SES; artigo do professor Ivanor Luiz Guarnieri

2013-10-16T16:00:19+00:0016 outubro, 2013|

Chega de reclamar que a vida não presta. O Ser Humano é eterno reclamador e parece lembrar a todo o momento o ditado segundo o qual quem não reclama não ganha. Claro que o ditado popular é dito com outras palavras, “quem não chora…”, mas evito usar chavões aqui.

“Observe ao seu redor quantas pessoas estão pior que você”, é o que se costuma dizer quando alguém reclama. Grande verdade. Há milhões passando fome na África, desculpe, no Brasil mesmo há muitos em apuros. Por outro lado há muitos vivendo bem, se desenvolvendo e você leitor bem poderia estar no  grupo dos afortunados. Ok, sabemos que o Céu nos espera, aos sofredores, mas será que não vai ter um lugarzinho para os afortunados na terra quando eles morrerem? A morte é uma incógnita e não querer esperar para ver implica desejar viver bem desde já. A vala comum chamada túmulo, para o qual iremos todos não é desculpa. Se a morte iguala a todos, enquanto vivemos alguns estão se dando bem.

Quem não está se dando bem é o SES. Ao menos não como deveria. O SES é lembrado todo dia, em quase todos os discursos, e lembrado por gente dita importante. Os discursos são mais ou menos do seguinte modo: “A prioridade é o SES”. “Se eleito vou cuidar do SES”. “Estamos trabalhando em favor do SES”. “As verbas serão destinadas para o SES”. Bem, essas são algumas das inúmeras frases e discursos destinados ao SES. Mas para o SES pouco ou nada.

Talvez você esteja se perguntando o que é o SES. Você o conhece mais do que imagina, só não foi revelada ainda a identidade do mesmo. Pois vá lá. O SES  – Segurança Educação Saúde. Morta a charada não precisa nem dizer como o SES, que poderia ser Saúde Educação Segurança tem estado meio adoecido. A educação precisa aparecer no meio, senão não dá SES, mas não significa que seja de fato central nas ações governamentais. Muito menos de interesse para a maioria da população. Há um interessezinho, mas não é nada comparado à atenção que se dá para outras coisas, como os campeões: futebol, sexo e dinheiro.

Outro dia o Senado Federal realizou debate presidido pelo Senador Fernando Collor de Melo. O assunto era educação e desenvolvimento do País. Ozires Silva participação do debate, o representante da Fundação Lemann também e mais gente, claro. O desânimo se abateu sobre os debatedores quando questões simples relacionadas à educação brasileira vieram à tona. Coisas como: por que o Brasil tem 4 horas de aula por dia e os países que contam têm 6 a 7 horas de aula? Por que no Brasil há falta de professor e há também falta do professor? Isto é, não só faltam professores habilitados e que conhecem a matéria. Ou seja, há  improvisos com professores formados em uma área dando aula sobre outra matéria, o que obriga o professor a estudar de tarde para dar uma aula mixa a noite. Não é culpa do professor, muitas vezes “convocado” a fazer esse trabalho senão o sustento da família (leia-se perseguição, desemprego, reprovação em estágio probatório e outras armas-ameaças) ficará comprometido. O professor é igual ao aluno: vítima do modo como a desorganização educacional brasileira está organizada. E a falta do professor? Ah sim, em São Paulo, a média de faltas do professor é de 30 dias ano, em razão de saúde, ou da falta dela, com atestado, esgotamento físico e mental, etc.

Além disso, as míseras 4 horas de aula dia são aproveitadas menos do que se deveria, já que uma parte é avisos da direção, outra preparação para festas, outra de atividades recreativas, e outras e outras… De conteúdo mesmo, aula mesmo, daquelas como professor ensinando e aluno aprendendo, sobra menos do que é desejável. Não me acusem, deem uma olhada em http://www.youtube.com/watch?v=oossqhCCgd4, onde está reproduzido o debate do Senado.

E os professores, que alguns engraçadinhos costumam acusar pelos problemas da educação, bastaria lembrar o que fez a Coreia do Sul, que, segundo ainda os debatedores no Senado, tomou uma decisão importante anos atrás, definiu em lei que nenhum servidor público poderia ganhar mais que o professor. Imagina isso no Brasil. Vamos pegar assim, salários em torno de R$ 22.000,00 de juízes, ou quem sabe da Presidenta Dilma, que é a maior servidora pública. Vá lá, ela nem é concursada, voltemos aos concursados, os desembargadores, já pensou leitor? Os cursos de licenciatura seriam os mais procurados.

Ivanor-ArtigosOutro dia um Tonto disse para mim: aquele médico só quer dinheiro! Eu perguntei se ele próprio não queria também. Claro que não perguntei assim mal educadamente, mas no fundo é isso. Professor, médico e policial, não deveria querer ganhar mais, já que são “sacerdócios”. Com essa mentalidade queimando a cabeça do povo o SES não terá a atenção merecida nunca. E então nada para o SES. Continua a greve no Rio já que dinheiro para o SES não há, só para o campeão: Futebol e suas magníficas arenas. Que as escolas se deteriorem. Viva Brasil! Sexta economia do mundo e 83º em educação.

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