Você acredita? Artigo do professor Ivanor Luiz Guarnieri

2013-07-16T17:12:38+00:0016 julho, 2013|

Machado de Assis em uma de suas obras usa a expressão “colóquio flácido para acalentar bovino” quando se trata de conversa mole para boi dormir. É o que os ouvidos do povo mais driblado da história têm ouvido desde muito tempo na República da Nação Tupiniquim.

corte-verbas-educacao-dilma[pullquote]Em Ponta Grossa a Senhora que caiu mais uma vez na preferência nacional e atende pelo chamado de Presidenta fez uma fala que merece elogio, de que “Esse País pode ser uma das grandes potências, mas precisa garantir melhor educação”. (fonte: http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/dilma-diz-que-pa%C3%ADs-precisa-fazer-mais-por-educa%C3%A7%C3%A3o)[/pullquote]

[dropcap]F[/dropcap]azer mais pela educação não significa fazer mais pelos que estão envolvidos pela educação, a saber, os professores e os alunos. Foi necessária uma greve gigantesca das universidades federais que trouxeram, depois de longo desgaste, reajuste nos salários, já devidamente corroídos pela inflação, cujos índices são suspeitos de arranjos. Suspeitos eu disse, só isso. Mas as compras da semana no supermercado obrigam a deixar mais dinheiro por menos mercadoria e não adianta reclamar dos supermercadistas, já que o dito ‘custo Brasil’ está saindo caro. A reposição das aulas estrangulou férias dos alunos e colocou velocidade nos trabalhos num lugar onde se deveria privilegiar o estudo e a pesquisa com cuidado. Como na pressa se tropeça cumpre-se o trabalho com um esforço a mais.

É preciso fazer mais pela educação, a Presidenta tem razão. Ela lembrou ainda no evento em terras paranaense que aumentou o número de universidades e institutos federais. Atitude louvável sem dúvida. Além disso, está nascendo mais uma universidade federal em Rondônia, com sede em Ji-Paraná. Se tudo der certo a Presidenta virá proferir discurso de anúncio desta instituição superior federal por essas terras daqui a alguns meses. Seguramente repetirá que é preciso fazer mais pela educação, com o que todos parecem concordar.

Então que tal começar contratando secretárias e técnicos? Não é pedir muito, mas com poucos professores e sendo cobrado destes que façam trabalho burocrático a qualidade da pesquisa (quando há), e das aulas só faz perder-se.

Que bom se fossem apenas na universidade federal de Rondônia. O problema é grave em muitos lugares do País dirigido pela Presidenta. Na falta de técnicos para realizar o serviço são distribuídas Ordens de Serviço em grande quantidade para que os professores cumpram-nas. Alguns são desvios de função, mas não tem jeito, senão a universidade não caminha. O aluno que não faz a menor ideia das dificuldades dá-se por satisfeito se tem professor em sala ensinando alguma coisa. Alguns só chiam quando a nota é baixa, ou se descuidadamente percebem que estão reprovados por falta. Mas como não pagaram nada a reclamação não é tão contundente. As reclamações são mais uma quantidade de aborrecimentos que desestimulam o trabalho docente.

Como o salário mínimo no Brasil pode ser chamado de ‘vergonha nacional’, trabalhadores que assistem aula acham o salário de pouco mais de 4 mil uma exorbitância e não entendem do que reclamam os professores. Quando os professores comparam seus vencimentos com de outros funcionários federais, 2 ou 3 vezes maior, bastando ter ensino superior na área, os desavisados ainda insinuam que os professores deveriam trocar de profissão, como se isso fosse fácil a certa altura da vida.

Enfim, da boca de político e de candidata à reeleição se ouve que é preciso valorizar a educação, o que não quer dizer valorizar os profissionais da educação. Estes parecem ser treinados no cotidiano da escola para ouvir desaforo de aluno que não recebe educação em casa. Queixas de alguns pais que acham que a professora é sua empregadinha e se dão o direito de reclamar que a professora não consegue educar, e por isso o filho tem mau comportamento.

A pergunta do artigo é uma dúvida, pois é difícil acreditar na sinceridade das palavras proferidas para agradar o grande público, mas de difícil execução. Quando a Presidenta afirma que “o País precisa fazer mais pela educação”, alguém poderia dizer que o governo precisa fazer mais e melhor pela melhoria das condições de ensino e aprendizagem em suas próprias escolas.

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