Deputado disse não ver o futebol do Estado forte sem participação do Poder Público

Futebol-profissional-é-debatido-na-Assembleia-Legislativa-22Out15-Foto-Ana-Célia-Decom-ALE-RO[dropcap]P[/dropcap]roposta pelos deputados Saulo Moreira (PDT), presidente da Comissão de Esporte, Turismo e Lazer, Alex Redando (SD), Adelino Follador (DEM) e Léo Moraes (PTB), a Assembleia Legislativa realizou audiência pública para debater alternativas para melhorar o nível do futebol profissional de Rondônia. Participaram do evento autoridades constituídas, políticos e desportistas.

Na audiência, ficou definido que uma comissão buscará alternativas junto aos órgãos fiscalizadores, em vista de a legislação vigente impedir a celebração de convênios com a Federação de Futebol e os Clubes de Futebol, assim como será debatida a questão da inclusão de verbas no orçamento do Estado para o próximo ano.

Durante a discussão, o deputado Saulo Moreira lamentou as ausências de representantes dos clubes de outros municípios, assim como alguns de Porto Velho, além de pessoas interessadas no futebol profissional e deixou bem claro que “o objetivo do debate é de melhorar o futebol profissional de Rondônia”, e acrescentou que não vê o futebol do Estado forte sem a participação do poder público.

Também na ocasião, o parlamentar falou sobre a estrutura que o governo do Estado precisa dar ao futebol, abordando especialmente a falta do estádio Aluízio Ferreira para sediar jogos do Genus, que é o campeão de Rondônia de 2015. “Mas o objetivo aqui é buscar solução para melhorar o futebol, não proporcionar acusações entre as pessoas”, ponderou.

O presidente da Assembleia Legislativa, Maurão de Carvalho (PP), parabenizou os parlamentares pela iniciativa do debate. Não hesitou em afirmar que “o esporte é investimento, não gasto”. Elogiou a participação do vice-governador Daniel Pereira (PSB) na audiência, falou positivamente sobre

o presidente da Federação de Futebol, Heitor Costa, demonstrou satisfação pela presença dos desportistas e dos políticos e colocou a Assembleia Legislativa à disposição para resolver as questões do esporte.

Governo

O vice-governador Daniel Pereira parabenizou os deputados pela iniciativa e ressaltou que “o debate sobre o futebol veio em boa oportunidade”, lembrando que o clube Guajará-Mirim enfrentou dificuldades, mas atuou no campeonato até o final.

Daniel Pereira garantiu que há preocupação do governador Confúcio Moura (PMDB) em relação ao esporte, observando que, no amador, tem meios para apoiar. “Já o futebol profissional enfrenta obstáculos na Legislação”.

O vice-governador disse, ainda, que tem conversado com dirigentes de clubes em busca de soluções e afirmou que até a reforma do estádio Aluizão está encontrando dificuldades porque tem que ser elaborado relatório de impacto de trânsito. “Mas o estádio foi construído há anos. Como faz?” indagou, acrescentando que buscou alternativa para que o Genus pudesse utilizar os espaços do Aluizão em jogos, citando como exemplo, o apoio da empresa Eucatur ao esporte.

Daniel Pereira finalizou seu discurso sugerindo um debate com a presença do Tribunal de Contas e Ministério Público no sentido da orientação de apoio, evitando processos aos gestores públicos.

Rodnei Paes, superintendente da Sejucel, parabenizou a iniciativa da Assembleia Legislativa, afirmou que é preciso se planejar, e entende ser necessário pensar na atualidade.

Ele lamentou que o orçamento da Sejucel seja pequeno, mas está programando eventos de apoio aos jovens. Defendeu mais investimento na base para renovar, evitando a presença de “picaretas” que atuam no esporte, e maior investimento no Futebol Amador.

Dirigentes

Os dirigentes elogiaram a iniciativa dos deputados no sentido de debater o assunto e também expuseram opiniões. Roni da Silva, de Ariquemes, por exemplo, explicou os motivos que levaram os esportistas a procurar os deputados para tratar do assunto, pois entende que os Clubes de Futebol profissional não possuem grandes incentivos para funcionar. Fez comparativos de Rondônia com os Estados do Amazonas, Pará e Acre que, segundo ele, dão incentivos ao futebol em se tratando de apoio financeiro e conclamou o debate sobre qual seria a melhor saída.

