Unidade do Exército é tema de reportagem do “The New York Times”

2013-05-26T16:58:46+00:0026 maio, 2013|

O influente jornal norte-americano classificou o Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) do Exército Brasileiro como uma das unidades mais bem preparadas do planeta para ações militares na selva

Bulcao_Amazonia[dropcap]P[/dropcap]iranhas escondidas nos rios; surucucus – a cobra venenosa mais longa do hemisfério ocidental –; criaturas silenciosas como a formiga-cabo-verde, cuja picada dói intensamente por até 24 horas; leishmaniose – doença causada por picada da mosca de areia –; febres intensas como as causadas pela malária e dengue e; a rabdomiólise, uma anomalia causada pelo excesso de exercícios físicos e que leva a danos nos rins e à degradação dos tecidos musculares. Tudo isso – e muito mais – é o que pode ser esperado pelos que desejam ingressar no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) do Exército Brasileiro, com sede em Manaus (AM). Trata-se de um centro de excelência militar. Tanto é que o CIGS foi objeto de uma reportagem especial publicada pelo jornal norte-americano The New York Times, um dos mais influentes do mundo.

A reportagem foi assinada pelo correspondente do diário norte-americano no Brasil, Simon Romero, e destaca que o CIGS é uma das instituições mais exigentes do gênero nos trópicos. Diz o texto: “Estranhamente, dezenas de soldados das unidades militares de elite brasileiras, assim como membros das forças de operações especiais de todo o mundo, competem todo ano pelas cobiçadas vagas nos cursos do centro, que está emergindo como uma figura principal da ambição do Brasil de espalhar sua influência em partes do mundo em desenvolvimento, especialmente na América Latina e África”.

6344187O texto explica que os cursos duram cerca de nove semanas, período no qual os instrutores fazer com que os soldados cumpram tarefas árduas. Longas caminhadas pela selva; nadar em águas infestadas de jacarés e piranhas; sobreviver dias afora sem mantimentos e tendo de caçar seus próprios alimentos e; privação de sono são alguns exemplos do que esperam pelos soldados que encararem o desafio.

O Brasil, de acordo com a reportagem do The New York Times, tem interesse em treinar soldados africanos porque está estreitando laços comerciais com aquele continente e quer estender a sua influência até o outro lado do Atlântico. É assim que soldados do Senagal e Angola engrossam as fileiras do CIGS.

Ainda segundo a reportagem, Argentina, Venezuela, Guiana e Suriname também estão na lista de “clientes” do CIGS. Até mesmo a França, que mantém uma força na Guiana Francesa, manda soldados para participarem dos treinamentos em Manaus.

“Formar uma força militar que permitirá ao Brasil construir sua soberania sobre a Amazônia, cerca de 60% dela se encontra no Brasil e está sendo urbanizada a um ritmo acelerado, continua sendo a principal prioridade do centro. O programa se concentra em lidar com os desafios colocados pelo tráfico de cocaína, o desmatamento ilegal, a mineração não autorizada de ouro e diamantes, e a ameaça de incursões de guerrilheiros da Colômbia que procuram refúgio”, escreveu Simon Romero.

A preparação dos soldados é missão do tenente-coronel Mario Augusto Coimbra, 44. “O Rambo não conseguiria terminar esse curso, pois ele é um individualista. Para realmente sobreviver na serva você precisa trabalhar em equipe”, declarou Coimbra à reportagem do The New York Times.

O treinamento é tão duro que dos 100 soldados que iniciaram o curso em 2013, apenas 53 chegaram à metade da jornada. Médicos e psicólogos monitoram constantemente os soldados. Os muito cansados ou doentes são removidos do grupo. A última morte ocorreu em 2008, reportou o The New York Times.

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