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A Operação Lava Jato e suas diversas fases têm chamado a atenção da imprensa e de todos os brasileiros, investigando e apresentando informações que, infelizmente, têm apontado várias fontes de corrupção em empresas e no Governo Federal. Respeitada a importância histórica da operação, não podemos esquecer de operações simultâneas que ganham menos atenção da imprensa nacional, mas que fazem muita diferença para a política municipal. Não concorrem em relevância, mas são escândalos que ocorrem em nossas cidades, muito mais próximos de nós.

É o caso da Câmara Municipal de Aracaju, capital sergipana. Por lá, 15 dos 24 vereadores estão sendo investigados após denúncia do Ministério Público Estadual. Eles estão envolvidos em suposto esquema de uso indevido de verbas indenizatórias. Os gabinetes faziam contratos fictícios de locação de veículos e de assessoria jurídica, mas utilizavam o dinheiro para outras finalidades. Um dos vereadores envolvidos atende pelo sugestivo nome de Max Prejuízo.

Na cidade de São Paulo, o vereador Marquito é acusado de “reter” parte do salário de servidores lotados em seu gabinete. Segundo o Ministério Público Estadual, os funcionários são nomeados com uma remuneração mensal alta, mas são obrigados a “devolver” regularmente um percentual que pode chegar até a 60% em alguns casos. Em Manaus, o Deputado Estadual Dr. Gomes atende potenciais eleitores em um consultório médico improvisado em seu próprio gabinete, na Assembleia Legislativa. Gomes será candidato a vereador pela capital amazonense e sempre finaliza as consultas pedindo voto aos manauaras atendidos no consultório-gabinete, como apurou reportagem do portal UOL no último dia 21/03.

Também em março, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou sete vereadores e ex-vereadores de Araxá. Eles foram acusados de montar um esquema de compra e venda de votos para as eleições que definiam a presidência do legislativo municipal e os cargos da mesa diretora na Câmara da cidade. Em Buritis, Rondônia, o ex-prefeito e seis vereadores foram denunciados pelo MP Estadual, acusados de desvio de verbas e fraude em licitações públicas.

Infelizmente, seria possível redigir um texto gigantesco com outras dezenas de exemplos que ocorreram recentemente no país. A Lava Jato tem um peso simbólico importante e precisa caminhar para mais conclusões.

Mas existem vários outros “Sérgios Moros” espalhados pelas controladorias, tribunais e ministérios públicos no esforço diário de detectar desvios e condutas que atentem contra a lei ou contra os princípios da administração pública nos municípios.

A Lava Jato vai pesar (e muito) nas próximas eleições presidenciais, mas elas ainda estão longe de nós, em 2018. Antes disso, vamos rever as urnas em outubro, para escolher prefeitos e vereadores que vão gerir nossas cidades até o final de 2020. Entender o que aconteceu com o Poder Executivo e Legislativo de sua cidade nos últimos quatro anos precisa estar em sua balança de eleitor, independentemente das cores e vieses partidários que fazem caminhar a Lava Jato.

Autor: Estadão