Acusado de participação em chacina com 5 mortos é condenado a 21 anos de prisão

2018-06-14T15:36:59+00:0014 junho, 2018|

Crime aconteceu em outubro de 2015, na fazenda Vilhena. Uma das vítimas foi queimada viva.

Enilton Procópio estava foragido da Justiça (Foto: Arquivo Pessoal)

O réu Enilton Procópio, de 32 anos, foi condenado a 21 anos de prisão pelo Tribunal do Júri, em Vilhena (RO), na região do Cone Sul. A decisão foi publicada na quarta-feira (13). Ele é acusado de participação na chacina da fazenda Vilhena, que deixou cinco mortos, em outubro de 2015. Outros dois homens já foram condenados por envolvimento nos homicídios. O acusado de ser o principal executor, Ilário Danelli, segue foragido da Justiça.

Enilton também estava foragido, mas constituiu advogado e tentava reverter a decisão que o pronunciou ao Tribunal do Júri. Contudo, a pronúncia foi mantida e o julgamento aconteceu na terça-feira (12) e durou mais de 10 horas.

O réu compareceu ao julgamento e foi interrogado. A defesa requereu a absolvição de Enilton de todos os crimes, por negativa de autoria. Já o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) pediu a condenação do réu pelas mortes, com exceção de José Bezerra dos Santos, primeira vítima da chacina.

Ao final da sessão, os jurados reconheceram a materialidade e autoria em relação às mortes de Daniel Aciari, João Pereira Sobrinho, João Fernandes da Silva e Dagner Lemes Castanho, bem como as tentativas de homicídio contra Ariovaldo Nunes da Silva e Arivaldo Bezerra dos Santos; todos os crimes com qualificadoras do recurso que dificultou a defesa das vítimas e motivo torpe.

Para a morte de Dagner, o júri ainda reconheceu a qualificadora do meio cruel, pois ele foi queimado vivo. Enilton foi absolvido pela morte de José Bezerra dos Santos.

A juíza Liliane Pegoraro Bilharva, ao dosar a pena, levou em consideração a forma cruel pela qual Dagner foi morto e o fato dele ter apenas 17 anos e uma vida toda pela frente. A juíza ainda destacou o fato das vítimas João Pereira, João Fernandes e Dagner, serem apenas trabalhadoras da propriedade e não estarem envolvidas no conflito agrário da região.

Ela ressaltou que eles “morreram apenas por estarem trabalhando, bem como em relação a vítima Daniel que apenas era vizinho, que estava no local conversando com os amigos”.

Segundo investigações, rapaz de 17 anos foi queimado vivo (Foto: José Manoel/ Rede Amazônica)

Segundo investigações, rapaz de 17 anos foi queimado vivo (Foto: José Manoel/ Rede Amazônica)

A magistrada ainda enfatizou que os familiares de João Pereira, João Fernandes e Dagner precisaram reconhecer os corpos, pois eles estavam carbonizados, e ainda lembrou o trauma sofrido por Ariovaldo e Arivaldo.

Diante disso, Enilton foi condenado a 21 anos e quatro meses de reclusão. O regime inicial para o cumprimento da pena será o fechado. Enilton não terá o direito de recorrer em liberdade. Após o julgamento, ele foi levado para o Centro de Ressocialização Cone Sul.

O advogado Léliton Luciano Lopes da Costa, que defende Enilton, disse que vai recorrer da decisão, com a mesma alegação apresentada no Tribunal do Júri. “Negativa de autoria. Ele não foi o executor e não auxiliou, de qualquer forma, para que o crime acontecesse”, enfatizou.

Ilário Danelli é apontado como executor da chacina e ainda está foragido da Justiça (Foto: Polícia Civil/ Divulgação)

Ilário Danelli é apontado como executor da chacina e ainda está foragido da Justiça (Foto: Polícia Civil/ Divulgação)

Crime

A chacina aconteceu no dia 17 de outubro de 2015, após uma reintegração de posse na fazenda Vilhena, local que passa por conflitos agrários há anos. Segundo as investigações, um grupo de invasores insatisfeitos com a decisão judicial, articulou e planejou a morte dos funcionários da propriedade.

A primeira vítima dos criminosos foi José Bezerra dos Santos, de 64 anos. Ele era funcionário de um dos lotes reintegrados e foi abordado em uma estrada, de manhã. Conforme os autos do processo, José foi rendido e morto a tiros, sem nenhuma possibilidade de defesa. O corpo dele foi arrastado e escondido na mata.

Depois disso, o grupo retornou para o acampamento e organizou o próximo ato criminoso. Durante a tarde, eles foram até uma casa onde estavam outros funcionários da área reintegrada. Os criminosos estavam armados, saíram da mata e atiraram nas vítimas, que conversavam na varanda da residência.

O primeiro homem a ser morto, com um tiro na cabeça, foi Daniel Aciari, de 66 anos. Ele não trabalhava na fazenda e estava apenas visitando conhecidos. Ariovaldo conseguiu fugir e se escondeu na mata, enquanto os demais se refugiaram dentro da residência.

Com isso, os infratores passaram a atirar contra a casa e diziam que todos iriam morrer, caso não se rendessem. Diante das ameaças, as vítimas saíram da residência com as mãos para o alto. Os homens armados passaram a xingá-las e determinaram que se deitassem no chão.

Conforme as investigações, mesmo com as vítimas deitadas, o grupo atirou contra elas. Morreram no local, João Pereira e João Fernandes, ambos de 52 anos. Em seguida, eles saíram do lote para buscar combustível e incendiar a casa.

Casa em propriedade foi queimada durante chacina (Foto: Reprodução/Rede Amazônica RO)

Casa em propriedade foi queimada durante chacina (Foto: Reprodução/Rede Amazônica RO)

Nesse intervalo, Arivaldo aproveitou para fugir para a mata. Ele estava ferido, mas ainda tinha condições de andar. O grupo retornou e, embora tenha observado que Dagner, de 17 anos, ainda estava vivo, ateou fogo à residência com ele dentro.

As investigações ainda apontaram que, Ilário Danelli era o líder do grupo, porém, os acusados e outros envolvidos não identificados, participaram da execução e auxiliaram no planejamento e no transporte de armas e munições.

Por Eliete Marques, G1 Vilhena e Cone Sul