jirau(4)A pelegada da CUT/PT/PTC trai novamente os operários das UHEs de Jirau e Santo Antônio.O pelego presidente da CUT de Rondônia, Itamar Ferreira, o pelego presidente da Conticom/CUT, Cláudio da Silva Gomes, ambos do PT e o pelego presidente do Sticcero/CUT, Raimundo Toco, do PTC, mais uma vez traíram os operários e interviram para acabar com a justa greve dos trabalhadores da usina hidrelétrica (UHE) de Santo Antônio. Os pelegões aceitaram docilmente a patronal decisão do judiciário de Rondônia de decretar abusiva a justa paralisação iniciada no dia 22/4/2015.

A Liga Operária entende que abusiva é a relação espúria da pelegada e do judiciário de Rondônia com o governo e as empreiteiras que superfaturaram as obras das usinas, superexploram, torturam e matam trabalhadores.

O pelegão Itamar Ferreira teve o descaramento de falar aos operários que o momento exige muita serenidade por parte dos trabalhadores, pois segundo ele desrespeitar a decisão da Justiça do Trabalho (essa sim, abusiva) traria graves consequências. “Diante desta situação recomendamos aos trabalhadores o retorno imediato ao trabalho”, ressaltou o pelegão da CUT, bajulador do governo federal, das empreiteiras e candidato pelo PT a deputado federal derrotado nas últimas eleições, com apenas 5.474 votos.

Os antecedentes da greve que durou apenas um dois dias (22 e 23/4) mostram a ação nefasta dos traidores da CUT:

No dia 14 de abril, em Porto Velho, durante a primeira rodada de negociação entre o Sticcero/CUT e representantes das empresas nas usinas de Santo Antônio, Jirau e da construção pesada em Rondônia; Cláudio Gomes, presidente da Conticom, já havia revelado em nota pública que “há interesse entre os trabalhadores e empresas em fechar um acordo” e que iria “dar continuidade as discussões até que possamos fechá-lo e encaminhar ao Ministério do Trabalho e Emprego para conhecimento e aprovação”. O pelegão Toco também se mostrou “satisfeito com o andamento das negociações”.

Em assembleia, os pelegos do Sticcero/CUT fizeram ameaças aos trabalhadores de que não se deveria decretar greve imediatamente porque não tinha sido cumprida a Lei de Greve 7.783/89. Na Usina de Jirau, a manipulação dos pelegos foi aceita provisoriamente, mas em Santo Antônio a massa decidiu pela paralisação imediata.

Os frouxos pelegos aceitaram as ameaças do desembargador presidente do TRT-RO, Francisco Cruz e do procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), André Canuto. Os frouxos pelegos do STICCERO eram assessorados pelos governistas pelegos da Confederação CONTICOM e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Os representantes do Consórcio Construtor (CSAC) da Usina de Santo Antônio também participaram da audiência no tribunal e certamente molharam as mãos de juízes e pelegos.

Os pelegos da CUT, Conticom e Sticcero repetem o mesmo papel de Judas que fizeram em 2014, 2013, 2012, 2011 e em todos outros movimentos combativos dos explorados operários das obras das usinas, a maioria migrantes aliciados para trabalhar nessas obras financiadas e do interesse do governo federal que também participa do conluio e massacre aos trabalhadores.

Em 2011, o enviado da CUT a Porto Velho, o atual presidente da CUT, Vagner Freitas, defendeu a posição do governo federal e das construtoras. O pelegão Vagner defendeu a volta dos operários ao trabalho. “Tem de voltar a trabalhar. Eu sou brasileiro, quero ver essa usina funcionando”, disse em entrevista a imprensa. Em seguida, usou um discurso típico do governo: “O Brasil precisa de energia limpa. A obra da usina precisa voltar a funcionar, porque a sociedade está sendo prejudicada.”

Em 2012, os pelegos da CUT/PT novamente fizeram côro com o governo, atuaram para acabar com a greve, ofereceram suborno para lideranças desistirem da paralisação e ainda foram cúmplices da repressão policial desencadeada através da “operação Vulcano”. Não denunciaram que na madrugada do dia 03/04/2012, durante a violenta invasão policial da obra de Jirau, os operários testemunharam que o operário Francisco de Souza Lima, 63 anos foi agredido e muito espancado e morto pela polícia. Seu corpo foi imediatamente retirado do canteiro de obras e divulgada a versão que ele teria morrido de infarto durante o incêndio que atingiu a UHE de Jirau. No dia seguinte foi transladado e enterrado em Manaus. 

Na onda de repressão e terror policial instalada contra os trabalhadores, outros 25 operários foram presos, torturados e levados para o presídio Pandinha; sendo que destes, dez operários estão desaparecidos desde a brutal repressão à greve de abril de 2012. Foram “desaparecidos” os operários: José Ribamar dos Santos, Leonilson Macedo Farais, Herbert da Conceição Nilo, Sebastião da Silva Lima, Antônio da Silva Almeida, Lucivaldo Batista Moraes Castro, Ismael Carlos Silva Freitas, Antônio Luis Soares Silva, Cícero Furtado da Silva e João de Lima Fontinele.

Os 10 trabalhadores da obra de Jirau que estão desaparecidos desde abril de 2012, constam na denúncia do promotor Rodrigo Leventi Guimarães – (ação penal nº 0004388.89-2012-822-0501 – TJRO) – como“recolhidos no Pandinha” (presídio em Porto Velho)  e integram a lista de 24 operários injustamente acusados, após a greve, dos supostos crimes de “incêndio”, “dano”, “extorsão”, “constrangimento ilegal” e até de “formação de quadrilha ou bando” e de “furto qualificado”. E mesmo com operários “desaparecidos”, outros torturados, prisões ilegais, demissões ilegais etc, o juiz Edvino Preczevski continua a tocar o arbitrário processo contra os trabalhadores.  

Os pelegos não dizem uma palavra sobre os operários desaparecidos, a repressão policial ordenada pelo governo federal em conluio com empreiteiras e governo estadual. Também não dizem uma palavra sobre os constantes “acidentes de trabalho” nos canteiros de obras das usinas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, e nas obras de instalação do linhão de transmissão de energia elétrica, Porto Velho-Araraquara, onde mais de quarenta operários tiveram suas vidas ceifadas no período de 2010 a 2014, Ressalte-se que essas mais de 40 mortes são as que foram noticiadas. Os operários denunciam a ocorrência de muitos outros casos de acidentes, desaparecimentos, mutilações e mortes que são encobertas nas obras das usinas do Madeira e do linhão. Relatam também que muitas mortes por malária não vieram a público.

Na próxima segunda-feira, 27 de abril, às 7h, haverá assembleia em ambos os canteiros de obras das hidrelétricas do Rio Madeira, e os operários estão revoltados com as manobras e traições da pelegada da CUT, o patronal judiciário de Rondônia e empreiteiras corruptas e exploradoras.

A revolta operária é latente. Não vai ser o peleguismo, as abusivas ordens do judiciário ou a repressão desse governo medíocre e submetido às empreiteiras que vai calar a justa luta operária por seus impostergáveis direitos!

 

Liga Operária