DSCN0993[pullquote]“Para fazer a casa tinha que aterrar, eram usadas latinhas. Então eram organizadas festas na casa para o pessoal dançar toda a noite socando as latinhas, tudo no pé”[/pullquote]

[dropcap]O[/dropcap] II Seminário “Museu, Arte e Memória: Fotografando o Espaço-Tempo de Vilhena” é realizado pela V turma matutina de pedagogia da UNIR-Campus de Vilhena

A abertura do seminário aconteceu nesta segunda-feira, 6 de maio, com uma exposição de fotos e objetos antigos usados em solo vilhenense. “O objetivo é, através de fotografias, realçar a história de Vilhena. Numa das atividades tivemos que pesquisar fotos, mas só havia fotos de alguns bairros, do São José, Centro e 5ºBEC. Então decidimos fotografar os bairros da cidade na atualidade, daqui a uns 15 ou 20 anos, elas servirão de registro”, explicou a acadêmica Pâmela Cristina da Silva Pedra.

DSCN1040No miniauditório da UNIR foi realizada uma mesa redonda composta por pioneiros da cidade: Itamar Bormann, Paulo Rege Mota e Univa Falcão dos Santos, cada um contou suas vivências nos primórdios da cidade. A primeira a usar a palavra foi a senhora Univa: “Vilhena mudou para melhor, mas a televisão demorou para chegar, só tinha rádio e era bem pequenininha. Só acredito que a saúde deveria melhorar mais um pouco”.

Itamar Bormann, Paulo Rege Mota e Univa Falcão dos Santos

Itamar Bormann, Paulo Rege Mota e Univa Falcão dos Santos

Seguidamente foi a vez do senhor Paulo Rege Mota que chegou a Vilhena em 1966, militar do Terceiro Batalhão de Combate do Exército, destacado de Caxias do Sul para formar o 5ºBEC em Porto Velho, onde ficou por 3 meses antes de chegar em Vilhena. Aqui fizeram cascalhamento e abriram estradas, acampavam onde hoje é o 5ºBEC. Seu Paulo era motorista e puxava cascalho de caçamba. Também transportava 16 tambores de água que eram carregados no Pires de Sá, cada casa tinha um tambor de 200 litros, não havia encanamento, a mangueira era colocada e enchia o tambor.

DSCN1025“A FAB ficava na antiga TASA, perto do Guaporé Máquinas, lá também era abastecido como no 5ºBEC. Depois o Pires de Sá ficou muito contaminado e a água era trazida da parte de trás do Museu, onde há uma mina. Toda mercadoria era trazida de Porto Velho uma vez por mês. Estou aqui até hoje, em 1975 o exército foi embora para o Acre e eu quis ficar aqui em Vilhena. Trabalho na Prefeitura de Vilhena como mecânico”, lembrou seu Paulo.

DSCN1024“Havia apenas um postinho de saúde onde agora funciona o prédio do SAAE, haviam dois enfermeiros e o médico militar vinha de Porto Velho. Um tenente do 5ºBEC atendia os militares e os civis, quando não havia como atender, um avião da FAB levava para Porto Velho ou Cuiabá. A primeira escola foi construída de madeira onde hoje funciona a Capela Mortuária. A primeira Igreja foi a que fica na Praça Ângelo Spadari, era de madeira também. O primeiro enterro no cemitério municipal foi de Afonso Augusto Botão, o “Ceará”, continuou.

DSCN1021“Não existia energia elétrica, só era usado lampião. Tinha um gerador no 5ºBEC só para o exército. Em frente ao Banco do Brasil, onde fica a Embratel, havia uma estação de rádio e telegrafia, onde um motor era ligado as 6h e desligado às 10h, essa era a energia da cidade”, prosseguiu.

“O aeroporto era na FAB, chamada de TASA, quando chegava um avião era anunciado na cidade para levar gente porque o avião não podia levantar voo com pouco peso. Um dia carregou gente demais e, como a pista era curta, o avião chegou até o final da pista e, ao fazer a volta, saiu da pista pegou cascalho e atolou. Levamos patrola e trator esteira do exército e não conseguimos desatolar. Teve que vir um helicóptero do Rio de Janeiro com macaco hidráulico para tirá-lo”, narrou.

DSCN1019“Quando atrasava um voo, a iluminação do aeroporto era feita pelos carros da cidade que corriam até o aeroporto com farol acesso para iluminar a pista. Nunca teve acidente nenhum”, disse em meio a risos.

“Para fazer a casa tinha que aterrar, eram usadas latinhas. Então eram organizadas festas na casa para o pessoal dançar toda a noite socando as latinhas, tudo no pé”, finalizou seu Paulo.

DSCN1013Seu Itamar, presidente da Associação dos moradores da Vila Operária, saiu de Curitiba para ter seu pedacinho de terra através do INCRA, na Linha 2, perto de onde hoje é Cerejeiras. Chegou a Vilhena no dia 5 de fevereiro de 1976, na época em que era o Território de Rondônia.

Ele fez um discurso melancólico e triste ao lamentar o estado do Igarapé Pires de Sá. “Era limpo e cristalino, podia ver os peixinhos, tomávamos banho e lavávamos roupa lá, era nossa fonte de água. Naquela época chovia 6 meses seguidos. Era uma época em que não havia carne, nada. Para manter minha família tinha que caçar bicho onde hoje está o Hospital Regional, porque era mato”, declarou. Ele ainda afirmou ter a foto do avião atolado que seu Paulo narrou.

DSCN1011Nesta terça-feira, 7, a discussão terá como convidados o arquiteto Marcus Leão, o secretário de obras Elizeu de Lima e o engenheiro civil Henry Hattori para discutir sobre o tema: “Desenvolvimento urbano e arquitetônico de Vilhena. Contribuir com o conhecimento específico referente à arquitetura e urbanização da cidade”.

Na quarta-feira, 8, serão apresentados em vídeo os resultados dos trabalhos desenvolvidos em campo pelos acadêmicos, que foi dividido por bairros.

DSCN1028DSCN1009[tabs]
[tab title=”Rondônia em pauta”]Autor: Hernán Lagos[/tab]
[/tabs]

[print-me]