Advogada de Rondônia depõe em BH sobre suspeita de tráfico de bebês

2013-09-16T08:09:51+00:0016 setembro, 2013|

Portugal seria destino de bebê. Suspeita surgiu após inconsistências em depoimentos sobre chegada do menino

Investigações. Delegado mostra documentos que seriam usados pela mãe do bebê no hospital

Investigações. Delegado mostra documentos que seriam usados pela mãe do bebê no hospital

[dropcap]A[/dropcap]s investigações sobre um suposto esquema de tráfico de bebês, descoberto na última semana no Hospital Regional de Betim, na região metropolitana, já apontam que a criança poderia ser levada para fora do país. Essa é uma das hipóteses da Polícia Civil de Minas, que não descarta a possibilidade de uma rota internacional com Portugal como destino. Uma das suspeitas é que o recém-nascido seria, na verdade, entregue a Helena Castiel, que mora no país europeu e é irmã da advogada Selena Castiel Gualberto, 34, apontada inicialmente como a receptadora da criança.

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As suspeitas foram levantadas diante das inconsistências nos depoimentos da advogada e do marido dela, Breno Azevedo, na sexta-feira. O casal não conseguiu esclarecer certos questionamentos. “Perguntamos como eles voltariam para Porto Velho (RO) com uma criança no colo e uma certidão de nascimento, dizendo que o filho era deles. Eles disseram que não haviam pensado nisso, mas nos leva a indagar se o bebê iria mesmo para lá”, revela o delegado responsável, Tito Barichello, da 3ª Delegacia de Betim.

Apesar das alegações dos dois, eles tiveram ao menos três meses para planejar a ação, desde que Selena fez o primeiro contato com Janaína Carvalho, 24, a verdadeira mãe do bebê, através de um blog. Nesse período, Janaína deixou São João Del Rei, na região Central do Estado, para viver na capital com a agente de turismo Eliane Azzi, 37, responsável por providenciar os documentos falsos apresentados por Janaína no hospital.

Em umas das mensagens apreendidas no celular de Eliane, a polícia encontrou mensagens de Selena pedindo para que a mãe da criança decorasse todos os dados pessoais para não levantar suspeitas. Se o plano desse certo, o bebê já sairia registrado em nome da advogada. “Com isso, eles conseguiriam ir de avião para qualquer lugar do mundo, até para o Estados Unidos, que é um país mais difícil de entrar”, completa o delegado.

Internet. Outro indício é que Helena tem como amigas – em uma rede social – Eliane e sua irmã, a funcionária pública Cláudia Giani, 39, uma das suspeitas. Mas a interceptação de e-mails de Eliane, feita pela polícia, não revelou nenhum outro envolvido.

Descartado

Apuração. A Polícia Civil e a Secretaria de Direitos Humanos descartam que a rota internacional tivesse como finalidade o tráfico de órgãos, já que um recém-nascido dificilmente serviria como doador.

Perguntas ainda sem resposta

– Paternidade. Selena e o marido, Breno Azevedo, disseram que gostariam de assumir o bebê, já que a advogada é estéril e há dois anos aguardava na fila de adoção. Mas, questionado sobre o motivo de Azevedo não ter assumido a paternidade, um meio legal, ao invés de planejar para que Janaína mentisse sobre sua identidade, o casal disse que não pensou na possibilidade. “O que chama atenção é que o Breno é professor de direito civil, então, ele tem até mais conhecimento que a gente sobre os meios legais nesse caso”, afirmou o delegado.

-Opções legais. Se Azevedo tivesse assumido a paternidade, Janaína poderia depois abrir mão do direito de constar como mãe no registro da criança. Outro meio possível seria a adoção consensual. Nesse caso, a mãe verdadeira procuraria uma Vara da Infância e da Juventude para declarar seu desejo de doar a criança ao casal de advogados de Rondônia.

– Tráfico. Apesar de apurar a possibilidade de tráfico internacional de bebês, a Polícia Civil estranha o fato de os dois terem tentado registrar a criança com o nome deles. “Se fosse uma quadrilha agindo para traficar várias crianças, eles não colocariam todas em nome deles, no mínimo utilizariam outros nomes”, pondera Barichello.

– Documentação. Mesmo já constatada a falsidade ideológica (já que Janaína tentou se passar por Selena) e com a advogada afirmando que os dados nos documentos apresentados são reais, a polícia ainda desconfia da veracidade deles, uma vez que há datas de nascimento diferentes no CPF e no RG.

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[tab title=”Rondônia Em Pauta”]Por Aline Lourenço

As informações são do jornal O Tempo (MG)[/tab]
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