imageRondônia tem, proporcionalmente ao número de habitantes de outras regiões do país, um dos maiores índices de compatibilidade de amostras de doação de medula. Segundo o presidente da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia (Fhemeron), médico Orlando Ramires, somente em 2015 foram confirmadas 32 amostras compatíveis de pessoas residentes na capital e municípios do interior do estado.

O alto índice de amostras compatíveis é atribuído por Ramires à miscigenação decorrente das várias levas migratórias registradas na região desde a época do ex-Território do Guaporé. “Eu penso que essa miscigenação nossa é que pode ter propiciado esse tipo de compatibilidade sanguínea acima da média”.

Este ano, 12 amostras coletadas em Rondônia indicaram na contraprova que são compatíveis com o mesmo tipo sanguíneo para transplante em receptores internacionais, principalmente da Europa e Estados Unidos, e 17 outras para brasileiros. Para se tornar um futuro doador de medula óssea, a pessoa tem com ter idade entre 18 e 55 anos incompleto, não possuir diagnóstico de AIDS, câncer e nem doença auto-imune, permanecendo cadastrada até completar 60 anos.

Para se cadastrar, o futuro doador tem que procurar o Banco de Sangue e doar em torno de cinco mililitros de sangue para análise e preencher a ficha com todos os dados pessoais. O número de doadores voluntários tem aumentado nos últimos anos. A partir de 2012, o cadastro de doadores voluntários cresceu 100%. No banco de cadastros há 15 mil cadastrados

Em outubro foram confirmados mais dois casos de compatibilidade em Rondônia. Um empresário de Jaru comemorou o resultado afirmando haver “acertado na loteria” e já decidiu que viajará com toda a família para o ato de doação. O outro mora na região de Pimenta Bueno. A chance de encontrar um doador entre os parentes diretos é de 25%. O percentual cai para 5% entre os parentes de segundo grau como tios e primos. “A certeza de que você está salvando uma vida é de 100%”, disse Ramires, ao ressaltar que o ato de doação de medula a uma criança, por exemplo, representa a salvação da família inteira, além de somente ser retirada do doador menos de 15% da quantidade de medula óssea necessária ao transplante.

METAS

Para alcançar a meta de 6.090 novos cadastros por ano, fixada pelo Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) para o Estado, são realizadas campanhas regulares na capital e municípios do interior. Há poucos dias, a Fhemeron realizou um mutirão em Jaru onde foram coletadas 104 bolsas de sangue e 84 amostras para doação de medulas.

Ramires destaca que as campanhas são regulares e aumenta a cada ano o nível de consciência das pessoas. Mas explicou que não adianta fazer com pressa, tem que haver dedicação e entusiasmo, pois só as entidades autorizadas junto ao Redome, como os Bancos de Sangue, estão credenciadas a fazer a coleta.

O coordenador do Setor de Captação de Sangue e Medula Óssea da Fhemeron, assistente social Dimarães da Silva, admite que um dos entraves para o alcance da meta é a falta de conhecimento das pessoas. A maioria ainda confunde medula óssea com medula espinhal e isso gera um verdadeiro mito, além de espalha o medo entre as pessoas.

[pullquote]“A certeza de que você está salvando uma vida é de 100%”, Orlando Ramires, presidente da Fhemeron[/pullquote]

Então o primeiro desafio é informar às pessoas o que é medula óssea. Em seguida, conseguir o doador que concorde em retirar uma pequena quantidade desse líquido gelatinoso que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecido popularmente por “tutano”. Na medula óssea são produzidos os componentes do sangue, como as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas.

As hemácias transportam o oxigênio dos pulmões para as células de todo o nosso organismo e o gás carbônico das células para os pulmões, a fim de ser expirado. Os leucócitos são os agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo e nos defendem das infecções. As plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.

Em cerca de 90% dos casos, o transplante é realizado por um procedimento cirúrgico, com anestesia local, pelo método da punção da “asa do ilíaco” – osso da bacia do esqueleto humano. Após a cirurgia, o doador permanece dois dias em repouso no hospital e de acordo ainda com Ramires a recomposição do tecido é rápida. Mas também pode ser feita com o próprio sangue, com a dispensa do doador cinco horas depois da doação.

Dentro de poucas semanas, a medula óssea do doador se regenera, acabando com o mito do risco e estar relacionada à coluna vertebral. Uma avaliação pré-operatória detalhada verifica as condições clínicas e cardiovasculares do doador, para orientar a equipe de anestesia. Os sintomas que podem ocorrer após a doação – dor local, astenia (fraqueza temporária), dor de cabeça, em geral – são passageiros e controlados com medicamentos simples, como analgésicos.

REDOME
Todas as informações do futuro doador voluntário são reunidas numa ficha cadastral (nome, endereço, resultados de exames, características genéticas) no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), instalado no Instituto Nacional do Câncer (Inca). Um sistema informatizado cruza as informações genéticas dos doadores voluntários cadastrados com as dos pacientes que precisam do transplante. Confirmada a compatibilidade, a pessoa é convocada para efetivar a doação com todas as despesas pagas pelo SUS.

O Brasil tornou-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, ficando atrás apenas dos registros dos Estados Unidos (quase 7 milhões de doadores) e da Alemanha (quase 5 milhões de doadores). A evolução no número de doadores deveu-se aos investimentos e campanhas de sensibilização da população, promovidas pelo Ministério da Saúde e órgãos vinculados, como o INCA. Essas campanhas mobilizaram hemocentros, laboratórios, ONGs, instituições públicas e privadas e a sociedade em geral. Desde a criação do REDOME, em 2000, o SUS já investiu R$ 673 milhões na identificação de doadores para transplante de medula óssea. Os gastos crescerem 4.308,51% de 2001 a 2009.

É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos Hemocentros nos estados e no Inca, de segunda a sexta-feira, de 8h às 12h. Para mais informações em Porto Velho, ligue 0800 642-5744.

Fonte
Texto: Abdoral Cardoso
Fotos: Daiane Mendonça
Secom – Governo de Rondônia