Projeto de universidades, empresas de tecnologia e ONGs reúne dados sobre o uso da terra no Brasil desde 1985.

O Brasil tem 44 milhões de hectares de florestas e vegetação secundária – mata já desmatada e regenerada após alguns anos. O número representa 7,7% do total de mata nativa no país. O dado será divulgado nesta quinta-feira (29) em uma atualização do projeto Mapbiomas, base colaborativa mantida por universidades, empresas de tecnologia e organizações não governamentais.

Os dados analisam a série histórica de imagens de satélite Landsat, também usada para captura de dados e alertas de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Mapbiomas faz o processamento de 9,5 bilhões de pixels (pontos no território do Brasil).

Distribuição de vegetação nativa e secundária por bioma

BIOMAVEGETAÇÃO NATIVAVEGETAÇÃO SECUNDÁRIA
AMAZÔNIA97%3%
CERRADO84%16%
PANTANAL95%5%
CAATINGA83%17%
MATA ATLÂNTICA86%14%
PAMPA76%24%

Fonte: Mapbiomas

O novo levantamento também mostra as mudanças de uso da terra no Brasil ao longo dos anos, agora com a atualização do ano de 2018. Desde 1985, o país perdeu 89 milhões de hectares em áreas naturais.

Acima é possível ver que, enquanto o Brasil perdeu 89 milhões em áreas naturais, o setor da agropecuária ganhou 86 milhões de hectares. Em 1985, a floresta natural e a vegetação nativa representavam 69% do Brasil. No ano passado, a taxa chegou a 59%.

Dados do Inpe

As áreas com alerta de desmatamento na Amazônia Legal, que inclui 9 estados, tiveram um aumento de 278% em julho, em comparação ao mesmo mês de 2018. Os dados são do Deter, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

Em junho, Jair Bolsonaro questionou a veracidade dos dados e foi rebatido pelo então diretor do Inpe, que acabou exonerado. Em 7 de agosto, ele afirmou em Brasília que receberá com antecedência dados “alarmantes” de desmatamento, antes que sejam divulgados. Os números estão públicos e disponíveis na plataforma Terra Brasilis desde 2017.

Os alertas servem para informar aos fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) onde há sinais de devastação, que podem ou não ser comprovados posteriormente. Os dados oficiais de desmatamento são feitos por outro sistema, o Prodes, que mede as taxas nos meses em que há seca, para evitar que as nuvens cubram as áreas.

G1