Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025 -




Sem concorrência, Consórcio 4UM Opportunity BR vence leilão e assume concessão da Rota Agro Norte

Essa é a primeira vez que uma rodovia federal é concedida à iniciativa privada na região Norte. Trecho Agro Norte tem 686,7 km de extensão e compreende pelo menos 10 municípios de Rondônia.

O Consórcio 4UM Opportunity BR venceu o leilão da Rota Agro Norte em Rondônia, realizado na tarde desta quinta-feira (27) na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, com um lance de desconto de 0,05% na tarifa de pedágio. Pela primeira vez na região Norte, uma rodovia federal foi concedida à gestão privada.

O trecho Agro Norte tem 686,7 km de extensão e compreende pelo menos 10 municípios de Rondônia: Porto Velho, Candeias do Jamari, Itapuã do Oeste, Ariquemes, Jaru, Ouro Preto do Oeste, Presidente Médici, Cacoal, Pimenta Bueno, Chupinguaia e Vilhena.

Trecho de duplicação da rodovia

A empresa venceu ao leilão ao oferecer um valor ligeiramente menor do que o valor base . Essa redução foi suficiente para garantir a vitória, principalmente porque o consórcio foi o único participante válido na disputa. Um dos critérios para concessão eram quem oferecesse o maior desconto no pedágio.

A empresa vencedora

O consórcio é formado pela empresa 4UM Investimentos (antiga J. Malucelli) e o banco Opportunity. É a primeira vez que a união entre as duas instituições vence um leilão de rodovia federal no Brasil.

A concessionária vencedora será responsável por uma série de obras e melhorias na infraestrutura da rodovia, com o objetivo de aumentar a segurança e a fluidez do tráfego. Entre os projetos previstos estão a duplicação de 135 quilômetros, a construção de uma terceira faixa em cerca de 200 quilômetros, além da instalação de passarelas e outras intervenções.

O modelo de concessão prevê sete praças de pedágio ao longo da rodovia

Em discurso durante o leilão, o representante do consórcio Leonardo Boguszewski, CEO da 4UM, falou sobre o sentimento de vencer o leilão e assumiu um compromisso de realizar as melhorias na rodovia.

“Subo nesse palco com alguns sentimentos: o primeiro de alegria de poder estar aqui novamente contribuindo com o desenvolvimento do nosso país por meio de um investimento tão importante numa região tão importante para o país. Todo o escoamento de grãos que acontecem por meio da região norte do país, a relevância do estado de Rondônia para o nosso Brasil e quanto a rodovia BR 364 pode, uma vez melhorada, contribuir ainda mais para isso”, discursou.

Ministro dos Transportes do Brasil, Renan Filho, também usou a palavra para reforçar a importância da concessão rodovia para o agronegócio e o desenvolvimento do Brasil.

“Esse é o maior ciclo de concessões de rodovias federais do Brasil. Enquanto outros países caminham com muita dificuldade para fazer os investimentos, o Brasil aumentou com os próprios recursos, mais do que dobrou em relação ao governo anterior e também faz mais leilões de concessão rodoviária, somando esforços para que os investimentos cresçam em parceria com a iniciativa privada”, reforçou.

Locais dos pedágios

Críticas à concessão

A concessão da BR-364 em Rondônia é alvo de críticas, principalmente de povos indígenas que vivem ao redor da rodovia. Na área de influência existem cerca de 10 terras indígenas e unidades de conservação, entre eles a Sete de Setembro, Roosevelt e a Floresta Nacional do Jamari.

Txai Suruí — Foto: Gabriel Uchida

A Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga e Organizações Indígenas e Ambientais acionaram a Justiça Federal para denunciar supostas irregularidades na licitação de concessão da BR-364 em Rondônia. As ações questionam a ausência de estudos ambientais prévios e a falta de consulta obrigatória às comunidades indígenas possivelmente afetadas.

As ações apontam que a Rota Agro Norte está localizada em uma área de alto risco por atravessar uma zona de influência de diversas terras indígenas. As comunidades argumentam que sua consulta é prevista nos Parâmetros de Desempenho de Sustentabilidade do edital de concessão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). No entanto, segundo a petição inicial, “o povo indígena Cinta Larga foi excluído de toda e qualquer tratativa nos moldes legais”.

“Nós não fomos consultados, como diz a lei OIT-169. Não é que somos contra, é porque a gente não foi incluído no projeto. Isso vai ter impacto social e ambiental e nós queremos reivindicar esse direito. É um retrocesso contra os povos indígenas”, diz o líder indígena Gilmar, Cinta Larga.
Integrantes dos povos Suruí e Cinta Larga chegaram a bloquear temporariamente a BR-364, no km 224, na região de Cacoal (RO), em uma manifestação pacífica.

Em nota, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que as comunidades indígenas serão ouvidas durante a fase de licenciamento ambiental, que ainda está por vir e que antecede qualquer obra a ser realizada pela concessionária.

Ainda na quarta-feira (27), a bancada federal em Brasília se reuniu e enviou um ofício ao Ministério dos Transportes pedindo a suspensão ou adiamento da concessão.

Por g1 RO e Rede Amazônica





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