Rondônia tem avançado com o serviço de inteligência da segurança pública na região Norte, tendo como um dos pontos diferenciais a descentralização das unidades, fato que tem contribuído com a rapidez na elucidação de crimes a partir de Porto Velho às localidades mais longínquas, como Cerejeiras. Foi o que revelou o delegado de Polícia Civil, Lindomar Beserra, gerente de Estratégia e Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), durante o segundo painel Inteligência Compartilhada e Tecnologia, da 6ª edição do Encontro Pacto Integrador de Segurança Pública Interestadual, que desde essa terça-feira (29) até esta quinta-feira (31) reúne em Porto Velho cerca de 200 profissionais na discussão de ações de prevenção e repressão a crimes nas dividas dos estados e nas fronteiras com outros países.

Delegado Lindomar Beserra disse que não há serviço de inteligência no Norte melhor que o de Rondônia

No painel, o moderador Romano Costa, delegado de Polícia Civil do Estado de Pernambuco e coordenador-geral de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), explicou que desde sua criação, no ano 2000, o serviço de inteligência da segurança pública nacional conta com 1.800 agências em todo o País e 10 mil policiais, tendo como missão a integração a partir da criação de uma rede para melhor eficiência do assessoramento ao sistema prisional. O desafio está na modernização do parque tecnológico. “Temos que diminuir as ilhas informacionais”, afirmou, observando que cruzar as informações para a formação de um banco de dados nacional é uma medida que se faz urgente para melhor auxiliar as autoridades policiais.

Romano Costa citou também que o setor de inteligência faz parte da solução do problema, mas não é a solução; da mesma forma que não existe modelo para resolver determinado problema, pois o modelo ideal é aquele que se adequa à realidade local, que deve ser construído coletivamente.

Ainda sobre o serviço de inteligência em Rondônia, o delegado Lindomar disse que em Cacoal, onde há pelo menos 20 agentes de inteligência, atualmente 99% dos crimes são elucidados, enquanto que em Porto Velho foi possível revelar que 80 dos assaltos acontecem entre 15h e 21h, principalmente na região do shopping, sendo os 20% roubos de veículos e a residências.

Para o adjunto da Secretaria de Inteligência do Mato Grosso, Gustavo Garcia, o cerne do problema está em mudar a formação dos servidores, abolindo o modelo separatista, como pregavam as academias, passando a adotar a integração. Já o superintendente estadual de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, Danilo de Oliveira, considera ser necessário o nivelamento ou padronização dos serviços de inteligência dos estados para a integração nacional.

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Fonte
Texto: Veronilda Lima
Fotos: Daiane Mendonça
Secom – Governo de Rondônia