do governo levaram a Gurgel Motores S.A. a pedir concordata. O governo de Itamar Franco, em 1994, negou financiamento de 20 milhões de dólares (uma bagatela se comparado com o mais de  1 bilhão e 500 milhões de reais que custou o estádio Mané Garrincha em Brasília) e a empresa decretou falência. Governo que atrapalha e não ajuda dá nisso.

Não atoa é a queda da popularidade da governante de plantão, que caiu de inacreditáveis 77% em março do ano passado, para 57% em junho daquele ano (Fonte: http://noticias.r7.com/brasil/popularidade-de-dilma-cai-pela-primeira-vez-e-alcanca-o-menor-patamar-desde-janeiro-de-2012-09062013), e agora para míseros 30% segundo o Datafolha. Agora o ministro da saúde saiu dizendo que a queda é circunstancial. Mas os tombos vêm desde o ano passado e são muito grandes.

A presidentA Dilma é só um momento da história do Brasil que se repete desde os tempos que éramos colônia portuguesa (1500-1822). País exportador de pau-brasil, de cana-de-açúcar, de café, e mais recentemente de soja, carne, minério de ferro. As commodities que fazem a alegria capitalista no exterior que troca produtos de alta tecnologia e também vende projetos que exigem qualificação em ciência pelos tradicionais produtos agrícola e minérios de nosso país. Claro, também a soja e assemelhados produzidos com máquinas, defensivos e tecnologia de empresas estrangeiras, algumas de nomes difíceis de pronunciar.

A mentalidade de país ainda colonizado pode ser comprovada quando do anúncio das reservas de petróleo do chamado pré-sal. Do modo como foi saudado dá bem a dimensão dos pensamentos dos governantes e demais políticos. Discursos que se assemelham ao seguinte: “Com este produto extraído bruto da terra, teremos uma riqueza que jorra graças à mãe natureza tão cheia de dádivas a dar para nós. Oh querido Deus, te agradecemos por mais este presente quase inesgotável e que vai ajudar o Brasil a sair do atoleiro, melhorando a educação, a saúde e o Índice de Desenvolvimento Humano”.

Ivanor-ArtigosBastaria alguém lembrar que o pré-sal é nada se comparado com o Japão que, não tendo nada disso, soube educar seu povo, para que este fosse capaz de produzir e vender Corolla e Honda para os donos do petróleo. Lembrar isso faz com que toda a euforia em torno do petróleo brasileiro caia por terra.

Citei o Japão, poderia ter citado a Coreia do Sul e mesmo a China.

Particularmente eu, que gosto demais de meu País, trocaria dele apenas os governantes, e, ao invés de importar automóveis, importaria o jeito de governar dos países acima citados, pois, como apontou Garelli, do International Institute for Management Development (IMD): “O Brasil precisa ter um senso de direção e um bom plano de investimento e persegui-lo”, e isso depende muito mais do Estado Brasileiro e seus governos do que do povo que é vítima dos seguidos pileques desorientadores  dos que seguram a direção do País.

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