Diretoria da Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado. Ação apura possível organização criminosa suspeita de favorecer empresários do ramo madeireiro.

Supostos áudios teriam vazado informações sobre a Operação Pau Oco, da Polícia Civil.  — Foto: Reprodução/ Rede Amazônica
Supostos áudios teriam vazado informações sobre a Operação Pau Oco, da Polícia Civil. — Foto: Reprodução/ Rede Amazônica

Três delegados de Cacoal (RO) foram afastados da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) depois do vazamento de supostos áudios que revelam detalhes da Operação Pau Oco. A ação investiga uma possível organização criminosa suspeita de favorecer empresários do ramo madereiro e de exportação, o que resultou em prisões.

A Operação Pau Oco já teve duas fases: uma em novembro de 2018 e outra em abril deste ano. Na etapa mais recente, foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e 45 de busca e apreensão em casas e gabinetes de autoridades e de servidores do governo passado, bem como na Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam).

Com o vazamento, o delegado geral da Polícia Civil de Rondônia, Samir Fouad Abboud, explicou que a primeira medida foi afastar os três delegados atuantes no interior do estado. “Não a título de punição porque estaria em apuração ainda. Mas eu já determinei o afastamento deles da Draco e realoquei em outras delegacias”, disse.

Um procedimento foi aberto pela Corregedoria da Polícia Civil para que o caso seja apurado, além dos delegados terem o pleno direito de defesa. O delegado Samid informou ainda ter procurado o Ministério Público de Rondônia (MP-RO).

“E esses áudios serão periciados para verificar a autenticidade deles. Podem estar editados e adulterados. Então tudo quem vai dizer é a perícia. Junto ao Ministério Público eu pedi uma apuração porque estão atacando a direção geral. Eu fui ao MP e protocolei um requerimento dando toda a liberdade e me colocando à disposição para uma investigação do MP”, complementou Abboud.

Outra medida tomada pela direção geral da Polícia Civil foi solicitar que a Delegacia de Cacoal investigue esse suposto vazamento de informações e se houve a participação de algum policial. Essas informações, depois de concluídas, devem ser encaminhadas à corregedoria da corporação.

“Mas isso não vai intimidar a gente. Eu troco os delegados, mas não fecho delegacias. Nós vamos chegar a autoria desses vazamentos e vamos também continuar com as investigações da Pau Oco, assim como qualquer outro tipo de operação. Quem deve, vai pagar. E se os nossos delegados erraram, também vão pagar”, concluiu Samir Fouad.

Operação Pau Oco

A operação Pau Oco foi deflagrada pela Polícia Civil no dia 5 de novembro, com o objetivo de apurar um esquema de extração ilegal de madeiras, sem qualquer verificação prévia em áreas florestais de jurisdição estadual, e o envolvimento de servidores comissionados da Sedam.

No dia 5 de novembro os agentes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão e 10 de afastamentos de função pública. Quatro pessoas foram presas.

Primeira fase da Operação Pau Oco foi deflagada pela Polícia Civil no dia 5 de novembro de 2018.  — Foto: Polícia Civil/Divulgação
Primeira fase da Operação Pau Oco foi deflagada pela Polícia Civil no dia 5 de novembro de 2018. — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Já na segunda fase da operação, oito mandados de prisão foram cumpridos, além de 45 de busca e apreensão. Essa etapa apontou um esquema de fraude com notas virtuais que “esquentavam” a madeira retirada ilegalmente de áreas de proteção ambiental.

Segundo a Polícia Civil, o esquema criminoso consistia na emissão de falsas autorizações de exploração de madeira justamente nas áreas de conservação. Com isso havia o envolvimento de múltiplos segmentos da administração pública esquentado a madeira, na sequência ela iria para madeireiras e lá era exportada.

A operação também aconteceu em Espigão do Oeste (RO), Ouro Preto do Oeste (RO), Buritis (RO), Nova Mamoré (RO), Ponta do Abunã (RO) e Candeias do Jamari (RO).

Por Maríndia Moura, Rede Amazônica