Variações sobre o livro; artigo do professor Ivanor Luiz Guarnieri

2013-12-05T09:56:36+00:0005 dezembro, 2013|

livro-velhoO cheiro gostoso da tinta fresca eram motivo de orgulho para pais preocupados com o futuro dos filhos. O livro novo, aberto e folheado para degustar o sabor das páginas impressas fazia o contentamento da garotada nos primeiros dias de aula. Estudar os livros já era outra coisa. Sem dúvida a textura, o peso, a cor das páginas o tipo de letra são elementos insubstituíveis. Mas o mundo precisa mover-se, morre o velho para dar lugar ao novo, que, ao menos em aparência, parece melhor e se não for melhor, volta-se rapidinho ao velho.

O livro, esse magnífico amigo que fica meses quieto na prateleira, e no momento seguinte está disposto a dizer o que tem dentro dele, bastando para isso ser aberto. Os que aprenderam a dialogar com eles, e saber suas variadas línguas, isto é, a da filosofia, da história, da matemática, ou outra ciência sobre a qual os livros versam, estará mais bem preparado para os dissabores da vida. Prova disso? Não tenho nenhuma, não senhor, mas é curioso atentar para o fato de que, na média, os estudiosos vivem mais que os outros homens.

Esses danados desses livros, bem poderiam ter nos deixado melhores como pessoas. Mas, sei não. Tenho minhas dúvidas ao observar alguns letrados. Alguns parecem serem mais sutis em suas maquinações, só isso. Outros homens se tornaram melhores com os livros, talvez, mas isso depende muito do tipo de livro. Até a Maitê Proença (que Deus a abençoe) tem escrito livro. Ah esses livros. Em geral os fáceis não servem para nada ou menos que nada, já que dizem coisas tolas atolando os leitores na mediocridade, os que são úteis para pensar são difíceis, a gostosura e a utilidade são raras de encontrar num mesmo lugar.

Sem contar o leitor, orgulhoso com seu livro sob os olhos, às vezes quer ler apenas o que já sabe. O livro diz uma coisa, mas a interpretação vê outra bem diferente. A querida Bíblia Sagrada, o Livro dos livros tem histórias e ensinamentos de milhares de anos atrás, mas as interpretações sobre ela são das mais variadas como você facilmente pode comprovar.

De algum tempo tem uma conversa no ar, a de que o livro vai acabar, ao menos em sua forma atual, de papel colado e tinta impressa. Claro que vai, afinal o livro nem sempre foi assim. Quando D. Paulo Evaristo Arns estudava a história do livro, deparou-se com São Jerônimo. Este homem instigante criou a forma do livro como o conhecemos.  Isso ainda no mesmo tempo de Santo Agostinho. Jerônimo viveu no século V, ou mais precisamente de 347 a 420 depois de Cristo.  O livro de D. Paulo chama-se “A técnica do livro segundo São Jerônimo” e é um banho de cultura sobre como as coisas foram feitas naquele tempo longínquo e ainda se derramam sobre nós. Coisas sobre o papiro, o estilete, a costura, e muito mais são explicitadas nesta obra.

Ora, fazer livro sempre foi uma arte que se modificou com o tempo. Dos rolos de papiro, ao corte e costura de Jerônimo, da escrita manual até a tipografia. Da utilização de máquinas que aceleraram o processo de produção de livros, barateando o custo e difundindo ideias, é inelutável que ele se transforme e melhore.

Se você quiser poderá ler notícias no site Rondônia Em Pauta, pesquisar na internet, baixar livros gratuitos, como no www.dominiopublico.gov.br. Poderá ler e selecionar textos de estudo, entre outras mil atividades. Tudo isso preparando e treinando os leitores para uma nova maneira de editar livros, que são os famosos e-books.

Ivanor-ArtigosJosé Midlin, dono da maior biblioteca particular do País, pouco antes de falecer em 2010, confirmou em entrevista sua satisfação com o chamado livro eletrônico.  Ora, pois, se o homem que entende da maçada estava confortável com o novo formato dos livros, então para mim está bem.

Tão ou mais importante que o formato é o conteúdo e é a leitura. Um livro é bom pelo que ele diz e ensina. Se ele ensinar coisas proveitosas do ponto de vista da ciência e do saber e se a leitura souber aproveitar isso, venham novas formas sem problema. Mas se o conteúdo for ruim e a leitura equivocada, não há forma de livro que dê jeito.

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