Vilhena está em crise. Crise econômica. Crise grossa. Crise de verdade. Ao contrário da propaganda oficial – onde tudo parece um mar de rosas –, a Vilhena real patina. Comerciantes estão sufocados. Trabalhadores estão perdendo empregos. Os desempregados não conseguem colocação. Lojistas estão fechando as portas. O centro comercial da cidade é uma verdadeira exposição de prédios fechados. A última indústria significativa a se instalar em Vilhena foi a Móveis Portal. Isso foi para lá de 12 anos atrás. De lá para cá nada mais aconteceu nesse campo.

Pelo contrário! Vilhena perdeu indústrias nos últimos anos. Pessoas sérias idealizaram o chamado “frigorífico de frango”. A prefeitura interveio, não cumpriu a sua parte no acordo, e lá se foram as nossas aves e, com elas, os nossos empregos. Os governos – federal, estaduais e municipais – deveriam ser indutores do desenvolvimento. No nosso caso, não é.

A crise econômica é mundial, mas tem países que passam incólumes por ela. É o caso dos “Tigres Asiáticos” (Hong Kong, Coréia do Sul, Taiwan e Singapura). É o caso também dos países nórdicos (Suécia, Noruéga e Finlândia). É o caso de outros países europeus.

E tem estados brasileiros que também passaram incólumes pela crise mundial. Mato Grosso, por exemplo, enquanto o mundo definhava, crescia a taxas superiores à da China. Muitas cidades igualmente ignoraram a tal da crise econômica. Exemplos? Vamos a eles:

Sorriso (MT), Lucas do Rio Verde (MT) e Primavera do leste (MT). Essas cidades ignoraram a crise. São José do Rio Preto (SP) também. Maringá (PR) idem. Mas não precisamos ir longe. Cacoal se tornou o espetáculo do crescimento. Ji-Paraná se transformou num verdadeiro canteiro de obras da indústria. Ariquemes é pura exuberância. E Vilhena?

O setor industrial de Vilhena virou um bairro residencial – tem muito mais casas do que empresas. Não se abre indústrias aqui porque não se aproveitam dos benefícios fiscais destinados aos estados e municípios amazônicos. Não é possível aferir se as autoridades locais têm conhecimento de tais benefícios. As lojas estão se fechando na Major, na Melvin, na Paraná. Qual é o problema, se a cidade está crescendo, de acordo com o IBGE?

No último censo, Vilhena ultrapassou os 87 mil habitantes, deixando para trás Cacoal, com seus 86 mil habitantes. E qual é o mérito nisso? Sinceramente, nenhum. Isso indica apenas um crescimento horizontal e desordenado, certeza de problemas estruturais a curto prazo. Vilhena hoje tem 16 quilômetros de ponta a ponta. Tem bairros onde a prefeitura tem de fazer a coleta de lixo para atender a meia dúzia de casas. A liberação de loteamentos foi desordenada. Cerca de 53 mil terrenos foram colocados à venda na gestão do atual prefeito. Isso endividou as famílias e tirou o dinheiro de circulação. O pouco capital que sobrou se destina à construção civil – o único setor que não tem do que reclamar em Vilhena.

Marcus-Fiori-ArtigosÉ fato que um governo pode impulsionar o crescimento em sua região. Para isso, basta ser sério. Uma das chagas das maiorias dos governos é a corrupção. O dinheiro da corrupção é concentrado em mãos de poucos. É um dinheiro que “foge” para não deixar rastro – tem de ser “lavado”. É um dinheiro que sai da cidade, portanto, não circula em sua praça de origem. Por fim, é um dinheiro que deixa de ser investido localmente em saneamento, educação, cultura, asfaltamento, habitação, etc., etc., etc. …

Enquanto Vilhena figura em Rondônia como um elemento periférico e subsidiário no jogo capitalista estadual, vemos outras cidades partirem da fase do “arranco” ou “decolagem” (nas palavras do economista norte-americano W. W. Rostow) para a maturidade, preparando-se para a fase final do desenvolvimento: a do consumo em massa. E nós, vilhenenses, ficamos aqui em nossa letargia, vendo o bonde passar, vendo o futuro passar, e nos atrelando sempre ao presente e com olhos voltados a um passado de muitas glórias, mas não percebendo que é passado.

É a vida!

[print-me]