Depósito de R$ 1,1 mil foi feito por um amigo do jogador e era para pagar a transferência do atleta de Minas Gerais para Rondônia; Dalanhol confirmou as agressões

[dropcap]O[/dropcap] meia atacante Bruno Caio da Silva, que atualmente estava no elenco do Vilhena Esporte Clube (VEC), procurou a Polícia Civil e registrou um boletim de agressão física contra o atual presidente do clube, José Carlos Dalanhol. Segundo Amaral, como o atleta é conhecido, ele e o presidente trocaram socos após o jogador cobrar R$ 1,1 mil referente a transferência dele de Minas Gerais para o Campeonato Estadual de Rondônia.

Amaral já atuou no Guarani- SP, Juventus Jaraguá – SC, Mixto – MT, Cuiabá- MT, Salgueiro – PE, Clube Náutico Marcílio Dias – SC, Anapolina – GO, Uberaba – MG, Uberlândia – MG, Taubaté – SP, e também fora do país, pelo Real Estelí, de Nicarágua.

Em entrevista ao GloboEsporte.com nesta quinta-feira (22), o atleta disse que a discussão com o presidente Carlos Dalanhol iniciou quando ele foi cobrar um dinheiro, que tinha emprestado para o clube para o pagamento da transferência dele a Rondônia.

– Eu vim para o Vilhena sabendo que eu teria que pagar uma taxa de R$1,1 mil para que houvesse a minha transferência, pois ela tinha ficado em Uberlância-MG. Eu também sabia que o clube não tinha dinheiro. Mas ainda sim emprestei o dinheiro de um amigo e depositei o valor na conta de amigo do presidente do VEC. Passou a primeira e a segunda rodada do Campeonato Estadual e nada de eu entrar em campo. Eu não sou mais um menino, tenho 28 anos e já rodei muito e sei como funciona e percebi que estava sendo enganado. Foi quando comecei a cobrar o dinheiro que eu havia emprestado – conta.

De acordo com Amaral, o presidente do VEC disse que entregaria o valor a ele, porém sempre adiava.

– Eu apertei o presidente e disse que queria ir embora para minha casa. Isso no sábado, dia 17 de fevereiro, e ele me disse que ia devolver o dinheiro, mas nada de ele me devolver. Enquanto isso ele ficava andando para cima e para baixo de carro e nada do meu dinheiro. Isso foi me irritando – desabafa.

Depois de avisar que iria embora, o jogador conta que pediu a carteira de trabalho que estava com a diretoria do clube e que, enquanto isso, a esposa de Amaral havia comprado a passagem de volta dele para Campinas.

Confusão entre jogador e Dalanhol também terminou com TV quebrada (Foto: Carlos Dalanol/Arquivo Pessoal)

Confusão entre jogador e Dalanhol também terminou com TV quebrada (Foto: Carlos Dalanol/Arquivo Pessoal)

– Fui na rodoviária e retirei a passagem para voltar para casa, isso logo pela manhã de ontem. Quando voltei à casa dos jogadores o carro do presidente estava em frente. Falei para ele sobre minha partida e avisei que levaria a televisão da casa se ele não me pagasse. Ele me disse que ia fazer uma correria para resolver. Na hora do almoço ele chegou junto com um rapaz, que trabalha com ele, com a minha carteira e a rescisão. Foi quando perguntei do meu dinheiro e ele respondeu que ia tentar conseguir o dinheiro, mas se não conseguisse era para mim ir a m.. e foi quando eu explodi e perdi a postura e quebrei o retrovisor do carro dele – diz.

Amaral fala que o presidente do clube então saiu do carro e os dois começaram a brigar e que, por fim, ele procurou a delegacia para registrar a ocorrência.

– Fomos para as vias de fatos e isso foi na frente de todo mundo, todos viram. Maior vergonha para um clube profissional. Ele chamou a polícia e fomos para a delegacia. Eu registrei um boletim de ocorrência por estelionato e agressão física porque ele machucou a minha boca. Mas meu dinheiro ele não devolveu – afirma.

Voltando para casa, no estado de São Paulo, Amaral diz que não deixará para lá a situação e que – “quando chegar em Campinas, vou colocar o clube na justiça – afirma.

Outro lado

Globo Esporte.com entrou em contato com o presidente do VEC, José Carlo Dalanhol, que também é conhecido como Gaúcho do Milho.

Ele conta que não conhecia Amaral até o empresário do jogador entrar em contato com a diretoria do clube.

