Vilhena depressão; artigo do professor Marcus Fiori

2013-10-17T11:49:49+00:0017 outubro, 2013|

Vilhena está em crise. Crise econômica. Crise grossa. Crise de verdade. Ao contrário da propaganda oficial – onde tudo parece um mar de rosas –, a Vilhena real patina. Comerciantes estão sufocados. Trabalhadores estão perdendo empregos. Os desempregados não conseguem colocação. Lojistas estão fechando as portas. O centro comercial da cidade é uma verdadeira exposição de prédios fechados. A última indústria significativa a se instalar em Vilhena foi a Móveis Portal. Isso foi para lá de 12 anos atrás. De lá para cá nada mais aconteceu nesse campo.

Pelo contrário! Vilhena perdeu indústrias nos últimos anos. Pessoas sérias idealizaram o chamado “frigorífico de frango”. A prefeitura interveio, não cumpriu a sua parte no acordo, e lá se foram as nossas aves e, com elas, os nossos empregos. Os governos – federal, estaduais e municipais – deveriam ser indutores do desenvolvimento. No nosso caso, não é.

A crise econômica é mundial, mas tem países que passam incólumes por ela. É o caso dos “Tigres Asiáticos” (Hong Kong, Coréia do Sul, Taiwan e Singapura). É o caso também dos países nórdicos (Suécia, Noruéga e Finlândia). É o caso de outros países europeus.

E tem estados brasileiros que também passaram incólumes pela crise mundial. Mato Grosso, por exemplo, enquanto o mundo definhava, crescia a taxas superiores à da China. Muitas cidades igualmente ignoraram a tal da crise econômica. Exemplos? Vamos a eles:

Sorriso (MT), Lucas do Rio Verde (MT) e Primavera do leste (MT). Essas cidades ignoraram a crise. São José do Rio Preto (SP) também. Maringá (PR) idem. Mas não precisamos ir longe. Cacoal se tornou o espetáculo do crescimento. Ji-Paraná se transformou num verdadeiro canteiro de obras da indústria. Ariquemes é pura exuberância. E Vilhena?

O setor industrial de Vilhena virou um bairro residencial – tem muito mais casas do que empresas. Não se abre indústrias aqui porque não se aproveitam dos benefícios fiscais destinados aos estados e municípios amazônicos. Não é possível aferir se as autoridades locais têm conhecimento de tais benefícios. As lojas estão se fechando na Major, na Melvin, na Paraná. Qual é o problema, se a cidade está crescendo, de acordo com o IBGE?

No último censo, Vilhena ultrapassou os 87 mil habitantes, deixando para trás Cacoal, com seus 86 mil habitantes. E qual é o mérito nisso? Sinceramente, nenhum. Isso indica apenas um crescimento horizontal e desordenado, certeza de problemas estruturais a curto prazo. Vilhena hoje tem 16 quilômetros de ponta a ponta. Tem bairros onde a prefeitura tem de fazer a coleta de lixo para atender a meia dúzia de casas. A liberação de loteamentos foi desordenada. Cerca de 53 mil terrenos foram colocados à venda na gestão do atual prefeito. Isso endividou as famílias e tirou o dinheiro de circulação. O pouco capital que sobrou se destina à construção civil – o único setor que não tem do que reclamar em Vilhena.

Marcus-Fiori-ArtigosÉ fato que um governo pode impulsionar o crescimento em sua região. Para isso, basta ser sério. Uma das chagas das maiorias dos governos é a corrupção. O dinheiro da corrupção é concentrado em mãos de poucos. É um dinheiro que “foge” para não deixar rastro – tem de ser “lavado”. É um dinheiro que sai da cidade, portanto, não circula em sua praça de origem. Por fim, é um dinheiro que deixa de ser investido localmente em saneamento, educação, cultura, asfaltamento, habitação, etc., etc., etc. …

Enquanto Vilhena figura em Rondônia como um elemento periférico e subsidiário no jogo capitalista estadual, vemos outras cidades partirem da fase do “arranco” ou “decolagem” (nas palavras do economista norte-americano W. W. Rostow) para a maturidade, preparando-se para a fase final do desenvolvimento: a do consumo em massa. E nós, vilhenenses, ficamos aqui em nossa letargia, vendo o bonde passar, vendo o futuro passar, e nos atrelando sempre ao presente e com olhos voltados a um passado de muitas glórias, mas não percebendo que é passado.

