manu1A natureza é o único livro que oferece um conteúdo valioso em todas as suas folhas.” (Goethe)

MAPA DE GUAJARÁ MIRIM

MAPA DE GUAJARÁ MIRIM

Guajará Mirim é uma cidade que ainda precisa ser desvendada em seus muitos aspectos. Cada rua, esquina, praça, igaraé, lago, cachoeira e avenida, guardam uma história diferente, a cidade realmente pulsa, reverberando histórias fantásticas que somente uma localidade com contornos mágicos da misteriosa selva amazônica pode revelar. Assentar os seus dormentes na etapa final da construção de uma ferrovia localizada em uma das mais inóspitas regiões do mundo foi o objetivo de milhares de homens que ficaram tragicamente para trás. Era a grande conquista almejada por aqueles que, trezentos e sessenta e seis quilômetros anteriores, iniciaram a grande batalha contra o infinito e oculto espaço amazônico.

VISTA PANORÂMICA DE GUAJARÁ MIRIM EM 2006

VISTA PANORÂMICA DE GUAJARÁ MIRIM EM 2006

Guajará, como meta a ser alcançada, foi uma espécie de prêmio dos homens de ontem aos homens de hoje. Não é exagero cobrar de todos que ali queiram se aventurar, que respeitem a terra, as pessoas, as tradições, a floresta e as águas do Mamoré que se esfrega freneticamente na cidade, pois, se tudo foi tão doloroso, difícil e louco como todos contam sobre a Madeira Mamoré, Guajará é sem dúvidas o grande e verdadeiro símbolo da conquista humana amazônica no extremo oeste Brasileiro.

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DA MADEIRA MAMORÉ EM GUAJARÁ MIRIM, HOJE TRANSFORMADO EM MUSEU

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DA MADEIRA MAMORÉ EM GUAJARÁ MIRIM, HOJE TRANSFORMADO EM MUSEU

A cidade, mais que o Teatro Amazonas é o verdadeiro símbolo de vitória do homem sobre o absurdo abismo amazônico do final do século XIX, até porque, a cidade inexplicavelmente existe no extremo do mundo, sendo construída por homens e mulheres diferentes, fortes, pobres e simples, pessoas de todas as partes do mundo.

É a conquista de um novo espaço para a civilização moderna, moldada em valores culturais distintos. Que as almas dos que se foram, em função da medonha empreitada, possam descansar em paz, pois foram personagens de um épico, inigualável, que causa um sentimento de espanto, grandiosidade e orgulho para seus filhos e a todos que conhecerem sua trajetória.

Locomotiva 17. Pátio do Museu da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, em Guajará Mirim. Foto Nazaré, 2008

Locomotiva 17. Pátio do Museu da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, em Guajará Mirim. Foto Nazaré, 2008

Guajará, antes da construção da ferrovia Madeira Mamoré, se chamava Porto Espiridião, e já se constituía como importante entreposto comercial, onde os seringalistas se instalaram para dar seguimento aos negócios da borracha.
É uma cidade que faz fronteira com a Bolívia, ganhou impulso com a construção da Estrada de Ferro, tem sua verdadeira origem em 1912, ano da conclusão da Madeira Mamoré.
Foi elevada a condição de município no dia 12 de julho de 1928 e em 13 de setembro de 1943 se tornou município do Território Federal do Guaporé ao lado de Santo Antônio das Cachoeiras, Porto Velho e Lábrea, tendo como primeiro prefeito, que na época era chamado de Superintendente, o médico dr. Boucinhas de Meneses.

Porto de Guajará Mirim na década de quarenta, a Pérola do Mamoré

Porto de Guajará Mirim na década de quarenta, a Pérola do Mamoré

Emmanoel-Gomes-Artigos

Guajará, que recebeu o título carinhoso de “Pérola do Mamoré”, guarda mitos, lendas e segredos, personagens históricos que saltaram da realidade para tornarem-se lenda, como o caso do Capitão Alípio e as histórias que o envolve. Também possui características que merecem comentários e elogios. É provavelmente o município mais verde do Brasil e do mundo, pois possui noventa e cinco por cento de suas florestas de pé, é rodeada por parques de preservação ambiental, reservas de conservação extrativista e ainda reservas indígenas. Em época de aquecimento global, onde profundas criticas sobre o desmatamento da Amazônia se massificam na mídia regional, nacional e internacional, se torna um exemplo para todos.

Guajará Mirim desmonta a tese de que os brasileiros não conseguem preservar a floresta amazônica. Podemos sim, cuidar da rica floresta tropical. Guajará está bem ali, para provar nossa tese.

Um outro aspecto é seu potencial turístico, quando devidamente trabalhado se tornará referência na Amazônia, pois une várias questões como: patrimônio histórico, que está preservado, rios maravilhosos, a serra do Pacaás, culinária regional, a visita à Bolívia, música, dança e a possibilidade da pesca, além do turismo de aventura.

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