O superintendente de Orçamento e Finanças da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Carlos Frederico Verçosa Duboc, foi preso na manhã desta quarta-feira (17), por suspeita de fraude na compra emergencial de respiradores durante a pandemia do novo coronavírus. O rombo no dinheiro público é de pelo menos R$ 18 milhões.

Na mesma operação, agentes do Ministério Público do Rio e de Brasília, com apoio da Delegacia Fazendária do RJ, cumprem mais um mandado de prisão preventiva e nove de busca e apreensão – quatro no RJ e cinco em Brasília. Os alvos também estão ou estiveram ligados à Secretaria Estadual de Saúde do Rio. 

No centro das investigações estão fraudes relacionadas à compras que deveriam ser para o combate ao novo coronavírus. A ação está em andamento e é desdobramento da operação Mercadores do Caos, que prendeu, em maio deste ano, Gabriell Neves, ex-subsecretário de saúde do Rio de Janeiro. 

Neves é suspeito de integrar uma organização criminosa que recebia vantagens iícitas em contratos emergenciais – quando há dispensa de licitação – para a compra de respiradores pulmonares utilizados no tratamento de pacientes graves com Covid-19. 

Passados mais de dois meses da data limite para a entrega dos respiradores comprados sem licitação, nenhum equipamento foi entregue pelas empresas. O dinheiro público também ainda não foi devolvido ao estado.

Perfil do superintendente 

Duboc trabalhou na área de Orçamento e Finanças da Prefeitura do Rio de Janeiro e a experiência o levou para a Secretaria Estadual de Saúde, onde atuava desde 2019 em um cargo importante.

Ele chefiava cerca de 70 pessoas – todos funcionários de carreira do estado. O superintendente era o responsável por fazer pagamentos para UPAs e outros serviços.

As Organizações Sociais (OSs) que fazem as administrações de várias unidades da saúde passavam os documentos com os gastos semanais e o superintendente fazia o levantamento de quanto precisava pagar pelos serviços e executava os pagamentos em nome da Secretaria de Saúde do Estado.

Funcionários da pasta disseram que Duboc não levantava suspeitas de envolvimento com fraudes. Muitos o descreveram como um profissional com horário para entrar na secretaria, mas não para sair, sempre muito comprometido.

Por: Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro e Sinara Peixoto, da CNN, em São Paulo