Os donos do poder: Rondônia; artigo de Ivanor Luiz Guarnieri

2013-07-01T15:44:28+00:0026 março, 2013|

[pullquote]Poder é a capacidade de impor a própria vontade sobre os demais. Como ensina Norberto Bobbio, famoso teórico da Política, o poder se exerce em três grandes esferas.[/pullquote]

[dropcap]A[/dropcap] esfera do poder econômico, pelo qual alguém tendo capital impõe aos despossuídos sua vontade. Nesse caso, principalmente, fazendo valer sua voz e ser obedecida, colocando os demais para trabalhar para si. Para coibir abusos que poderiam inclusive gerar revolta nos trabalhadores, foram criadas as leis trabalhistas. As pessoas em geral pensam que tais leis servem para proteger os empregados. Estão certos quanto a isso, mas as leis vão além dessa proteção, pois que ao mesmo tempo em que protegem, de algum modo, também enquadram dentro do sistema. O trabalhador aceita com certo contentamento o cumprimento da Lei, mas não percebe que com isso não se revoltará contra o sistema que o coloca como um despossuído do capital, levado a produzir riqueza para outrem, com o benefício de conservar sua própria vida e família para gerar novos empregados. Em síntese, a Lei que protege o trabalho também protege o capital.

lideranca-481Outra esfera de poder é o do conhecimento. Nesse caso a dependência de determinado saber coloca as pessoas na submissão aos donos do conhecimento. Em tempos como o atual, no qual desenvolvimento e produção de riqueza tem um nome chamado tecnologia, o conhecimento tornou-se moeda forte na barganha por poder e obediência. Não há tecnologia sem ciência e essa custa caro. No plano internacional os Estados Unidos estão na frente em produção de C&T- Ciência e Tecnologia, com suas universidades colocadas nos primeiros seis lugares do ranking, com Harvard em primeiro. Como é que se faz isso? Bem, o diretor da biblioteca da universidade Harvard, professor Robert Darton, informou outro dia no Programa Roda Viva que só em livros esta universidade investe anualmente US$ 20 milhões. Pode se ter uma ideia de como eles valorizam os saberes por aquelas bandas americanas. Quanto ao Brasil… Bom, é melhor mudar de assunto, apenas lembrando que tais assuntos caberiam em uma enciclopédia e aqui a intenção é apenas pontuar algumas ideias.

A terceira esfera do poder é o poder político. A característica exclusiva desse é o monopólio da força. Somente o Estado pode ter força militar e jurídica para impor a todos o cumprimento da Lei e a manutenção da ordem.

A questão é que os países, estados e municípios estão divididos em grupos políticos rivais. Os partidos políticos e as coligações políticas procuram vencer as eleições com o objetivo principal de dividir os cargos entre si. Determinado político, uma vez eleito representa a constelação política da qual faz parte, e deve (se possível sem menosprezo ao povo), atender os interesses dessa constelação política da qual faz parte.

Os cargos então são divididos antes mesmo de a eleição acontecer. Caso a chapa se eleja já se sabe de antemão quem ocupará tal e qual cargo. Ou pelo menos os cargos mais importantes. A decisão sobre tais coisas depende dos arranjos internos do partido, ou dos partidos de apoio ao eleito. De quem ajudou na campanha, para ter o direito de indicar pessoas para os cargos mais rendosos do Estado, afinal poucos irão querer cargos que não permitam nomear assessores em outros cargos, onde haja boa irrigação de verbas públicas para atender as  diferentes demandas.

Os arranjos são internos ao partido, mas os partidos têm seus chefes políticos. Tais chefes nem sempre aparecem no noticiário, podendo ser grandes empresários ciosos em cuidar dos interesses de suas empresas e sabedores de que a política é um meio importante de proteção e de aumento do próprio capital.  Estar próximo dos centros de decisão ajuda a conseguir informações sobre investimentos, a fazer bons negócios com o Estado e, quem sabe até vicejando à sua sombra. Dentro da Lei tudo pode, e esse é o limite.

Para o público desatento parece que quem manda é o governante de plantão. Isso é verdadeiro até certo ponto, pois que os políticos são deslocados dos cargos a cada quatro anos e seu poder de decisão esbarra nos interesses do próprio grupo político do qual faz parte. É seu nome que está na berlinda sempre e aparece como o grande culpado pelos desacertos que acometem a coletividade.

Ivanor-ArtigosSeria interessante que a imprensa começasse a jogar luz sobre o lado menos visível do corpo político. Veria então que o que parece um desacerto do governante não é uma causa, mas antes consequência do modo como é feita a política. Grupos poderosos que sonegam impostos e não admitem ser investigados, que ocupam postos chaves no governo e em certo sentido contrariando o próprio desejo pessoal do governante que está preso nessa arapuca. Caso se oponha poderá ver seu governo se desestabilizar pela falta de apoio dos que de fato mandam na política, e procuram com diligência aumentar seu poder político e econômico, com o propósito último de mandar nas pessoas. Convenhamos que tal desejo, o de mandar nos demais, acumulando poder, acompanha o homem desde os tempos primitivos. Isso não é errado, errado e não querer enxergar como as coisas se fundamentam. Nesse sentido, talvez o atual governador de Rondônia tenha errado em nomear o atual chefe do DETRAN, e atual vice-governador. Mas talvez ele não tivesse como não nomear.

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