A educação física vai muito além do esporte. Ela está ligada ao desenvolvimento físico, social e emocional de qualquer pessoa, contribuindo diretamente para formação de seu caráter.

Para as pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista – TEA, a educação física é utilizada ferramenta fundamental no desenvolvimento de habilidades e de inclusão. Os exercícios contribuem para vencer as fragilidades que apresentam (cada um em sua intensidade) no equilíbrio, coordenação, flexibilidade, planejamento motor, entre outros. Além claro, de contribuir imensamente para a questão das habilidades sociais. A ausência de atividade física na rotina do autista pode impactar na sua autonomia para realização de tarefas como caminhar, virar-se, vestir-se.

Durante muitos anos as pessoas que não se encaixavam ao padrão foram deixadas de lado, pois não atingiam o desempenho se comparado aos demais. Os estudantes com deficiência sempre fizeram e continuam, em grande maioria, a fazer parte deste processo de exclusão.

Com isso, a educação física inclusiva surge com o objetivo de que todos possam participar da mesma atividade. Essa proposta, implica no entendimento das especificidades de cada aluno e na flexibilização de recursos e regras das atividades físicas. Isso envolve não só alterações nas práticas físicas existentes, como também a criação de novas atividades. A inclusão ocorre efetivamente quando o aluno com deficiência consegue participar das aulas com todos os demais.

Tendo em vista que, grande parte das crianças e adolescentes no TEA não têm acesso a um tratamento adequado, a profissionais devidamente qualificados e as horas de terapias necessárias, a educação física escolar ocupa um papel fundamental no desenvolvimento delas.

Todos os dias essas mesmas crianças e adolescentes estão dentro das escolas todos os dias e têm a possibilidade de desenvolvimento (caso tenham a sorte de estar com um profissional qualificado e interessado).

Além das escolas, sejam públicas ou particulares, as famílias de pessoas com autismo têm grande dificuldade em encontrar escolinhas de natação, futebol, lutas e outras atividades esportivas que- os aceitem. Não sabem como intervir, então preferem fechar as portas para participação desta população em sociedade. Realmente, para intervir no TEA é necessário conhecimento, não basta apenas boa vontade, ou utilização de metodologias antigas. Inclusão já!

Em Tempo

A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, documento elaborado pela ONU e que tem valor de emenda constitucional, no Brasil, no parágrafo 5 (alínea d) de seu artigo 30, afirma:

Para que as pessoas com deficiência participem, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, de atividades recreativas, esportivas e de lazer, os Estados Partes tomarão medidas apropriadas para:

d) Assegurar que as crianças com deficiência possam, em igualdade de condições com as demais crianças, participar de jogos e atividades recreativas, esportivas e de lazer, inclusive no sistema escolar;

Por Karina Andrade