O crescimento da comunidade brasileira também foi acompanhado de um aumento de denúncias de xenofobia e discriminação

A quantidade de brasileiros vivendo em Portugal disparou em 2018: uma alta de 23,4% em relação ao ano anterior. As informações foram divulgadas nesta sexta (28) pelo SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), órgão responsável pela imigração no país.

A quantidade de brasileiros impedidos de entrar em Portugal também explodiu, passando de 1.336 em 2017 para 2.866 no ano passado. Isto equivale a um aumento de 114,5%.

É a segunda alta consecutiva, após um período de seis anos de quedas nos números oficiais (de 2011 a 2016).

Os brasileiros seguem como a maior comunidade estrangeira em Portugal, embora tenha havido acréscimo expressivo também de outras nacionalidades. Segundo o SEF, há mais de 480 mil estrangeiros vivendo no país: uma alta de 13,9% em relação a 2017.

De acordo com o relatório, nunca houve tantos estrangeiros residentes desde que a série histórica foi criada, em 1976.

A quantidade de cidadãos do Brasil vivendo em Portugal, no entanto, é bem maior do que os 105.423 das estatísticas do SEF. Os números oficiais não consideram como brasileiros aqueles que têm dupla cidadania portuguesa ou de outro país da União Europeia. Além disso, também não entram na conta, por motivos óbvios, quem está em situação irregular.

Há pelo menos dois anos, as autoridades portuguesas vêm alertando para o aumento do fluxo de imigrantes irregulares, motivado principalmente pela deterioração das condições político-econômicas no Brasil.

Não por acaso, o número de brasileiros barrados nos aeroportos lusitanos também explodiu. A principal razão apontada é a falta de documentação que comprove os motivos (turísticos) da viagem e meios insuficientes para se manter no país.

A procura pelo passaporte português também deu um salto, após uma mudança na lei de nacionalidade que entrou em vigor em 2017. A partir de então, a legislação estendeu para netos de portugueses o direito à chamada nacionalidade de origem, que permite “mais benefícios” do que a cidadania por naturalização, modalidade permitida até então.

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