Entressafra: todas as esperanças no milho

2013-06-28T16:04:41+00:0004 junho, 2013|Categories: Em foco|

Prejudicados pelo excesso de chuvas durante a colheita, produtores de soja esperam diminuir os prejuízos na entressafra com produção e produtividade recordes de milho na safra 2012/2013

 Marcus Fernando Fiori
(Especial para o Rondônia em Pauta)

Milhos plantados no campo experimental da Embrapa em Vilhena

Milhos plantados no campo experimental da Embrapa em Vilhena

[dropcap]E[/dropcap]ncerrada a colheita da soja na safra 2012/2013 e percebido que os números não foram bons para os negócios, produtores rurais rondonienses apostam agora no milho para recuperar, pelo menos em parte, as perdas geradas pelo excesso de chuvas registrado durante a colheita da soja nos meses de janeiro, fevereiro e março. Dos 175 mil hectares (estimativa) plantados em Rondônia, pelo menos 85% dessa área receberá o plantio do milho – os outros 15% devem receber milheto e sorgo.

            Em Rondônia, o plantio do milho se dá quase que simultaneamente à colheita da soja nos meses de janeiro, fevereiro e março. Mais do que uma oportunidade de negócio, o milho surge como uma necessidade ao produtor rural, uma vez que age na preparação e recuperação do solo para a próxima safra de soja. “A expectativa para este ano é recuperar, com o milho, tudo o que o produtor está perdendo com a soja devido ao excesso de chuvas”, disse o pesquisador da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – em Rondônia, engenheiro agrônomo Vicente Godinho.

Milho-06

            O milho, por não ser hospedeiro de pragas e doenças comuns à soja, acaba eliminando esses do solo. Assim, além da menor incidência de pragas e doenças, há outra vantagem: maior quantidade de nutrientes deixadas no solo pela palha do milho, principalmente o potássio, essencial para a soja. Assim, nessa relação de exigências nutricionais das espécies escolhidas, levando em conta a sua capacidade de extrair nutrientes do solo, a soja e o milho se completam plenamente.

            MERCADO – Assim como a soja, o milho, enquanto negócio, depende essencialmente do que vai acontecer no mundo. Uma boa safra mundial representa preços modestos para o produto – e vice-versa. Enquanto o Brasil deve colher aproximadamente 185 milhões de toneladas de grãos, os Estados Unidos devem ultrapassar os 300 milhões de toneladas só de milho – sem contar os demais grãos. Porém, a demanda dos norte-americanos é muito alta, uma vez que o milho é uma das matrizes para obtenção de álcool combustível (etanol) naquele país.

            Em Rondônia, em que pese os descompassos climáticos que assolaram a cultura da soja em 2013, espera-se que as chuvas caiam alternadamente até meados de junho, o que garantiria um bom cenário em termos pluviométricos para o milho. O Estado carrega a fama de colher boas safras, com alta produtividade e produto de boa qualidade. De resto, é acompanhar com atenção o que vai acontecer nos demais países produtores. Um bom preço este ano pode ser, literalmente, a salvação da lavoura.

            As previsões são otimistas para os produtores brasileiros e rondonienses. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estimou em 945,8 milhões de toneladas a produção mundial de milho na safra 2012/2013. Entretanto, a onda de calor e tempo seco registrado no ano passado na região produtora norte-americana provocou uma redução nessas estimativas. A produção nos EUA deve cair de 373,7 para 329,4 milhões de toneladas, enquanto a produção mundial deve cair de 945,8 para 899,5 milhões de toneladas. Menos milho no mercado mundial significa preços mais vantajosos para os produtores brasileiros.

            O Brasil deve produzir 60,4 milhões de toneladas de milho este ano, segundo estimativa da consultoria Oil World. O milho brasileiro, quando não exportado, é utilizado basicamente na produção de ração animal – é uma fonte rica de carboidrato e proteína para o gado, fazendo com que toda ração para esses animais, sem exceção, leve esse grão em sua composição. Um sonho dos produtores brasileiros é fazer com que o país adote o milho como matéria prima para a produção de etanol. Com uma tonelada de milho é possível produzir 407 litros de álcool combustível. Isso elevaria o preço do produto dos atuais R$ 21 a saca, para aproximadamente R$ 60 a saca. Entretanto, vencer o lobby dos produtores de cana não será nada fácil. É esperar para ver.

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