Médicos e médicos…; artigo do professor Marcus Fiori

2013-07-24T14:38:21+00:0024 julho, 2013|

Cubanos-Atestado-01[dropcap]M[/dropcap]eu amigo e jornalista em Porto Velho, Rubens Coutinho, publicou certa vez em rede social: “Eu sou a favor da vinda dos médicos cubanos. Sou a favor porque os médicos brasileiros só querem saber de encher o bolso e maltratam os pobres”. Agora, vou emitir a minha opinião sobre o assunto: “Eu sou a favor da vinda dos médicos cubanos. Sou a favor porque, salvo raras e honrosas exceções, os médicos brasileiros só querem saber de encher o bolso e maltratam os pobres”. Dito isso, aos fatos:

       O governo do PT lançou um plano para salvar a saúde brasileira. Por ele, fica introduzido no Brasil, pela primeira vez, o “serviço civil obrigatório”, ou seja, a exemplo da vida militar, qualquer pretendente a médico, a partir de 2015, tem de trabalhar, obrigatoriamente, para o SUS – leia-se: para o governo. A priori, isso é inconstitucional.

       O governo do PT quer trazer médicos estrangeiros à força. Começou ameaçando a população brasileira com os cubanos e terminou com os “médicos” de qualquer nacionalidade. Ok, tudo bem. Desde que se exija deles – cubanos ou não – os requisitos básicos constitucionais: amplo domínio da língua portuguesa e os conhecimentos médicos impostos para os profissionais tupiniquins. Se não for assim, nada feito!

       O governo do PT acha que o problema da saúde nos rincões do país é a falta de médico. Ignora a completa falta de estrutura do sistema de saúde do governo do PT. Não existem linhas apropriadas para sutura, não existe esparadrapo, não existem aparelhos de medir pressão, não existe material de limpeza, não existe enfermeira, não existe quadro técnico-administrativo, enfim, não existe nada. Como atrair um profissional médico para um local assim?

       Os médicos estrangeiros não conhecem a realidade brasileira. Uma vez um médico de Vilhena – coloco-o entre as raras e honrosas exceções citadas no parágrafo inicial deste artigo – me disse que, quando chegou em Vilhena, em 1988, pedindo emprego, perguntaram-lhe: “você sabe tratar a malária?”. O jovem doutor respondeu: “Sei sim. Malária se trata ‘assim’, ‘assim’ e ‘assado’”. O experiente profissional que o entrevistava disse que, desta forma, só funciona na academia. Em terras rondonienses a malária é tratada “assim”, assim” e “assado”. Totalmente diferente do que o jovem médico recém-chegado havia aprendido na academia carioca na qual havia estudado. “É assim que o tratamento de malária funciona em Rondônia”.

       Isso posto, vamos ao outro lado da moeda:

       O povo brasileiro investe muito na formação de médicos. Sem dúvidas, é o profissional mais caro financiado por nós, brasileiros. Uma vez formados, eles não nos dão a devida contrapartida ao povo que o financiou.

       A demanda por serviços de saúde no Brasil é muito grande. Por esse motivo, o médico brasileiro – salvo raras e honrosas exceções – se colocou na mira de tiro da lei de mercado: quanto a maior a procura, maior o preço. O médico nacional, em regra, não está nem ai para o serviço público de saúde. Ele se volta totalmente para a rede privada. O serviço público é para ele, um bico.

       O médico brasileiro é o profissional mais bem pago do país. Muito cedo ele fica rico e, por esse motivo, muito cedo ele diversifica suas atividades, deixando a atividade médica para segundo plano. Nós, pobres mortais, vemos com frequência médicos cuidando de suas fazendas, de seus bois. Enquanto isso, perecemos nas filas de hospitais.

Marcus-Fiori-Artigos

      Médicos do interior se reúnem em associações típicas da idade médica – as corporações de ofício – e lutam freneticamente pelos seus direitos e monopólios, de forma que quem vem de fora não se sente bem recebido. Com isso, garante-se os ganhos dos que estão na área, a despeito dos que necessitam dos serviços de saúde.

       Médico mal intencionado manda internar quem não precisa de internação; manda operar quem não precisa operar; manda examinar quem não precisa de exames. Médico mal intencionado pensa na sua próxima viagem internacional, na sua próxima fazenda, no seu próximo carrão do ano, na sua próxima mansão, na sua próxima chácara, enfim… o médico mal intencionado – infelizmente a maioria – não está nem aí para os pobres. Para eles, “dane-se o juramento de Hipócratres”. Por isso criou-se em Vilhena a denominação: “a máfia de branco”. Infelizmente, médicos de outras nacionalidades poderiam ser essenciais para conter a ganância dos médicos brasileiros – chaga que só faz mal para a saúde do pobre brasileiro.

One Comment

  1. jussara 20 agosto, 2013 at 10:30 am

    faço minhas suas palavras professor ,sou tão descepcionada com a classe que mal consigo encentivar meu filho que faz mediciana ,peço a ele todos os dias que seja diferente pois é um homen temente a Deus ,que faça com que apareça a semelhança do criador em sua atitudes e ações, que trate o ser humano com respeito,estes hospitais públicos nos tratam como se estivessem fazendo nos um favor ,que vergonha tenho eu em falar no SUS ,mas infelismente não são só os medicos que nos tratam com descaso, ,a maioria dos profissionis da saúde ,tem a satisfação de tratar os cidadão como se fossemos a pior especie dos animais ,por que até os cachorros ,não que eu ache que devam ser tratados mal, gosto muito dos animais ,mas se eu levo meu cachorrinho na clinica veterinaria saio satisfeita com o atendimento ,de contra partida quando levo minha filha volto chorando para casa sem saber o que fazer pois os ” ditos profissionais da saúde” conseguem aplicar uma injeção de agua destilada e mandar embora. fica minha indignação e meu apoio a sua idéia de repudia.

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