Cid Gomes após ser baleado
Ciro Gomes diz que seu irmão (foto) foi atingido por dois disparos de arma de fogo, mas não corre risco de morrer

O senador Cid Gomes (PDT) foi baleado na tarde desta quarta-feira (19/02) em Sobral, no interior do Ceará. O político foi atingido quando, ao volante de um trator, forçava o portão de um quartel da Polícia Militar onde estavam policiais grevistas.

De acordo com o hospital onde ele está internado, o senador foi atingido por tiros de arma de fogo na região torácica.

Segundo publicação no Twitter do parlamentar, Gomes foi levado primeiro ao Hospital do Coração de Sobral; depois, à Santa Casa de Misericórdia de Sobral, onde fez tomografia, que não constatou alterações neurológicas ou cardíacas. Em seguida, voltou ao Hospital do Coração, onde está agora. Segundo nota da instituição, após atendimento, o senador apresentou “boa evolução clínica”.

“Seu quadro cardíaco e neurológico não apresenta alteração. Neste momento o paciente encontra-se lúcido e respirando sem auxílio de aparelhos”, diz o texto.

Ciro Gomes disse que o senador foi alvejado por dois disparos que “não atingiram órgãos vitais”, “apesar de terem mirado seu peito esquerdo”.

“Novos exames estão sendo feitos mas a palavra aos familiares e amigos é de que Cid não corre risco de morte. Espero serenamente, embora cheio de revolta, que as autoridades responsáveis apresentem prontamente os marginais que tentaram este homicídio bárbaro às penas da lei”, afirmou Ciro em mensagem no Twitter.

A secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou em nota que o Núcleo de Homicídios da Delegacia Regional de Sobral investiga o caso. A pasta diz que Gomes foi ferido por homens encapuzados amotinados no 3º Batalhão de Polícia Militar, em Sobral. Segundo o órgão, uma equipe do Grupo de Pronta Intervenção da Polícia Federal, composto por agentes e técnicos, está se deslocando para o município.

O caso gerou um bate-boca via redes sociais entre Ciro Gomes e o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.

O deputado escreveu em sua conta no Twitter: “tenta invadir o batalhão com uma retroescavadeira e é alvejado com um projétil de borracha. É inacreditável que um Senador da República lance mão de uma atitude insensata como essa, expondo militares e familiares a um risco desnecessário em um momento já delicado”.

Ciro Gomes respondeu, via Twitter: “Deputado #eduardoBolsonaro, será necessário que nos matem mesmo antes de permitirmos que milícias controlem o Estado do Ceará como os canalhas de sua familia fizeram com o Rio de Janeiro”.

O vereador Carlos Bolsonaro, irmão de Eduardo, também comentou o caso em rede social: “Democraticamente estou desarmado, mas vou passar com um trator em cima de você. Aceite, ou senão é ditadura! O que mata não são armas de fogo legais, mas a pessoa que está disposta a cometer o crime, seja com que ferramenta for”.

A greve

O movimento dos policiais militares do Ceará começou na terça-feira (18) após uma proposta de reestruturação salarial da categoria começar a tramitar na Assembleia Legislativa do Estado.

Segundo o jornal Diário do Nordeste, protestos contra o projeto começaram a ocorrer em alguns pontos do Estado. Em Fortaleza, um grupo com cerca 30 pessoas encapuzadas invadiu um batalhão e levou 10 viaturas do local, na madrugada da quarta.

Outras 20 pessoas mascaradas furaram os pneus de carros estacionados no pátio de outro batalhão, localizado no Conjunto Ceará. Segundo a publicação, veículos particulares também foram vandalizados.

Toda a situação no Estado fez o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, determinar no início da noite de quarta-feira (19) — portanto após o incidente com Cid Gomes — o envio de agentes da Força Nacional, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal ao Ceará.

O político cearense Cid Gomes
O senador Cid Gomes (PDT) foi baleado em Sobral, no Ceará

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, André Costa, afirmou no início da tarde que “infelizmente há alguns grupos na PM praticando crimes e atos de vandalismo”. Ele disse, também, que o governo está “trabalhando focado na proteção da população cearense”.

“Para essas pessoas, o Estado, segurança pública e as corporações vão agir com todo o rigor que a lei prevê. Condutas de motim, de revolta, atos de insubordinação não serão tolerados”, disse.

Até o início da tarde de quarta-feira, já haviam sido instaurados 261 Inquéritos Policiais Militares, além de processos disciplinares, contra o movimento.