Brasil fica em 69º lugar em ranking mundial da corrupção

2013-12-03T07:16:17+00:0003 dezembro, 2013|

Índice de Percepção da Corrupção, calculado pela ONG Transparência Internacional, compara situação em 176 países

Vassouras na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, simbolizam grito contra a corrupção (Antônio Cruz / Agência Brasil)

Vassouras na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, simbolizam grito contra a corrupção (Antônio Cruz / Agência Brasil)

[dropcap]N[/dropcap]o ano em que os brasileiros finalmente viram corruptos condenados pela Justiça, com o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, o Brasil ficou em 69º lugar – entre 176 países – no Índice de Percepção da Corrupção.  A edição deste ano do projeto da ONG Transparência Internacional conferiu ao Brasil a nota 43, em uma escala de 0 (mais corrupção) a 100 (menos corrupção). As informações são da ONG Contas Abertas.

O resultado coloca o país como o terceiro mais “limpo” da América do Sul, e compartilhando com a África do Sul a liderança das nações que integram os Brics, países emergentes que mais crescem no mundo: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Em 2012, a Transparência Internacional mudou a metodologia do índice, por isso não é possível fazer uma comparação direta entre o resultado atual e os dos outros anos. Nos anos anteriores, a nota final de cada país consistia na combinação dos resultados obtidos em outros rankings internacionais de corrupção, posteriormente ponderada em função dos desempenhos do país em cada ranking comparados aos dos outros países avaliados. A partir deste ano, a etapa da ponderação foi eliminada e, agora, as notas do índice são calculadas apenas a partir das notas dos outros rankings.

Sem-Título-1A 69ª posição coloca o Brasil empatado com a Macedônia e a África do Sul. No Índice 2012, a China obteve 39 pontos (80ª posição), a Índia ganhou 36 (94ª) e a Rússia ficou com 28 (133ª).

Uma colocação à frente da posição brasileira, com a nota 44, encontram-se Kuwait, Romênia e Arábia Saudita. Logo atrás, com nota 42, vêm Bósnia, Itália e São Tomé e Príncipe.

Já entre os vizinhos de continente, o Brasil posicionou-se como o terceiro melhor, perdendo para Chile e Uruguai (72 pontos cada, dividindo a 20ª posição), que tradicionalmente lideram a América do Sul no índice. Atrás do Brasil ficaram, pela ordem: Peru (38 pontos, 83ª posição), Suriname (37, 88ª), Colômbia (36, 94ª), Argentina (35, 102ª), Bolívia (34, 105ª), Equador (32, 118ª), Guiana (28, 133ª), Paraguai (25, 150ª) e Venezuela (19, 165ª).

No dia 19 de novembro, o Brasil ganhou destaque na página oficial da Transparência Internacional, que publicou um texto a respeito do julgamento do mensalão e suas repercussões. Para a ONG, o acontecimento significa que “o Brasil está colocando a luta contra a corrupção no topo da agenda”. O texto citou também as recentes Lei da Ficha Limpa e Lei de Acesso à Informação, e alertou que, apesar das condenações inéditas, “ninguém se entrega à ilusão de que o problema da corrupção tenha sido resolvido”.

Resultados gerais – O Índice de Percepção da Corrupção 2012 avaliou 176 países. No topo da lista houve um empate triplo: Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia dividiram a primeira posição, com 90 pontos cada. A lanterna também foi compartilhada por um trio de nações: Afeganistão, Coreia do Norte e Somália, cada um com oito pontos.

Apenas 53 países avaliados alcançaram nota superior a 50, que é exatamente a metade da pontuação máxima. A nota média, se computados todos os avaliados, ficou em aproximadamente 43,3 pontos – ou seja, o Brasil conquistou nota ligeiramente abaixo da média internacional de percepção da corrupção.

No continente americano como um todo, o país com melhor desempenho foi o Canadá (84 pontos, 9ª posição) e os piores foram a Venezuela e o Haiti, empatados (19, 165ª). Dinamarca e Finlândia (90 pontos, líderes) são os melhores países europeus, e o pior é a Ucrânia (26, 144ª) . A Botsuana (65, 30ª) lidera os países africanos, enquanto o pior deles é a Somália (8, 174ª).

Já na Ásia, a lista começa com Cingapura (87, 5ª) e termina com Afeganistão e Coreia do Norte (8 cada, empatados na 174ª posição). Por fim, entre os países da Oceania, o melhor é a Nova Zelândia (90, 1ª), e o pior é Papua Nova Guiné (25, 150ª).

O índice – Criado em 1995, o Índice de Percepção da Corrupção é uma projeto anual da ONG Transparência Internacional que classifica os países de acordo com o nível de corrupção que se percebe nos governos de cada um. O índice é montado combinando-se pesquisas internacionais de diversas entidades especializadas no setor.

Segundo a Transparência Internacional, escolheu-se montar uma classificação subjetiva, baseada em níveis percebidos e aparentes, porque a corrupção é uma prática que não deixa dados empíricos sólidos para serem analisados.

A partir de 2012, a fórmula para a construção do ranking do Índice passou a ser simplificada e a usar, para cada país, dados apenas do ano corrente. De acordo com a ONG, essa nova metodologia refletirá melhor as transformações de cada país na luta contra a corrupção e também permitirá comparações ano-a-ano mais claras e diretas.

Reprodução

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