DSC00994A[dropcap]E[/dropcap]m reunião realizada na tarde desta quinta-feira (12) na sede nacional do INCRA, em Brasília, coordenada pelo presidente do órgão, Carlos Guedes, com o objetivo de negociar uma solução para as famílias do Joana D’arc atingidas pelos impactos do lago da Usina de Santo Antônio, o representante do IBAMA informou que o monitoramento permanente que está sendo feito sobre os impactos ambientais estaria confirmando todas as previsões iniciais do modelo matemático elaborado para esse fim. Entretanto, ao ser questionado pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Itamar Ferreira, se era o IBAMA que fazia este levantamento veio a revelação surpreendente de que é a própria Usina quem faz este controle e repassava os dados para o órgão.

“É a raposa tomando conta do galinheiro” foi a expressão indignada usadas pelos representantes dos assentados para definir a revelação considerada absurda. O deputado federal Anselmo de Jesus, representando a bancada federal, manifestou sua estupefação com a informação, “todas as vezes que conversamos com o governo federal, fomos informados que o IBAMA estaria fazendo um monitoramento permanente sobre os impactos da Usina, agora descobrimos que é a própria empresa, principal interessada, quem faz esse trabalho e repassa as informações ao governo federal”. O deputado prometeu que irá pautar esta questão na próxima semana, não apenas para a bancada de Rondônia, mas para toda a bancada da Amazônia.

Participaram da reunião, também, o presidente da Federação dos trabalhadores na Agricultura (FETAGRO); a dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Alessandra Lunas; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porto Velho (STTR); uma comissão de representantes do assentamento Joana D’arc, representantes da Santo Antônio Energia; a diretora do INCRA, Érica Borges; o superintendente do INCRA em Rondônia, Luís Flávio; representante do Movimento dos Atingidos por Barragem, João Marcos Dutra; o procurador do Ministério Público Federal, Rafael Bevilaqua; além de outros órgãos do governo federal.

Prevaleceu o entendimento de que se for depender de estudos conclusivos para saber qual é a totalidade dos impactos ambientais, levará anos para resolver o problema das famílias do Joana D’arc, que é uma situação emergencial; pois os estudos já realizados por várias instituições, como o INCRA, EMATER, SEDAM, CPRM, UNIR e secretarias municipais; além do relatório da Comissão de Direitos Humanos da OAB, apontam que há impactos, mas seria necessário mais estudos para quantificá-los.

Diante deste fato, o presidente do INCRA propôs vários encaminhamentos para resolver de imediato o problema e solicitou que a Santo Antônio Energia colaborasse com esse esforço do órgão. Os representantes da empresa ficaram de consultar sua diretoria e dar um resposta na próxima segunda-feira. Maiores informações serão divulgadas após a entrega da ata da reunião pelo INCRA nesta sexta-feira (13) e a realização de uma assembléia com as famílias acampadas em frente ao escritório da Santo Antonio Energia, na manhã deste sábado (14). A realização da reunião em Brasília foi uma conquista do Grito da Terra, mobilização que reuniu aproximadamente cinco mil trabalhadores da agricultura familiar, em Porto Velho, nos dias 27 e 28 de agosto último.

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