‘Se a pessoa é gay, procura a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?’, disse o Papa Francisco

2013-07-29T09:16:54+00:0029 julho, 2013|

Pontífice fez declarações surpreendentes no voo de volta a Roma

f_158612[dropcap]N[/dropcap]uma das mais longas entrevistas já concedidas por um Papa (1h20min), sem perguntas pré-selecionadas, o Papa Francisco fez declarações surpreendentes que deixaram vaticanistas boquiabertos. De pé na classe econômica, no voo de volta a Roma, indiferente às turbulências que chacoalhavam o avião, ele defendeu veementemente os homossexuais, dizendo que “eles não devem ser discriminados e devem ser integrados na sociedade”. Ironizou ainda quem diz que tem gay no Vaticano, dizendo que esse não é o problema e que ainda não viu ninguém com “carteira” se identificando como tal. E perguntou: “se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la?”.

A revista italiana L’Espresso, em reportagem de capa, denunciou um “lobby gay” no Vaticano, isto é, grupos de pressão que estariam supostamente favorecendo homossexuais internamente.. A revista acusou monsenhor Battista Ricca – uma das primeiras nomeações do Papa, como membro do Ior, o banco do Vaticano – de estar no centro deste lobby.

Perguntado sobre isso, o Papa disse que o problema não é um “lobby gay”, mas simplesmente um “lobby”, seja de políticos, grupos nações ou outros. Ele partiu em defesa de Ricca, dizendo que uma investigação prévia no Vaticano mostrou que o monsenhor não cometeu nenhum crime.

Francisco considerou a viagem ao Brasil um sucesso e rasgou de elogios os brasileiros.

— É corajosa a vida dos brasileiros. Tem um grande coração, este povo! — disse. Mas reconheceu que o Brasil – um dos maiores países católicos do mundo – está perdendo fiéis. E contou que os bispos do país estão preocupados. O Papa apontou a Renovação Carismática – um grupo dentro da Igreja que pratica rituais mais calorosos nos cultos – como um dos caminhos para evitar o êxodo de católicos para as igrejas concorrentes, como as pentecostais. E contou que a primeira vez que viu esse movimento atuando, nos anos 70, não gostou e criticou, mas que depois se arrependeu.

Francisco, que assumiu o comando do Vaticano num momento crítico por conta de escândalos de pedofilia e corrupção disse que ainda não viu resistência interna às mudanças que pretende fazer na Igreja. O Papa criou várias comissões para reformar não apenas a Cúria, como o banco do Vaticano. Numa mensagem aos que acham, dentro do Vaticano, que a palavra do Papa é inquestionável, ele avisou:

— Eu gosto quando alguém me diz: eu não estou de acordo. Esse é um verdadeiro colaborador.

[tabs]
[tab title=”Rondônia Em Pauta”]O Globo[/tab]
[/tabs]

[print-me]

Leave A Comment

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.