Sobre nós, os nós que envolvem a nós mesmos; artigo do historiador Emmanoel Gomes

2013-11-08T18:39:40+00:0008 novembro, 2013|Categories: Artigo, Cultura, Emmanoel, História|Tags: |

Sobre nós, os nós que envolvem a nós mesmos
Que cidade linda
De certo possui um poderoso patuá.
Dentro desse Estado inteiro
É de Vilhena o melhor IDH.
Estrofe da poesia “Cidade Sonho”.
Emmanoel Gomes.

[dropcap]V[/dropcap]ivemos em um tempo onde os olhos e corações infectados por um amplo processo de prostituição dos valores e profunda banalização da cultura são incapazes de enxergar e valorizar o bem, a ética, o bom caráter, a boa música poesia e artes em geral.

bbbUma estranha lógica do mal está presente no nosso “agir social”, para ilustrar, lembro uma frase genial de um dos meus filósofos favoritos, Friedrich Nietzsche, aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”.

É como se os sentimentos de inveja, individualidade tivessem comprometido nosso ego. É incrível como a cada momento perdemos a capacidade de nos realizar com o sucesso do amigo, do próximo, do irmão.

Logo após a ditadura militar em 1985, foi orquestrado um plano de desmonte dos valores sociais, o objetivo era construir nas pessoas uma cultura ou consciência que apontasse para a banalização dos valores gerando um mundo de desesperança e ausência de fé.

Essas são as principais características das pessoas no mundo de hoje, somos incapazes de crer na possibilidade de modificarmos as coisas que tanto criticamos. Uma breve observação na mídia, filmes, documentários, e comentários a nossa volta, feitos por pessoas próximas ou distantes comprovariam a tese.

Muito se falou e escreveu sobre o problema da prostituição cultural tão presente e consumida no mundo de hoje. O tempo do agora parece não possuir beleza, inteligência, bondade, fraternidade, espiritualidade. Um universo onde ficou comum não ter amigos e as relações são permeadas por interesses instantâneos. Meramente consumistas e vazios inexistindo as relações profundas, sinceras e duradouras.

O sexo, por exemplo, é algo individualizado, mulheres e homens se transformaram em objetos de prazer meramente estético e aparente.

Os relacionamentos sexuais ocorrem após o primeiro olhar e em qualquer lugar. Onde foi parar o romantismo, o namoro, o encanto da sedução? Esse ambiente “moderno” é contraditório com o relacionamento profundo, duradouro onde as essências se permitem ao encontro e ao encantamento.

A aparência tornou-se o principal. A essência, conteúdo, interioridade se perderam gerando um mundo de depressivos, vazios e tristonhos. O consumo de drogas é presente na ampla maioria das casas, muito provavelmente na sua casa meu querido leitor.

Não me refiro somente a drogas como: heroína, cocaína, óxi, crack, barbitúricos, metadona (ópio), álcool, cetamina, benzodiazepinas, anfetaminas, tabaco e buprenorfinas.

Quando escrevo que as drogas tomaram conta dos nossos lares, me refiro ao Big Brother Brasil, ao créu, lapada na rachada, ao Faustão, Gugu, Netinho, Pânico etc.

Refiro-me a cultura inútil que invade lares, escolas e até igrejas. Refiro-me a ausência de boa leitura, música, esportes, diálogos aconchegantes entre pais filhos, amigos.

A busca alucinante por dinheiro nos empurra para um enfrentamento, “vale tudo”. Há muito nos medimos por nossas posses, e não por aquilo que somos e representamos em nossas interioridades. A indústria e seus apelos midiáticos modernos dominam a massa, interferindo mais na vida dos nossos filhos e jovens do que a escola, a família e a igreja.

Essa máquina de economia genérica atua em todos os ramos, move bilhões de dólares, criando produtos que consumimos sem mesmo saber em que serão utilizados.

 Criam produtos “artísticos” hoje e matam pela manhã, com o objetivo único, de lucrar ao saciar o desejo fútil de consumo da pobre e depressiva massa perdida sem sonho, esperança e propósitos no futuro.

Nossas opiniões sobre qualquer tema normalmente são pejorativos, preconceituosos, negativos, seja, sobre, política, futebol, religião etc.

É preciso saber que a construção desse universo sem tempero, cor e alegria é fundamental para a manutenção de todas as mazelas sociais.

Explicando melhor, com o desmonte da ditadura ocorreu também um processo de desmonte de alguns arquétipos culturais e sociais. Os conceitos como: respeito, disciplina, organização, patriotismo, educação, democracia, moralidade, ética, hierarquia, tão presentes na estrutura anterior foram radicalmente desconstruídos. Sofreram mudanças profundas.

