Ao chegar ao governo do estado depois de uma gestão elogiável na prefeitura de Ariquemes, o atual governador deu esperança ao eleitor. Entretanto, agora a realidade mostra que ser governador é muito mais difícil que ser prefeito

governador[dropcap]A[/dropcap]s prefeituras espalhadas no interior do estado tem sido um corredor para um prefeito chegar ao governo. Quase todos os governadores de Rondônia foram prefeitos antes de serem bem votados numa eleição estadual. Valdir Raupp, do PMDB, veio da gestão de Rolim de Moura em 1994; José Bianco, do então PFL e atual DEM, veio da prefeitura de Ji-Paraná em 1998 e Ivo Cassol, do PP, também de Rolim de Moura, foi eleito governador depois de uma gestão elogiável do município em 2002.

       Estes fatos provam duas coisas. Primeiro, as eleições de prefeitos de cidades interioranas para governador demonstram a força do interior do estado, que consegue estadualizar a imagem de seus gestores. Em outros estados da Amazônia, geralmente as forças políticas estão concentradas nas capitais. Em segundo lugar, a eleição de um prefeito para governador mostra como uma prefeitura de um município bem posicionado é a mais eficaz vitrine política do estado de Rondônia. São raros os casos de deputados, por exemplo, que conseguem chegar ao palácio do governo.

       Agora, uma vez no governo, as coisas mudam de lugar. Ser governador não é o mesmo que ser prefeito. Na verdade, ser governador é ser enquadrado numa problemática bem mais ampla.

       O prefeito é beneficiado por emendas parlamentares de deputados estaduais, deputados federais e senadores aliados. O gestor municipal tem um espaço menor para cuidar, ao alcance da vista do eleitor, contando com as verbas federais. As grandes questões como segurança, educação e justiça (os três setores estaduais em greve este ano) não é o núcleo de conflito na gestão de um prefeito. O prefeito é, no mais profundo significado do termo, um executivo.

       Já o governador é diferente. O governador é mais um agenciador do que um executivo. Muito mais que um prefeito, um governador precisa de uma série de circunstâncias favoráveis para que seu governo possa servir de vitrine. Governador não tem deputado nem senador a favor de si, não no sentido de que o prefeito os tem.

       Essas limitações para com os governadores fizeram surgir algo em extinção no Brasil. Não há mais governador oposicionista ao governo federal. No passado, o então governador da Guanabara, Carlos Lacerda, era um oposicionista ferrenho do então presidente Getúlio Vargas. Hoje a figura de um governador oposicionista é algo impensável, tamanha a dependência dos gestores estaduais ao governo federal.

       É dentro destas amarras que está Confúcio Moura. Por mais que ele queira, ele não consegue reproduzir a gestão vitoriosa e elogiada que outrora fizera em Ariquemes.

       Essa é uma das razões de que o governador tenta regionalizar suas ações do governo. “Sou um governador municipalista”, gosta de dizer Confúcio. O peemedebista sabe que um político é vista na instância de um município, pois é no município que o cidadão mora.

       O maior desafio de Confúcio Moura, então, é ser visto nas instâncias municipais, onde os cidadãos (e eleitores) vivem (e votam). Ou seja, as virtudes do governo estadual precisam ser vistos em todos os recantos, pois uma obra pública estadual feita em Buritis não é vista em Cabixi, nem o contrário.

       Num dos últimos eventos de 2012, numa entrega de duas obras públicas em Cerejeiras (provindas de emendas parlamentares, diga-se), o governador Confúcio confessou algo que parecia sair do fundo do coração. “Tenho muita saudade do tempo em que eu era prefeito”, disse o governador no dia em que foi tirada a foto que ilustra esta reportagem.

       O pior problema de Confúcio, portanto, é que ele conseguiu estadualizar sua imagem de bom prefeito, mas não conseguiu municipalizar sua imagem como governador.

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[tab title=”Rondônia Em Pauta”]Por Rildo Costa[/tab]
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