Na solenidade de entrega de 200 casas do programa “Minha Casa, Minha Vida”, governador prepara sua vinda sem provocar alardes com receio de ser recebido com vaias em evento que poderá contar com a presença da presidente Dilma Rousseff

confucio-moura[dropcap]E[/dropcap]m carta aberta à população (publicada na íntegra em www.rondoniaempauta.com.br), o governo de Rondônia, tendo como porta voz a sua Comissão Permanente de Negociação, insinuou que a greve instalada no Estado por várias categorias profissionais que compõem o funcionalismo público estadual teria motivações políticas. Na carta, além de manipular e supervalorizar índices de reajustes concedidos desde o início da gestão, há dois anos e cinco meses, o governo afirma, metaforicamente, que o Estado é um oásis de prosperidade.

         É nesse clima de enfrentamento com o funcionalismo que o governador Confúcio Moura (PMDB) está planejando, na surdina, a sua vinda para Vilhena em 14 de junho, ocasião em que 200 casas do programa “Minha Casa, Minha Vida”, em parceria com os estados e municípios, serão entregues às famílias contempladas. O silêncio em torno dos preparativos para a vinda do governador, segundo uma fonte de Porto Velho que preferiu não se identificar, seria justamente para não chamar a atenção dos servidores grevistas no dia do evento. A presidente da República, Dilma Rousseff, também é esperada para participar da solenidade.

         Policiais civis, trabalhadores em educação e agentes penitenciários são algumas das categorias em greve. Outras se anunciam. É o caso dos trabalhadores da saúde. Pela carta, o governo informa que houve recuperação e ganhos salarias durante a atual gestão. E aproveita para alfinetar o grupo político adversário ao afirmar que “O governo concedeu ao funcionalismo, logo no início da gestão, reposições salariais para todos os servidores, o que superou o concedido nos 10 anos anteriores: 14,5%, mais vantagens profissionais há muito tempo reivindicadas”.

         O governo classificou as greves como “inoportunas” e lembrou que os reajustes reivindicados no momento não são possíveis, pois “nesse instante, nós estamos no limite prudencial imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal que só permite despesas com salários até o percentual de 46,55% sobre a arrecadação. E nós já chegamos nesse limite”.

         O governo se diz “aberto ao diálogo” com os servidores, mas a maior queixa dos grevistas é justamente a falta de diálogo por parte do governo com as categorias que estão com as atividades paralisadas. Tanto é que o governador Confúcio Moura (PMDB) tem evitado aparecer em eventos e solenidades públicas em praticamente todas as cidades do Estado. Em qualquer lugar sempre há uma comitiva de grevistas preparando-lhe a recepção com faixas e protestos. Daí a necessidade de preparar a vinda para Vilhena sem provocar alardes – não seria nada agradável ser recebido com vaias na frente da presidente da República.

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[tab title=”Rondônia Em Pauta”]Por: Hernán Lagos[/tab]
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