Airton Pedro Marin Filho, um gestor mais contido, contribuiu com a sensação de que a corrupção em Rondônia simplesmente acabou – e isso não traduz a realidade

Há oito anos, quando o promotor Héverton Aguiar assumiu o cargo de procurador-geral de Justiça, o sono dos bandidos do colarinho branco nunca mais foi o mesmo.

De 2011 a 2015, foram 17 operações deflagradas pelo Ministério Público de Rondônia (MP/RO) com a intenção de desbaratar grupos criminosos enfurnados em todos os Poderes do Estado.

De fato, o golpe contra a corrupção foi tão forte que o zelo tomou conta tanto das hostes legislativas quanto executivas; seus membros, daquela época para cá, passaram a ser mais vigilantes.

E se o ímpeto ilícito outrora era a veia regente da política regional, hoje, aprisionado, separa o que já foi uma verdadeira farra coletiva sem amarras dos pequenos flocos de libertinagem observados aqui e ali atualmente.

Ainda assim, não há ser humano vivo em sã consciência capaz de dizer – e consequentemente acreditar em si mesmo quanto a isso –, que alcançamos a utopia enquanto sociedade.

Em maio de 2017, Aguiar concedeu entrevista exclusiva ao jornal eletrônico Rondônia Dinâmica, onde, entre inúmeros outros pontos abordados, sacramentou:

“A corrupção precisa de um combate permanente. Ela tem uma capacidade regenerativa extraordinária. Você combate a corrupção, corta aquele eixo criminoso e, se não ficar vigilante, ele se regenera. Não creio que se tenha exterminado isso”.

Além da capacidade regenerativa aventada pelo promotor de Justiça responsável por incursões como, por exemplo, as operações Termópilas, Ludus, Plateias e Zagreu, existe, paralelamente, uma característica darwinista relacionada a corruptos e corruptores: a adaptação.

Talvez o sucessor Airton Pedro Marin Filho não tenha se atinado à questão – infelizmente.

É preciso frisar, obviamente, que o MP/RO não vive apenas de ações civis públicas de improbidade administrativa nem muito menos exclusivamente do combate ao crime organizado.

Marin Filho, um gestor mais contido, diga-se de passagem, optou, nestas áreas, pela política da boa vizinhança. Se o padrão de diligência foi mantido, a transparência, marca da administração Héverton Aguiar, deixou a desejar.

Ficou, neste aspecto exclusivo, a sensação de que a corrupção em Rondônia simplesmente acabou – e isso não traduz a realidade.

Mas o último ex-procurador-geral cumpriu muito bem as suas funções; trouxe à tona o melhor de si e corroborou sobremaneira com o aprimoramento logístico do órgão, embora, pelo menos a quem vê de fora, não tenha usado esse aparato avançado em toda a sua extensão para tirar as ervas daninhas do gramado.

E essa concepção nos leva à missão principal do novo procurador-geral de Justiça, Aluildo Oliveira Leite, empossado pelo Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de Rondônia na última sexta-feira (17).

E ela é muito simples: cumprir o que prometeu, só isso.

Oliveira Leite afirmou que seu projeto de administração para o biênio 2019/2021 será priorizar o combate à corrupção e às organizações criminosas.

Poderia começar cobrando celeridade a respeito dos desdobramentos da Operação Zagreu, deflagrada há quatro anos e cinco meses, mas que, até agora, e acredite o (a) leitor (a) se quiser, não fora oferecida a devida denúncia pelo órgão.

Aluildo Oliveira apresentaria um excepcional cartão de visitas se cobrasse de seus ora comandados a diligência necessária a fim de evitar, lá adiante, que opere o fenômeno jurídico da prescrição de diversos tipos penais atribuídos aos investigados.

Medidas como essa podem contribuir para que o combate efetivo da corrupção não seja de perfumaria.

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