Evaldo Silva, presidente do Genus, ressaltou que são poucas essas oportunidades. Disse querer que o Genus deixe legado no futebol. Lembrou que participou, recentemente, de reunião com as federações do Nordeste.

Observou existir uma nova lei federal que pode extinguir muitos clubes pequenos por conta da carga tributária.

Evaldo disse ser contrário à nova norma, pois os clubes são entidades sem fins lucrativos. Sugeriu a elaboração de um documento para alertar a bancada federal sobre o mal que pode acabar, segundo ele, com 80% dos Clubes do Brasil.

Devair da Costa, de Espigão do Oeste, disse que quem faz o esporte é por amor e que, em Rondônia, não há clubes/empresas. Adiantou que o Espigão começará do zero, valorizando as categorias de base. Pediu para que os clubes se renovem para melhorar o futebol, inclusive com a volta ao futebol profissional em 2016. Disse que tem preocupação com o apoio do poder público por causa da burocracia.

Valdemir Maritaca, de Ji-Paraná, citou as competições que o futebol de Rondônia participa em nível de Brasil e comentou o apoio dos ex-governadores que, segundo ele, sempre ajudaram o futebol profissional. Ele também assegurou que o futebol traz retorno imediato, alertou que se a empresa deixar de apoiar os clubes serão penalizados, pediu para que deixem a FFER trabalhar, e defendeu o Campeonato Estadual com maior número de clubes.

Artur Paulo, de Rolim de Moura, reiterou que os Estados vizinhos incentivam os clubes, acrescentou que queria ouvir ideias e disse ter gostado de ser ouvido pelos deputados. Ele lamentou que Porto Velho não tem um estádio adequado para sediar jogos do campeão Genus, observou que o Estado investe no Joer, no Jir e no Estudantil, “e é hora de investir no futebol profissional”.

Wilson Fuscão, de Ariquemes, disse que vinha cobrando isso há muito tempo do governo. Anunciou que o clube ariquemense trabalhará com incentivo às categorias de base e disse que ainda acredita em boas soluções para o futebol profissional de Rondônia.

O radialista João Dalmo, que é o ouvidor da FFER, lembrou que tem 49 anos de atuação no futebol de Rondônia. Falou sobre a legislação que rege o futebol e observou que a lei pode acabar com muitos clubes, pois classifica os grandes e pequenos no mesmo nível em se tratando de cobrança de tributos. Além das regras do futebol, João Dalmo lembrou que falta campo de jogo em Rondônia e alertou: “se a nova lei for aplicada no próximo ano, Rondônia pode não ter competição”.

José Carlos, coordenador da Sejucel, disse ser conhecedor das dificuldades enfrentadas pelos clubes de Rondônia, que a lei impede o governo de firmar convênios com os clubes, e lembrou que a falta de ajuda é por conta da não legalidade na Legislação. “A lei tem de ser feita, mas precisa vir do Executivo, porque se for proposta pelo Legislativo incorre em vício de origem”, apontou, colocando-se à disposição para ajudar na busca de caminhos para elaborar a Legislação de Incentivo ao Futebol Profissional.

Federação

José Natal, vice-presidente da FFER, deixou claro que pensa bem positivo. Falou que tem que ter vontade política para se elaborar leis de incentivo ao esporte. Sugeriu que uma equipe de deputados e dirigentes busque o Tribunal de Contas para tratar de alternativas para apoiar o futebol profissional.

O presidente da FFER, Heitor Costa, destacou que todos os presentes na audiência são os responsáveis pelo desenvolvimento do futebol de Rondônia. Observou que esteve no Senado defendendo o futebol de Rondônia e historiou sua trajetória como presidente da federação.

Heitor Costa disse que a geografia de Rondônia é madrasta para com o futebol profissional devido à distância entre os municípios. Detalhou que tem procurado resolver as questões do futebol com os governantes, mas muitos desportistas não entendem dessa forma. “Muitos jogam pedras porque a FFER é uma árvore que dá frutos”, considerou.

O presidente da FFER reconheceu que não é fácil administrar o futebol, por ser a modalidade o carro chefe do esporte brasileiro. Apresentou cópia de convênio do governo com a Federação para ajudar o futebol. Afirmou que o último convênio foi em 2011, com o governo Cassol, e que foi homologado, depois deu uma parada. Comentou que fez outros convênios com empresas para pagar arbitragem, bolas e a Eucatur libera passagem aos árbitros. “Primo pela qualidade e não pela quantidade de clubes”, disse.

Assessoria