pizza[dropcap]A[/dropcap]o contrário do que muita gente pensa, o termo “pizza”, usado para definir situações de impunidade, não deve ser atribuído somente à Justiça e às decisões administrativas dos Poderes. O povo votou e escolheu muita figurinha carimbada
 Porto Velho- Rondônia tem se destacado muito no cenário nacional em questão de noticiário quando o assunto é corrupção e suas vertentes. Isso ninguém pode negar. E costuma ganhar projeção pelas inúmeras operações desencadeadas pelo Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Polícia Federal, Polícia Civil e qualquer outra instituição que mesmo indiretamente contribua dando robustez legal a essas incursões.

[pullquote]O desavisado crê, com isso, que a impunidade finalmente terá um fim.[/pullquote]

Ledo engano se levarmos em conta o retrospecto de tudo o que já ocorreu no seio tanto do Poder Legislativo quanto do Executivo em nosso estado. Mas a visão ficará ainda mais clara se questionarmos qual a sanção foi efetivamente imposta e cumprida pelos agentes desses crimes.

Deputados eleitos, deputados em pleno exercício de mandato, governadores, secretários de Estado, secretários municipais e lobistas que, em alguns casos e de tão bizarra que está a situação, são parentes dessas personalidades e agem abertamente sem temer futuras represálias.

Isso é o que o rondoniense respira há anos sem se rebelar de verdade.

O pior é que o famigerado termo “pizza”, cunhado para designar situações de flagrante impunidade – inclusive as anunciadas – não faz mais jus apenas às decisões judiciais e administrativas dos Poderes que absolvem corruptos e “aliviam” gestores.

Muitas delas, claro, amparada pelas leis mal elaboradas e brechas feitas propositalmente a fim de atender ao corporativismo de quem vive de política.

Neste ano de 2014, ano de operações policiais e mais escândalos políticos em nossa terra, o eleitor teve a chance de expurgar sumariamente as figuras carimbadas que nos colocam na capa dos grandes jornais do Brasil. E o que fez? O contrário. Deu mais uma chance a muitos que se utilizam dos cargos em benefício próprio, de amigos e parentes.

Apenas alguns ‘ladrões de galinha’, se considerarmos o teto máximo de dinheiro que perdemos com essa gente, não foram reeleitos. Mesmo assim a remoção é válida. Porém há quem tenha mostrado seu cartão de visitas antes mesmo de assumir o mandato, preso durante operação realizada no final deste ano. O que se pode esperar dos próximos quatro anos, então?

A “pizza” preparada nos julgamentos e decisões de agentes públicos é apenas grande se levada em consideração a que é feita de rondoniense para rondoniense, que é tamanho família e demora, no mínimo, quatro anos para digerir.

Rondônia Dinâmica