relampagoNa última terça-feira (29) noticiamos que um jovem de apenas 17 anos morreu ao receber, no dia do seu aniversário, uma descarga elétrica originada de um raio. Além dele, um animal de estimação também não suportou a descarga e morreu. Notícias de morte em decorrência de raios tornaram-se comuns na imprensa rondoniense. Vez por outra, a natureza mostra sua fúria e faz suas vítimas.

Atentos a esses fenômenos, procuramos o Grupo de Eletricidade Atmosférico (Gelat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), referência nos estudos de raios, e obtivemos dados interessantes sobre alguns incidentes no estado.

O grupo informou inicialmente, que o número de raios na Região Norte está aumentando e a tendência é que o fenômeno continue crescendo na região, por causa do aquecimento global.

Segundo dados da instituição, Rondônia ocupa a 11° posição entre os estados que mais caem raios no país. O estudo aponta que caem 6,45 raios por km2 por ano em nosso estado. O que corresponde a 1,53 (média, em milhões) referente a tabela do ranking nacional.

Rondônia perde para Amazonas (1°), Pará (2°), Mato Grosso (3°), Rio Grande do Sul (4°), Mato Grosso do Sul (5°), Minas Gerais (6°), Goiás (7°), Tocantins (8°) e São Paulo (10°).

Em relação aos municípios do Estado, Ariquemes, Porto Velho lideram entre as cidades que mais caem raios. Seguidas de Cacoal, Pimenta Bueno e Alto Paraíso consecutivamente.

Por ser o maior país localizado na região tropical, o Brasil é o sétimo em número de mortes, atrás da China (média de 700 mortes por ano), Índia (450), Nigéria (400), México (220), África do Sul (150) e Malásia (150). Apesar da tendência de aumento de raios no Norte, de forma pontual neste verão, por causa do fenômeno El Niño, a Região Sul será muito atingida. No inverno, já registraram 500% mais raios se comparado a 2014. No Sudeste o aumento foi 100%.

O raio é uma descarga elétrica de grande intensidade que ocorre na atmosfera. A intensidade típica de um raio é de 30 mil Ampères, cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico. Em geral, os raios provocam um clarão e, logo em seguida, um barulho denominado trovão, por causa do deslocamento de ar.

Na maioria dos casos, as pessoas são atingidas por correntes indiretas que vêm, por exemplo, pelo chão. São raros os casos em que a pessoa é atingida diretamente por um raio e quase sempre ela morre imediatamente ou, quando sobrevive, fica com graves sequelas.

Na natureza, as descargas elétricas riscam quilômetros de céu até atingir o solo, com uma voltagem de 100 milhões de volts. Comparando com uma tomada caseira, a voltagem é praticamente 1 milhão de vezes maior.

A pesquisa divulgada ainda compara dados do primeiro levantamento de mortes por raios, de 2000 a 2009, com dados do segundo, de 2000 a 2014. De 2000 a 2014, 1.789 pessoas morreram atingidas por raios em todo o país. O número médio de mortes por ano caiu de 132 para 111, mas, apesar da redução nacional, as mortes na Região Norte aumentaram e passaram de 18% para 21% dos casos.

Mitos e curiosidades sobre raios

Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar?

Não é verdade e uma prova disso é o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, que recebe ao menos seis descargas atmosféricas por ano. A origem desse mito está nos índios, que usam pedras atingidas por raios como amuletos, acreditando que estão protegidos contra os relâmpagos.

É perigoso ficar dentro do carro durante a chuva?

Na verdade, o veículo fechado é o local mais seguro contra raios – nunca ninguém morreu no Brasil atingido por raio dessa forma. Se o carro é atingido por um raio, a descarga elétrica se espalha por sua superfície metálica, sem atingir quem está dentro dele.

Qual é a diferença entre trovão, raio e relâmpago?

Relâmpago é toda descarga elétrica emitida por uma nuvem; raio é a descarga elétrica que toca o solo. Trovão é o som produzido pela descarga elétrica.

Dá para saber a que distância caiu o raio?

É possível estimar a distância em quilômetros com um cálculo simples: basta contar o tempo (em segundos) entre o momento que se vê o raio e se escuta o trovão e dividir por três obtendo-se a distância aproximada em quilômetros.

Existem raios que não partem das nuvens?

Sim, são os chamados raios ascendentes, que saem de estruturas altas (torres, prédios altos) em direção às nuvens. Correspondem a cerca de 1% dos raios. O ELAT foi o pioneiro no registro deles no Brasil, observados em torres do pico do Jaraguá na cidade de São Paulo.

Os raios são diferentes em diferentes regiões?

Sim. No Brasil, os raios do Rio Grande do Sul tendem a ser mais fortes e destrutivos do que os que caem em outras partes do país.

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