É a vida!

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9 comentarios

  1. jUNIOR DOS SANTOS 17 outubro, 2013 at 12:26 pm

    O AUTOR ESTÁ SENDO INJUSTO, VILHENA ESTÁ EM FRANCA EXPANSÃO É SO OBSERVAR O SETOR HOTELEIRO. O PREFEITO QUE O DIGA, INVESTIU MAIS DE DOIS MILHÊS EM UM. ISTO TAMBÉM INDICA QUE O SETOR DE VAREGISTA TAMBÉM SE DESENVOLVE ELE TERIA ESSE DINHEIRO DO SEU MERCADO, MERCADO ROVER. O PESSOAL É QUE TEM INVEJA.

  2. Whait 17 outubro, 2013 at 5:50 pm

    Não vejo injustiça nenhuma…. acho que o texto está coerente. De que adianta apenas um setor, no caso o Hoteleiro, crescer?
    De onde sai a ideia que o varejista crescer junto?
    Hoteis sempre deram dinheiro… olhe por exemplo, o Hotel Stª Rosa e os hoteis próximos a rodoviária. Se Vilhena tivesse crescendo como se deve(ria) não veríamos a quantia de casa postas a venda. Esse aumento no setor imobiliário não é bom(salvo para as imobiliárias).
    Pergunte -se porque o povo está indo embora? Pela lógica é que se realmente tivesse bom, viriam mais pessoas e não sairiam mais .
    Conheço pessoas bastantes aptas para o mercado, mas não há vagas….
    como conheço pessoas que tem nível superior e estão desempregadas….ou recebendo apenas um salário mínimo, que não compensa os anos de estudos investidos.
    E os concursos públicos sempre sinistros e suspeitos? Não é que Vilhena seja ruim, mas que ela não está as mil maravilhas, isso ela não está mesmo. E se torna pior ainda quando tem gente que acha o contrario.
    Só sentira o problema quando você passar por ele. E não, não é inveja….é a realidade! goste ou não!

  3. Carlo 17 outubro, 2013 at 8:56 pm

    Semana passado conversando com um empresario que tem negócios em Cacoal e Ariquemes, e a mesma choradeira… A horta do vizinho é sempre mais verde que a nossa…

  4. Marcus Fernando Fiori 17 outubro, 2013 at 10:36 pm

    rsrsrsrs… a ironia foi ótima, Júnior dos Santos…

  5. Marcus Fernando Fiori 17 outubro, 2013 at 10:38 pm

    Whait, você está certa. Infelizmente é essa a realidade da nossa cidade. E é bom que não nos deixemos enganar pela propaganda, pois ela é enganosa e nos induz a comprarmos gato por lebre.

  6. Francisco Emanoel Silveira 18 outubro, 2013 at 12:27 am

    Os pessimista só os defeitos, os otimistas as oportunidades.

    Segundo dados do Sebrae, a cada 10 pequenas empresas abertas 4 fecham suas portas antes de um ano de vida, os empreendedores normalmente não conhecem o mercado e muito menos seus produtos, formula fundamental para o sucesso de uma empresa.

    Vilhena saiu de 76.400 habitantes para 87 mil, isto é fato e o comercio vem a reboque, temos quase 6 mil municípios em todo o Brasil e cada prefeito e secretário de industria e comercio quer que empresas e industrias venham para seus respectivos municípios. Aqui não é diferente, nosso país vive um momento de readequação de seus orçamentos, pois o comercio gira em torto da prefeitura, se ela vai bem o comercio vai bem se ela agoniza o comercio demite. Os repasses estaduais que consequentemente também recebe repasses federais é a economia dos arranjos locais “5%” é muito pouco, ainda dependemos de repasses estadual. Vilhena é um município diferenciado, temos 100% de água, temos uma cidade arborizada, temos o melhor IDH do estado sem fala num clima super agradável, políticas públicas de melhoria da cidade acontecem com um planejamento urbano e vários projetos federias acontecendo e modificando a paisagem de Vilhena, varias ruas sendo asfaltadas bairros sendo transformados com isso moradores melhorando suas calçadas, pitando sua frente e o comercio faturando.
    Melhoria com câmeras de seguranças com parceria com a Associação Comercial de Vilhena é uma avanço em nosso município.
    Tudo isso para dizer que nosso comercio acresce na mesma proporção, lojas fechadas não é comum mais faz parte de lojas crescendo indo para um instrutura melhor e fechando em seu antigo endereço, fazer estatística andando pela Rua Major Amarantes não embasamento cientifico.

