Prefeito eleito foi entrevistado pelo Rondônia em Pauta e asseverou que acabou o terror aos servidores públicos

[dropcap]A[/dropcap] assessoria de imprensa do vencedor das eleições suplementares, Eduardo Japonês (PV), entrou em contato com a redação do Rondônia em Pauta para agendar uma entrevista. O encontro aconteceu no escritório da ACIV na manhã desta segunda-feira, 4 de junho, um dia após ter vencido as eleições por 21.520 votos contra 15.933 votos da concorrente Rosani Donadon, uma diferença de 5.587 votos. A posse está marcada para o dia 1º de julho.

Eduardo agradeceu o jornal Rondônia em Pauta por sua imparcialidade nas eleições, pela sua seriedade e por acreditar em que pode se fazer um jornalismo limpo na cidade.

Leia a entrevista:

RP: Você acreditava em uma vitória com tanta diferença de votos?

Eduardo: De jeito nenhum. Até pela pesquisa que houve, a diferença não era tanta.

RP: A o quê você atribui os mais de 21 mil votos?

Eduardo: Mudança, de fato mesmo. Por que a gente andava na campanha e as pessoas querem mudanças.

RP: Há quem afirme que você não precisava se candidatar, pois tem empresas e uma vida tranquila.

Eduardo: Eu busco uma verdadeira mudança e vou começar pela administração, sem politicagem. Aí tudo vai começar a mudar. O hospital começa a funcionar, a educação começa a funcionar, as obras começam a funcionar. A gente viu tantos problemas em nossa caminhada e eu falava nas reuniões. Como é que falta ventilador em sala de aula? Quando a gente quer uma administração séria, temos que ir atendendo e sempre com prioridades. E a prioridade é a saúde, por isso acho que a população pediu mudança porque estava cansada. Porque o que eles diziam, não era a realidade do que realmente estava acontecendo. Se a cidade estivesse boa, provavelmente eu nem entraria na política, foi um desafio de mudança mesmo.

RP: Nepotismo Zero?

Eduardo: Zero mesmo, mas zero mesmo. Primeiro que eu sou contra porque está errado, estamos falando de um órgão público e acho que temos que ter gente capacitada e com vontade de fazer pela população. Sem contar que temos os efetivos que sofreram terror todo este tempo. No final das reuniões, havia pessoas que tinham medo de tirar foto comigo, para não serem perseguidos. Não quero politicagem, quero resolver os problemas da cidade, porque eu sei que dá. E já estamos começando a resolver, por isso é que eu já fui para o hospital. E não tenho medo de ir para o hospital, vou quantas vezes puder, quero que as pessoas reclamem porque me serve como um termômetro do nosso trabalho. Se o pessoal está reclamando é porque não está funcionando. Tem problema que é de graça, respeitar o servidor não custa nada, é de graça, não gasto nenhum real. Eu acredito que tudo isso veio da politicagem, que infelizmente deixou a administração assim e levou ao povo querer mudança. Senão tivesse politicagem e fossem arrumar o que teria que arrumar, com certeza, eles ganhariam de lavada porque eles têm 30 anos de política. Por isso é necessária uma administração séria. O velho já está vencido.

RP: Servidores efetivos e cargos comissionados

Eduardo: Você estudou e passou no concurso público e ganha R$ 2 mil trabalhando e economizando dentro de sua casa para dar o sustento, saúde e estudo para os filhos. Aí chego do lado um cara ganhando R$ 4 mil ou R$ 5 mil e ainda te desrespeitando. Isso está errado, isso não funciona, não dá certo, nem aqui, nem em outro lugar. Tem que respeitar, afinal quem trabalha para a população é o servidor, o professor, a faxineira dentro do hospital. Tem ônibus velhos na educação para trazer crianças do sítio, enquanto isso a secretária me compra uma caminhonete nova de R$ 200 mil e não tem um ventilador. O que é isso gente? Por favor!

RP: Na economia, Vilhena depende do comércio, você trará indústrias para alavancar a economia?

Eduardo:  Primeiro, devemos regularizar as nossas indústrias, visitar uma a uma, as nossas pequenas indústrias da cidade. Na minha campanha não falei de nenhuma indústria, não prometi trazer. Porque primeiro devemos resolver os problemas dos que estão aqui. Tem pequena indústria com 2 pessoas e outras com 50 pessoas, mas não tem documento da própria empresa. Como é que vou apresentar o nosso setor industrial cheio de buracos para uma nova indústria? A gente não está cuidando nem do nosso. Na secretaria de Indústria e Comércio foi comprada outra caminhonete, acho que não está certo. É só colocar duas ou três pessoas e visitar cada empresa e perguntar o que estão precisando para ajudar. Tem umas que não têm nem o documento da área. Como vamos trazer mais empresas? Se as nossas não estão sendo respeitadas. Essas empresas estão fazendo sua parte, funcionando e empregando muitas pessoas, teimando na época da chuva, cheia de buracos, que não dá nem pra andar.

RP: Maria José, você disse que não iria mais entrar na política.

Maria José:  Eu disse que nunca mais ia entrar na política sim, mas vi a necessidade de ajudar a cidade, eu amo Vilhena. O tempo que estiver aqui, vou fazer meu papel correto, doa a quem doer, venha a pressão que vier. Tudo o que eu faço, faço com amor, carinho e dedicação. Eu me conscientizei que estava em uma zona de conforto e ao ver a situação que estava acontecendo no município e sou cidadã, tirei a palavra “nunca mais” e vim somar com Eduardo, porque eu acredito na seriedade dele, no comprometimento dele. Eu tenho um conhecimento vasto que ele não tem e ele tem um conhecimento grandioso de administração e pulso firme, então isto é uma somatória. Queremos levar Vilhena a desenvolver e crescer. Queremos acabar com esse atos de terrorismo que eu tinha conhecimento, principalmente dentro da educação, pessoas maldosas e ditadoras. A mordaça acabou! Como é que pode o efetivo funcionar se ao ganhar R$ 2 mil, vê um portariado chegar ganhando R$ 4.500 mil, ainda mandando e não fazendo nada? Era terrorismo e mordaça, você não pode falar nada.

Eduardo:  O líder não pode levar seus soldados ao suicídio, não pode. Um líder reconhece a humildade e cuida de um grupo que vem há 20 anos, tudo bem que seja família, mas dessa forma vai vencendo. Não é possível que dentro do grupo não haja gente competente também, que possa encarar o desafio. Eu vi que dentro do próprio grupo deles, tem gente que quer mudança.

RP: Secretários Municipais

Eduardo:  Não tenho nenhum definido, nada. Nem na outra eu tinha e nem nessa eu tenho definido secretários ainda. A gente só ficou centrado na campanha e não fizemos nenhuma reunião para eleger secretário. Assim ficamos livres de promessas e podemos escolher uns secretários capacitados.

Da redação do Rondônia em Pauta