Entre os 16 réus detidos na Operação Deforest está Chaules Volban Pozzebon, considerado um dos maiores desmatadores do Brasil. De 141 testemunhas, 14 devem ser ouvidas ainda nesta segunda-feira (15); audiência é virtual.

Presos foram detidos durante Operação Deforest.  — Foto: Divulgação/PF
Presos foram detidos durante Operação Deforest. — Foto: Divulgação/PF

A Justiça de Rondônia deu início nesta segunda-feira (15) a audiência de instrução de 16 réus detidos durante a Operação Deforest, deflagrada no ano passado para combater uma organização criminosa armada suspeita de invasão de terras para venda e posterior extração ilegal de madeira. Entre os detidos está Chaules Volban Pozzebon, considerado um dos maiores desmatadores do Brasil.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, a audiência ocorre de forma virtual. De 141 testemunhas, 14 de acusação estão previstas para serem ouvidas ainda nesta segunda. A audiência de instrução serve como uma preparação ao julgamento.

Por isso, o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) informou, por meio da assessoria, que os trabalhos devem se estender por várias datas.

Além das testemunhas, 12 réus devem depor à juíza Larissa Pinho de Alencar Lima. A previsão é de que Chaules Volban não seja ouvido nesta segunda.

Dos 16 réus presos, 11 são policiais militares. Quinze dos indiciados estão presos em Rondônia.Já Chaules Volban segue detido no presídio federal de Mato Grosso.

Chaules foi preso em casa em Ariquemes.  — Foto: Polícia Federal/Reprodução
Chaules foi preso em casa em Ariquemes. — Foto: Polícia Federal/Reprodução

No início do mês, a Justiça decidiu paralisar a ação de transferência de Pozzebon para Rondônia por medida de prevenção e segurança para que os agentes públicos que fariam a escolta não fossem expostos ao risco de contágio com o vírus Sars-Cov-2.

Todos os réus são acusados de extorsão e associação criminosa. A defesa informou que falará com a imprensa ao final da audiência de instrução, que ainda não tem previsão para terminar.

Operação Deforest

A operação descobriu a prática dos crimes de homicídio, extorsão, lavagem de dinheiro e ameaça.

Na investigação, o Ministério Público apurou que a organização criminosa tinha uma estrutura armada para resguardar os interesses fundiários do líder do grupo, “se valendo do poder econômico e dos cargos ocupados nas forças de segurança para intimidar moradores da região”. O tráfico de drogas também foi alvo de investigação contra o mesmo grupo.

Chaules Volban Pozzebon, um dos investigados, é considerado um dos maiores desmatadores do Brasil. Ele foi preso na operação da PF no dia 23 de outubro.

Segundo o promotor de Justiça Marcus Alexandre de Oliveira Rodrigues, Chaules Volban, como líder, teria constituído uma espécie de milícia no campo armado.

Os investigados teriam colocado policiais militares e capangas armados para fazer a cobrança de pedágio. Eles também intimidavam, extorquiam e ainda colocavam posseiros da terra para fora dos lotes.

Os mandados da operação foram cumpridos em Ariquemes (RO), Cujubim (RO), Monte Negro (RO), Porto Velho (RO), Manicoré (AM) e Araçatuba (SP).

O nome Deforest é uma referência à prática de desmatamento ilegal, que segundo a PF, era um dos principais objetivos dos criminosos após tomar a posse das propriedades rurais.

Por Rede Amazônica