– O empresário Douglas Barbosa entrou em contato com meu diretor e mandou dois jogadores, um é o Edson, que está aqui conosco e o Bruno Amaral. Eles chegaram aqui uns dois dias antes do Carnaval. Ele (Amaral) assinou o contratado e registramos a Carteira dele, tudo certinho. Nós acertamos com o empresário dele que foi quem pagou a passagem, a transferência e também era quem pagaria o salário. Para nós o jogador ia sair a custo zero – fala.

Carro ficou danificado após jogador e presidente se desentender (Foto: Carlos Dalanhol/Arquivo Pessoal)

Carro ficou danificado após jogador e presidente se desentender (Foto: Carlos Dalanhol/Arquivo Pessoal)

O presidente diz que o Amaral não estava em forma física para entrar em campo e foi por esse motivo que não havia participado das duas primeiras rodadas do Estadual.

– Fazia dois anos que ele não jogava e estava fora de forma e pesado. Era necessário uns 15 dias para que ele entrasse em forma e isso foi um acordo que fizemos com ele – diz.

Dalanhol conta que o dinheiro da transferência de Amaral, que havia sido enviado pelo empresário dele, foi usado para pagar a transferência de um goleiro para o time.

– Estávamos com problemas de jogadores para a partida contra o Real. Foi quando o empresário dele (Amaral) mandou R$1,1 mil e pagamos com esse dinheiro a transferência de um goleiro. Isso para não ficarmos sem, naquele jogo. Ainda aconteceu do goleiro não entrar no Boletim Informativo Diário (BID). Mas na outra semana íamos colocar o Bruno no Bid e também pagar a transferência de Minas, pois ele vinha de lá – explica.

O presidente fala que na manhã de quarta feira, 21, foi até a casa dos jogadores e encontrou Amaral alterado.

– Quando fui entregar o pão na casa dos jogadores bem cedo ele estava ‘rodado’ e descobri que ele e mais três jogadores tinham acabado de chegar da noitada. Tanto é que mandei os outros três embora. Acho que eles estavam alterados. Nesse momento o Amaral disse que queria a carteira de trabalho dele, pois ia embora aquela noite e também me pediu o dinheiro da transferência – lembra.

Sobre a cobrança feita por Amaral, Dalanhol disse que a situação não iria ser resolvida entre ele e o jogador, mas sim com o empresário que o apresentou e que o atleta ficou nervoso depois que ele falou.

– Falei para ele que o dinheiro eu devolveria para o empresário, uma vez que o outro jogador ia ficar aqui. Eu ainda disse para ele que não tinha nada a ver com ele. Quando falei isso ele começou a quebrar meu carro. Quando eu saí do carro ele começou a me agredir e me deu um murro no meu pescoço e eu me defendi. Foi quando ele correu para dentro da casa e começou a quebrar as coisas e eu chamei a viatura, que o levou ele para delegacia – fala.

Dalanhol fala que apareceu na delegacia para falar sobre o ocorrido e que não quis registrar nenhum boletim de ocorrência.

– Muitas sites falaram que eu estava preso, mas isso não é verdade. Pelo que sei, só fui à delegacia para me apresentar e também nem quis registrar queixa e nem nada sobre o prejuízo que tive com meu carro – diz.

O presidente diz ter resolvido as questões burocráticas do contrato do jogador e diz querer agora quer seguir com o foco no Estadual.

– Cancelei o contrato do cara e dei baixa na carteira dele e ele foi embora. Com oito dias o cara vem aqui, passeia e depois vai embora. Eu não vou processar e nem vou cobrar os estragos no meu carro. A vida continua – finaliza.

FFER

Segundo a Federação de Futebol do Estado de Rondônia (FFER), o processo burocrático de pagamento e de transferência de jogador é de total responsabilidade do clube.

– O clube entra na página dele no sistema e gera o boleto das taxas e da Federação das Associações de Atletas Profissionais (FAAP ) . A questão de transferência pode ser tanto do jogador, empresário, ou intermediário ou o clube pode pagar. Depende do acordo. O depósito é feito para Federação de onde ele vem. Feito esse processo, a federação que recebeu o valor deposito vai transferir o jogador para a federação de onde ele está pedindo. O clube é quem faz essa solicitação. O Federação não tem nenhum vínculo. Depois o clube é quem envia através da página dele para o departamento de registro da Federação, que de imediato envia para Confederação Brasileira de Futebol para, entim, ele ser registrado – diz J. Lima.

 Por Jheniffer Núbia, Porto Velho