Reitoria da Unir deseja remover o curso de Comunicação Social de Vilhena para Porto Velho. Fica a pergunta: e o que Vilhena vai ganhar em troca? Comunidade acadêmica começa a se preocupar com as especulações em torno do assunto

UNIR de Vilhena (Foto: Hernán Lagos)

UNIR de Vilhena (Foto: Hernán Lagos)

[dropcap]A[/dropcap] Unir – Universidade Federal de Rondônia – vai discutir, agora de  forma oficial, a possibilidade de remoção do curso de Comunicação Social – Jornalismo do campus de Vilhena para o de Porto Velho. A ideia vem tomando corpo desde 2009, quando um debate acalorado entre segmentos da comunidade acadêmica (principalmente entre professores e alunos) culminou com a permanência do curso em Vilhena. Desde então, vários são os problemas que apontam para a necessidade de remoção do curso.

As discussões serão conduzidas por uma comissão nomeada pela reitoria da Unir especialmente para tratar do tema. Presidida pelo professor Ms. Marcus Fernando Fiori, participam ainda o professor Francisco Celso Gayoso e o representante dos alunos, Fernando Henrique Araújo – esses três representando o campus de Vilhena. Representando a reitoria participa a professora Ms. Andréa Cattaneo, assessora de Comunicação da Unir e também professora do Departamento de Jornalismo (Dejor), e o professor Ms. Marcus Vinícius Rivoiro, do Departamento de Direito do campus de Porto Velho e representante da Prograd – Pró-reitoria de Graduação.

De acordo com Marcus Fiori, a Unir vem encontrando dificuldades em formar turmas em Vilhena. “Dá impressão que a clientela do curso se esgotou; são necessárias várias chamadas do processo seletivo para formar uma turma de 40 alunos”, disse. Depois vem o problema da evasão. Atualmente, cerca de 15 alunos estão aptos a concluírem o curso – duas turmas que se iniciaram com 40 alunos cada, ou seja, estão chegando ao final apenas 15 entre 80 alunos iniciais.

Desde abril entrou em vigor uma lei que obriga os cursos superiores a ofertarem estágio obrigatório aos estudantes universitários. Para jornalismo o estágio é de 200 horas de atividade. “Seria muito difícil cumprir essa determinação do MEC, pois as empresas jornalísticas de Vilhena são pequenas e penso que não teriam capacidade de absorver tantos estudantes”, opinou Fiori. “É óbvio que o maior mercado na área de comunicação social em Rondônia encontra-se em Porto Velho”.

Estudantes e professores sofrem também com a falta de estrutura. O  curso é precariamente equipado e não tem laboratórios de radiojornalismo, telejornalismo e fotojornalismo. Na realidade, os alunos vêm aprendendo apenas na teoria conteúdos que deveriam ser ministrados na teoria e na prática.

RAZÕES PARA FICAR – De acordo com Marcus Fiori, o pró-reitor de Graduação da Unir, professor Dr. Jorge Coimbra, veio a Vilhena e se reuniu com professores do Dejor para tratar do assunto. “A ideia da reitoria de remover o curso foi nos repassada e não ficou claro, pelo menos para mim, qual é a posição de cada professor sobre o tema. O pró-reitor Jorge Coimbra deixou claro que a decisão não  vai ser imposta pela reitoria, ou seja, qualquer atitude nesse sentido só vai acontecer com a nossa anuência”.

“Penso que uma das condições para irmos para Porto Velho é que a Unir nos ofereça lá a infraestrutura que não temos aqui, principalmente no que diz respeito a laboratórios”, disse o presidente da comissão. “Depois, tem de ser levado em consideração a vontade de cada professor; todos foram concursados para o campus de Vilhena. E se desejarem ficar aqui?”, questionou.

Por último, Fiori disse que o debate tem de ser estabelecido internamente, no âmbito do campus de Vilhena. “Até porque não basta o Dejor querer ir; é necessário também a anuência do Conselho de Campus (Condep). Pessoalmente, como membro da comunidade acadêmica do campus de Vilhena, acho que o  jornalismo só deveria ir embora se a reitoria desse uma contrapartida a Vilhena, ou seja, outro curso de peso e condizente com a realidade regional”.

“Mas o debate está apenas se iniciando e não há nada certo. Só falo por mim, não sei nem o que pensam os meus colegas de Departamento sobre o assunto. Como presidente da comissão, minha primeira atitude será marcar uma reunião com meus colegas do Dejor para marcarmos uma posição em conjunto na Comissão”, finalizou Fiori.

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[tab title=”Rondônia Em Pauta”]Por Hernán Lagos[/tab]
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