O mercado internacional vem demonstrando otimismo pela retomada da economia após pandemia do novo coronavírus. Bolsas europeias e asiáticas refletem isso e vão se valorizando ao longo do dia.

Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters

O mercado internacional vem demonstrando otimismo pela retomada da economia após pandemia do novo coronavírus. Bolsas europeias e asiáticas refletem isso e vão se valorizando ao longo do dia.

Em movimento semelhante, que mostra um maior apetite a risco por parte dos investidores, o dólar operava em forte queda nos primeiros negócios de terça-feira (2), chegando a recuar mais de 1% em relação ao real.

Às 9h11, a moeda americana caía 0,58%, a R$ 5,3328. Há ainda temores sobre a instabilidade política em Brasília, que impedem ganhos maiores.

Neste pregão, o Banco Central ofertará até 12 mil contratos de swap tradicional com vencimento em setembro de 2020 e fevereiro de 2021, para rolagem de contratos já existentes.

Histórico

O dólar fechou em alta em relação ao real na sessão de segunda-feira (1º), após oscilar entre altas e baixas no início da sessão. Os investidores começaram o mês de olho nas relações entre Estados Unidos e China e, sobretudo, nas tensões políticas no ambiente doméstico após protestos pelo Brasil no domingo.

O real liderava as perdas entre as moedas lobais e o Banco Central anunciou dois leilões no mercado à vista, vendendo um total de US$ 530 milhões das reservas, o que sugere saídas líquidas de recursos do mercado local. Após a intervenção, a cotação se distanciou das máximas do dia, mas seguiu em firme alta.

O dólar terminou o dia  em alta de 0,82%, a R$ 5,3843 na venda. No pico durante as negocições, a moeda foi a R$ 5,4200, alta de 1,49%. Na mínima, atingida ainda pela manhã, desceu a R$ 5,3110, queda de 0,55%.

As imagens de embates entre manifestantes pró e contra o presidente Jair Bolsonaro durante o fim de semana em São Paulo, com intervenção com com bombas de gás lacrimogêneo pela polícia, evidenciaram tensões políticas ainda presentes no país, em um momento em que a pandemia se agrava e indicadores econômicos apontam recessão histórica.

“Acho que essas imagens (dos protestos) rodando o mundo, todas as notícias sobre a crise de saúde aqui… geram insegurança no investidor estrangeiro, elevando a percepção de risco”, disse à Reuters Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho do Brasil.

A opinião é compartilhada por Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos. “Foi mais um final de semana bastante tenso”, disse em live no Youtube nesta segunda-feira. “Essa polarização política ainda vai dar pano para manga e sem sombra de dúvidas pode se refletir no preço dos ativos aqui no Brasil.”

Além disso, o mercado tornou a piorar nesta segunda-feira as expectativas para o desempenho da economia brasileira neste ano. O país caminha para recessão em 2020, o que mina a atratividade do país como destino de investimentos em meio à perspectiva de que a taxa de juros renove mínimas históricas.

Analistas comentam que continua o movimento de compra de dólares por bancos para desmonte de “overhedge” (proteção excessiva no mercado), que passou a ser tributado pelo governo.

Agentes de mercado citaram ainda que o dólar vem de semanas de depreciação intensa desde que fechou na máxima recorde nominal de R$ 5,9012 em 13 de maio, o que aumenta chances de correções para cima. A moeda caiu 9,50% entre 13 de maio e o fim do mês passado.

Fernando Bergallo, sócio da FB Capital, afirmou que o mercado aparentemente encontrou um nível de suporte para o dólar, o que também dificulta a continuidade da descompressão vista recentemente.

“A moeda caiu a uma mínima de R$ 5,31 hoje, e a grande maioria dos bancos vê dólar em torno de R$ 5,40 no fim do ano, então a cotação perto de R$ 5,20, R$ 5,30, nesse contexto, parece barata”, explicou.

Por: Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo