Dois pedreiros foram mortos por engano em 2014. Suspeito foi preso em Cuiabá (MT).

Pedreiros foram mortos enquanto trabalhavam em obra — Foto: Jonatas Boni/G1

Após quatro anos, a Polícia Civil descobriu o verdadeiro mandante de um duplo homicídio, em Vilhena (RO), na região do Cone Sul. O suspeito, de 50 anos, foi preso na semana passada, em Cuiabá (MT). Ele teria encomendado a morte do contador Dagoberto Moreira, em novembro de 2014. Contudo, os executores mataram, por engano, dois pedreiros. O caso foi divulgado pela polícia no início da semana.

Após o crime, em 2014, as investigações apontaram que Wanderson Rodrigues da Silva e José Cláudio da Silva foram os executores dos assassinatos. Um terceiro suspeito, Vagner Ângelo, também teria participado do crime, pois dirigiu o veículo dos suspeitos. Os três foram condenados e, atualmente, cumprem pena pelas mortes.

As investigações também mostraram que o suspeito Leandro Pereira Cavichioli teria prometido pagar R$ 100 mil para os executores. Porém, ele foi absolvido no júri popular.

Depois disso, uma nova fase da investigação começou em 2016, quando a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (DEMA) de Cuiabá (MT) começou a investigar Edson Ângello por conflitos agrários, disputas de terras e crime de loteamento clandestino.

Durante a apuração da polícia mato-grossense, foi descoberta uma prova da participação de Edson no duplo homicídio em Vilhena. Com isso, a Polícia Civil de Vilhena foi comunicada e abriu outro inquérito sobre o caso em 2017. Segundo a Polícia Civil, o motivo de Edson ter encomendado a morte de Dagoberto seria a disputa de terras.

“Nessa nova fase da investigação, foram produzidas provas do envolvimento do verdadeiro mandante, que foi Edson Ângello. Ele foi o autor intelectual do crime. Ele mandou matar o Dagoberto, porém, os executores erraram o alvo. Aliás, esse foi um dos motivos que levou a descoberta de Edson, pois não houve execução daquilo que se prometeu”, explica o delegado titular da Delegacia Especializada na Repressão de Crimes Contra a Vida (DERCCV), Núbio Lopes de Oliveira.

A Polícia Civil de Vilhena pediu a prisão de Edson, que foi determinada pelo judiciário. O mandado foi cumprido por agentes da Dema na sexta-feira (3), em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, o suspeito deve ser transferido para Vilhena para aguardar o julgamento. Ainda não tem previsão para a data da transferência.

G1 não localizou o advogado de Edson.

Dagoberto foi encontrado morto na zona rural de Vilhena — Foto: Lauane Sena/G1
Dagoberto foi encontrado morto na zona rural de Vilhena — Foto: Lauane Sena/G1

Caso Dagoberto

Dagoberto foi vítima de uma tentativa de homicídio em novembro de 2014, quando dois pedreiros foram mortos na casa onde ele morava. Após o crime, o contador saiu da cidade de Vilhena e, em janeiro de 2015, retornou para resolver problemas pessoais.

No dia 19 de janeiro, Dagoberto desapareceu e a esposa dele registrou um Boletim de Ocorrências na 1ª Delegacia de Polícia Civil. No dia 24 de janeiro, o homem foi encontrado morto próximo de uma linha rural. De acordo com a polícia, a vítima foi morta com tiros na cabeça e provavelmente teria caído em uma emboscada.

Depois disso, investigações da Polícia Civil apontaram que Victor José Coutinho Lúcio teve envolvimento na morte de Dagoberto. De acordo com a polícia, Victor teria deixado a vítima em uma agência bancária da Avenida Paraná antes do contador desaparecer, em 19 de janeiro.

Entre outros indícios, a polícia encontrou a caminhonete de Dagoberto na casa de um familiar de Victor, em Colorado do Oeste (RO). A prisão dele foi decretada em fevereiro de 2015, mas ele se apresentou à polícia somente em julho do mesmo ano.

A Polícia Civil acredita que há outros envolvidos na morte de Dagoberto, mas Victor não delatou nenhum suspeito. O motivo para o crime seria disputa de terras.

Victor ficou preso na Casa de Detenção de Vilhena até setembro de 2015, quando recebeu habeas corpus e pôde responder ao processo em liberdade.

O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) ofereceu denúncia ao judiciário por homicídio qualificado. Contudo, após a instrução, nas alegações finais, o órgão pediu a impronúncia – que ele não fosse a júri popular – pois “as provas colhidas na fase do inquérito não foram confirmadas em juízo, além de não serem robustas para levar o denunciado a júri”.

Na sentença, o juízo da 1ª Vara Criminal concluiu que o fato de o acusado estar em companhia da vítima no dia do crime não implica, necessariamente, que ele tenha praticado o crime. O juízo também ressaltou que, na época, Dagoberto estava recebendo várias ameaças. Durante as investigações, havia indícios de que ele tivesse envolvimento em crimes.

“Assim, verifico que não há nos autos relatos testemunhais ou outros elementos que comprovem os fatos narrados na inicial acusatória, aliado a negativa do réu, entendo que este deverá ser impronunciado […] Surgindo novas provas o processo pode ser reaberto a qualquer tempo”, diz a sentença, em junho de 2016.

Com isso, o processo foi arquivado. A reportagem não localizou a defesa de Victor.

G1 – RO