Dez anos depois do lançamento, a SDO aproximou a comunidade científica da compreensão do Sol e do espaço

A superfície do Sol arde a mais de 5500 °C Solar Dynamics Observatory/Nasa

Neste mês, uma sonda da Nasa chamada Solar Dynamics Observatory (SDO), cujo objetivo é estudar o Sol, completa dez anos no espaço. Ao longo da última década, a SDO compilou milhões de imagens da estrela e proporcionou dados que permitiram que cientistas realizassem diversas descobertas.

Um ano após o lançamento, que ocorreu em 2010, a SDO capturou imagens que mostram tornados de plasma na superfície solar. Diferentemente dos tornados que temos na Terra, que alcançam a velocidade aproximada de 500 quilômetros por hora, os tornados de plasma chegam a 300 mil quilômetros por hora. A sonda também observou a ocorrência de ondas gigantescas de plasma na superfície do Sol, que atingem quase 5 milhões de quilômetros por hora.

Um tornado de plasma na superfície do Sol, retratado em 2017. Solar Dynamics Observatory/Nasa

Ainda durante os primeiros dezoito meses no espaço, a sonda observou em torno de 200 erupções solares, explosões de plasma liberadas pela superfície do Sol, o que ajudou os cientistas a encontrarem um padrão. Eles notaram que cerca de 15% das erupções vinha acompanhada de explosões tardias, que ocorriam minutos ou horas antes do primeira fenômeno do tipo.

Uma das erupções solares capturadas em 2017 pela SDO. Solar Dynamics Observatory/Nasa

Ao longo dos anos no espaço, a SDO observou também o voo de dois cometas nas proximidades do Sol. Em dezembro de 2011, cientistas puderam assistir ao aquecimento desses corpos celestes, um dos quais foi destruído ao chegar perto demais da superfície extremamente quente da estrela.Publicidade

Os pesquisadores também se aproveitaram das imagens captadas pela sonda para analisar uma diminuição ocasional na intensidade da coroa solar. De acordo com os cientistas, essas observações podem contribuir para o entendimento do clima espacial.

Além disso, a SDO está próximo de completar um ciclo solar inteiro, que acontece a cada onze anos. Quando isso ocorrer, os pesquisadores terão conseguido obter informações de toda a dinâmica do Sol, permitindo que compreendam mais sobre o funcionamento do mesmo.

Por fim, entre os mais marcantes feitos da SDO está o fornecimento de informações que permitiram a descoberta de um novo tipo de explosão magnética, nomeada de reconexão magnética espontânea. A análise das imagens permitiu a confirmação desse tipo de evento, que até então era restrito apenas a formulações teóricas. Segundo os cientistas, a descoberta pode ajudar a entender o porquê de a atmosfera solar ser tão quente, ou até mesmo a prever melhor o clima no cosmo.

Ainda neste ano, a SDO receberá uma nova sonda que acompanhará, a Solar Orbiter, comandada por uma aliança entre a Nasa e a Agência Espacial Europeia. O novo equipamento conseguirá observar melhor regiões solares não tão bem captadas por sua antecessora.

Além disso, a adição de mais uma sonda permitirá que se juntem as imagens capturadas pela Solar Orbiter e pela SDO para formar imagens em 3D da superfície solar. Vídeos dos registros feitos pela nave que completa uma década no espaço podem ser assistidos neste link.

Por Sabrina Brito – Veja.com