Representantes da sociedade vilhenense expõem problemas à Secretaria Nacional de Segurança Pública

2013-04-25T22:40:41+00:0025 abril, 2013|

[pullquote]Temos 14 mil crianças, 200 famílias com crianças usuárias[/pullquote]

[dropcap]P[/dropcap]esquisa em 11 municípios de fronteira do Brasil identificam as causas de insegurança pública para promover ações de combate à criminalidade. A Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) está realizando a pesquisa nos municípios de fronteira do Brasil em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com a Universidade Federal da Amazônia (UFAM).

Pesquisadores da UFAM realizaram o encontro com representantes de segmentos sociais de Vilhena que teve início às 18h desta quinta-feira, 25, na escola Ângelo Mariano, onde foram expostos problemas e sugestões referentes à segurança pública.

Os pesquisadores já passaram por 10 cidades localizadas nas regiões fronteiriças de Rondônia e Vilhena foi a última. As exposições dos representantes de Vilhena foram gravadas em vídeo para que a SENASP analise e planeje ações que melhorem a segurança pública nesta região de fronteira.

A rodada de perguntas foi coordenada pela pesquisadora Raquel Wiggers. Na mesa estiveram a primeira dama Lizângela Rover, o representante do STTR (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Vilhena e Chupinguaia) Anderson dos Santos Garcia, a diretora do IFRO Campus de Vilhena Mária Fabiola Santos, o pastor da Igreja Assembleia de Deus e professor Alferes Gonçalves, a diretora de escola Ângelo Mariano Rosemary Aparecida de Oliveira, o presidente da Associação do Setor 19 Edison de Barros, a diretora da escola Marcos Donadon e representante do conselho municipal de educação Regina Maria Gozzi, o empresário e representante da ACIV Claudino Peretto Júnior e a vereadora Marta Moreira.

Temas como o atendimento no Hospital Regional foram abordados: “Há um aumento da população vilhenense, porém verificamos que em Chupinguaia diminuiu. Todos vêm a Vilhena para serem atendido. Devemos conversar com os outros prefeitos para dividir os gastos, pois é nossa população quem paga. Acredito que a política atrapalha o crescimento, não sou Donadon, mas gostaria de ter mais associações como a deles. O acesso à saúde fica prejudicado pelo atendimento dos outros.”, desabafou Alferes Gonçalves.

DSCN0570“Trabalhamos com produtores rurais em Vilhena e Chupinguaia. Quando um deles fica doente o levamos para o INSS e a burocracia faz demorar o atendimento. Esse trabalhador não ganha nos dias que está doente e ele não consegue se sustentar. Ele tem que tirar recursos para se manter, comprar remédios. É uma situação complicada que vivenciamos dentro do sindicato ”, explica Anderson dos Santos Garcia.

“Eu tenho mais de 500 currículos. Ao ver o histórico de empregos por onde passou o cidadão vemos que ficou quatro, três ou dois meses, é raro ver quem trabalhou seis meses numa empresa aqui. Fico apavorado. O crescimento de Vilhena foi muito rápido e endividou muito a população. Temos mais de 20 pontos comerciais vazios hoje na cidade e a inadimplência aumentou. Os loteamentos levaram o dinheiro de Vilhena para fora, o funcionário não se programa com os gastos e acaba se endividando”, afirmou Claudino Peretto Júnior.

“Aquele empregado que não tinha condições de comprar um terreno, hoje pode, porque essas empresas deram condições, uma parcela de R$140 por mês, e financia o material de construção e para de pagar aluguel”, retrucou Lizângela Rover.

DSCN0569Em resposta à questão sobre quais as vantagens e as desvantagens de um município estar na região de fronteira, Lizângela Rover explanou: “Na SEMAS estamos recebendo gente de fora, pela sua imagem, Vilhena está entre as dez melhores cidades do país, conseguimos uma status a nível regional. Precisamos englobar os quatro poderes, Poder Executivo, Legislativo, Judiciário e Imprensa para fiscalizar e realizar ações que melhorem a sociedade. Mas temos um ponto negativo pela violência que se instala, o índice é muito grande, temos muitos mendigos, os outros municípios os recolhem e os mandam para Vilhena, nós resolvemos o problema, eles não têm essa preocupação. No referente aos idosos, graças a Deus temos um asilo na cidade, acho que falta humanidade nas outras cidades”.

“A vantagem de ser uma cidade de fronteira é o crescimento do município, mas onde temos muitas pessoas começamos a ter mais problemas sociais, pois não acompanha o crescimento, alguns vêm só para se atender no hospital e voltam”, disse Mária Fabiola Santos.

“Destaco a solidariedade, pois há muitas casas sendo doadas para pessoas carentes, o lado negativo é que aqui tem muito picareta. Ganha a casa e vende a casa, elas ficam com placas de venda”, reclamou Edison de Barros.

“Quando abraçamos muitas causas, o prefeito nos apoiou e ajudou na educação. O município se tornou um polo educacional, isso atrai gente. Temos o IFRO que promove um certificado técnico para os nossos alunos. O município se faz pela educação. Devemos investir em creches e não é fácil, o MEC ajuda com 15% e o município tem que arcar com o resto. Vemos que queremos que a cidade seja cidade pólo em varias áreas. As academias implantadas nas praças, preocupação com os idosos são aspectos positivos”, afirma Rosemary Aparecida de Oliveira.

Em resposta à pergunta sobre quais são as necessidades do município com a segurança pública e qual seria a solução, Marta Moreira sugeriu: “Por sermos uma região de fronteira, temos o projeto para instalar uma guarda municipal, precisamos mais policiamento federal. Nossa necessidade é instituir as que faltam. Aqui a federal só tem em Pontes e Lacerda/MT e depois só em Pimenta Bueno a 300km. Há dinheiro, mas o foco dos governantes é outro”.

“A ACIV decidiu abraçar a causa, o Tenente Gonçalves está perdendo equipamento, a prefeitura é que faz o repasse, porque o estado não passa nada. A polícia está muito precária, por isso está lutando pelo projeto de monitoramento porque onde estariam quatro policiais, vai ser necessário apenas um”, respondeu Claudino Peretto Júnior.

“Devemos nos preocupar também com as pessoas que estão roubando e matando, um projeto para mudar isso. O governo prefere investir em copa e deixa de lado a educação e o policiamento”, explicou Anderson dos Santos Garcia

“Educação e cultura contra a violência no transito. os que vão na rua não respeitam e não dão preferência. É uma preocupação que envolve a sociedade, começa por uma fiscalização dos quatro poderes, segue na escola, ensinando o pequeno, quando crescer ele já tem uma consciência. Devemos combater as drogas, vamos implantar um projeto para combater tanto nas escolas publicas e privadas, temos 14 mil crianças, 200 famílias com crianças usuárias. O primeiro passo é a união dos quatro poderes para fiscalizar”, finalizou a primeira dama Lizângela Rover.

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[tab title=”Rondônia em pauta”]Autor, áudio e fotos: Hernán Lagos[/tab]
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