  7. Marcus Fernando Fiori 18 outubro, 2013 at 8:36 am

    Meu caro Emanoel, você vê o que ninguém vê, ou vê mas não enxerga. Você vê até Vilhena como uma cidade arborizada, coisa que ela definitivamente não é. Você vê asfalto, mas não cita que eles são feitas com recursos do Estado, e não do município. O IDH de Vilhena é um fato, mas é uma conquista antiga, e não da atual administração. Políticas públicas? Me desculpe, mestre, mas não existe isso em Vilhena. Manter as calçadas limpas? Isso é uma tradição dos moradores da cidade, que trouxeram o hábito do sul do Brasil – não vai querer creditar isso também ao Zé Rover, certo? Fechamento de lojas na principal avenida comercial da cidade – e nas demais também – pode não ser um dado científico, mas é um indicador claro, uma evidência científica, de que as coisas não vão tão bem como nos quer fazer acreditar a propaganda oficial. A ciência se faz também sobre evidências, e não apenas sobre dados comprovados, claro que você sabe disso. Principalmente quando se trata de ciências sociais. Só posso concordar com uma coisa do que você escreveu: Vilhena realmente tem um clima super agradável. PS. O clima bom não é obra do Zé Rover, ok?

  8. Maria R. Gabriela 18 outubro, 2013 at 12:16 pm

    O que me pergunto Marcus é por que a classe empresarial se cala? Não lembro de ter visto nenhuma iniciativa de entidades nesse sentido. E outra: qual o papel dos loteamentos que invadiram a cidade nestes dois processos – o de expansão populacional e de decadência econômica?
    Com certeza, este é um grande artigo, revelador e que serve de alerta à população e aos devidos governantes.
    Parabéns!

  9. Whait 23 outubro, 2013 at 11:57 am

    Acho equivocado dizer que avanço é melhoria. O termo avançar pode ser entendido e serve para as coisas boas e ruins.

    Realmente a ACIV faz bastante pela cidade. Mas uma andorinha só, não faz verão.
    Maria R Gabriela comentou uma coisa muito importante… os loteamentos. Eles são uma parte significativa no problema econômico. Lembre-se que o caos mundial se iniciou devido a crise imobiliária nos EUA, e o que estamos passando é somente um reflexo distante do que foi e ainda é aquele problema.

    Pois investimento em terrenos necessita planejamento e cautela. Se eu não me engano os donos dos loteamentos não moram aqui, então o dinheiro bruto não volta pro município, o que volta são os impostos cobrados pela PMV e que só geraram lucro a longo prazo… então logicamente sai muito dinheiro a curto prazo com o retorno a longo prazo.

    Não é só Vilhena que está ruim, mas não me importa outros municípios, afinal eu não moro em outro lugar. O estado vem sendo mal administrado, subsequentemente os municípios também.

    Não temos mais políticos que realmente visam o beneficio geral, mas apenas o de si próprio. Não importa ele quem seja…. basta ter um cargo publico que é automaticamente corrompido pelo vicio, não há como mudar…. pelo menos, eu não vejo um saída e isso é desesperador. Seja Rover, Melki, Marlon, Heitor… não importa. Vide o exemplo do srº Rover, que comprou um hotel por 2 milhões aposto que nenhum dos que aqui comentam, incluindo me nessa, não disponham desse valor em conta, bens ou imóveis.

    Mas enfim…
    Caro Marcus, o nome Whait é um pseudônimo e no caso, sou homem.
    Espero que continue tentando deixar as pessoas ciente dos problemas que muitos não querem ver….

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