A cátedra, o cânone, os dominadores, os donos do Estado, os corruptos, os criminosos “oficiais e oficiosos”, adoram a condição de ausência de esperança no povo, assim eles se sentem fortalecidos, protegidos, perpetuados no controle social do Estado e assim, controle político e ideológico das massas.

O grupo que foi substituindo os militares, lentamente percebeu que quanto menos informação e princípios mais facilmente se instalariam no poder para manipulá-lo de acordo com seus interesses.

A questão é muito séria e geradora de longos diálogos.  Podemos exemplificar ao analisarmos as discussões que possibilitaram o direito de voto aos analfabetos, os vários processos que defendiam a necessidade de todas as pessoas frequentarem escolas e a autorização para que candidatos ocupassem cargos públicos sem necessidade de estudos.

Esses processos ocorreram de forma a gerar profundos problemas sociais e estruturais. Todos os exemplos citados são contrários ao óbvio. É necessário estudo ao invés de ignorância, é preciso inteligência no lugar de mediocridade, é preciso justiça ao invés do caos jurídico, é preciso qualidade ao invés de quantidade.

Esses são alguns pequenos exemplos de situações que ocorreram nos últimos trinta anos e que colaboram para um mundo assim, tão cinzento.

O Brasil pós 85 desconsiderou desde o início elementos como: a formação, pesquisa, saber, escola, arte, inteligência e os valores morais, sociais, políticos já comentados anteriormente.

O resultado é o mundo real que temos e que nos afronta, diferente do mostrado nos contos de fadas, novelas e reality show.

Agora, após tantas angústias, gostaria de mostrar concretamente, o quanto podemos modificar todo esse estado de coisas.

É completamente falsa a ideia de não podermos fazer nada. Jargões repetidos a toda hora por pessoas nas várias esferas sociais e culturais, como: “O mundo sempre foi assim e sempre será assim, não importa o que façamos”.

 “Temos os políticos que merecemos”.  “Sempre existiu miséria e pobreza no mundo e sempre existirá”. Tudo é falácia com o único objetivo de fazer você se sentir inútil, completamente incapaz.

O fato, é que, esses jargões acomodam as pessoas e as impede de acreditar em suas capacidades.

Creio que qualquer ser que não seja humano como: Jumento, Barata, Rato, vermes ou parasitas, esses, não possuem a capacidade de transformação racional de sua realidade.

Porém, o fato de sermos humanos nos obriga a crença, fé e esperança.

Deus ou “aquilo que nos criou”, nos possibilitou capacidades fantásticas que nos comprometem com a busca de “condições adequadas de vida”.

Se algum ser humano não acreditar que a sociedade que possuímos e temos foi construída por nós, não acreditar na possibilidade de aperfeiçoá-la, não crer na possibilidade de modificá-la, deve ir para o pasto ao lado dos ruminantes e outros bichos. É condição real e verdadeira do ser humano a capacidade de modificar, transformar e revolucionar o mundo.

Gostaria de afirmar que existem muitas, milhares, milhões de coisas boas ao nosso redor, pessoas incríveis, fantásticas estão a nossa espera, experiências maravilhosas estão sendo praticadas nesse momento em todas as áreas, inclusive aqui em nossa cidade, basta você querer enxergar, abandonar a cultura do “tudo feito aqui é ruim”. De boas intenções nossa Cidade, Estado e País estão cheios, acredite.

Você faz parte de tudo isso, não se junte ao derrotados, amargos, fracos de espírito, que em função de uma ou duas tropeçadas na vida, uma ou duas desilusões amorosas, passou a fazer parte da grande massa de descrentes, frustrados, sem expectativas e sem horizontes.

Emmanoel-Gomes-ArtigosA duração breve da nossa existência, proíbe-nos de alimentar sonhos e desejos mesquinhos. Positividade, amabilidade, receptividade, otimismo, esperança, ternura, equilíbrio são algumas das palavras e atitudes que devem preencher nossos corações e se fazerem vivos em nossas praticas sociais.

Sem querer ofender. Leia com sinceridade a frase a seguir, depois, avalie suas atitudes e comentários sobre as coisas de seu universo cultural. Nós somos muito parecidos com as qualidades ou defeitos que dirigimos aos outros.

 Reinicie sua caminhada, alguém já afirmou, “não podemos fazer um novo início, porém podemos construir um maravilhoso final”.

A frase para reflexão sobre nossos comentários sobre pessoas e coisas em nosso cotidiano.

 “NINGUÉM VALE ABSOLUTAMENTE NADA NA BOCA DE QUEM NÃO PRESTA”.

 Tenham uma excelente, alegre e gratificante vida.

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